Mensagem Recebida![]()
De: allinepedra [mailto:allinepedra@bol.com.br]
Enviada em: sábado, 11 de setembro de 2004 22:25
Para: cdh
Assunto: artigo para publicação
Prezado Sr./Sa.,
Sou advogada e professora do curso de dirieto em
Alagoas, e escrevi o artigo em anexo.Caso haja algum
veículo de comunicação do seu conhecimento onde possa
publicado, agradeço antecipadamente.
Admiro muito o trabalho do Dep. Orlando Fantazini.
Atenciosamente,
Alline Pedra
O GRITO ROUBADO
(Alline Pedra Jorge, Mestra em Direito Público pela UFPE, Advogada, Professora de Direito Penal e Processo Penal da FAL, Secretaria Geral da ESMAL)
Há quanto tempo o grito nos foi roubado? Se pararmos para analisar a apatia mundial frente à violência e a violação de Direitos Humanos veremos que o grito não foi roubado do museu norueguês semana passada, mas desde os horrores das primeiras guerras, testemunhadas pela humanidade. A primeira, a segunda...a ditadura brasileira que calava nossas vozes e endurecia ou enfurecia nossos corações.
A ditadura brasileira perfeitamente representada em Olga que estoura nos cinemas devido ao retrato, não tanto fiel da história, mas retrato de uma história que sufocou nossos gritos por muito tempo. E ainda sufoca. Até mesmo pela vergonha se percebermos que fomos nós seres humanos que criamos aquele cenário de horror.
Os responsáveis eram os alemães.Mas eram também os ingleses, os franceses, os espanhóis e até os brasileiros que deportavam estrangeiros sem piedade, pois eram estrangeiros, e não serem humanos. Todos nós fomos responsáveis.
Apesar de não termos vivido grandes guerras, como a segunda guerra mundial, da qual timidamente fizemos parte, nós brasileiros vivemos sim, durante a ditadura, um conflito armado e calado. O governo armado, não nós cidadãos. Na Europa se exterminavam pessoas nas câmaras de gás. No Brasil, éramos torturados por querermos a liberdade e a igualdade da Revolução Francesa, e por querermos a comida e o emprego prometido. Direitos Humanos eram violados pelo governo que roubava a nossa esperança e roubava a nossa voz, aterrorizando e fazendo calar através das suas torturas.
E hoje, que grito calamos? Calamos a fome, com a cola, calamos os mendigos, tirando suas vidas, calamos as crianças, sem ensinar-lhes o bê a ba. Calamos os presos, aglutinados em celas insalubres e superlotadas, calamos os Idosos com o Estatuto, mas não o aplicamos pois cobramos contribuições sobre suas aposentadorias. Calamos o trabalhador, que atravessa o morro em silêncio com medo dos tiros de AR 15 que poderão atingi-lo, calamos a Polícia, que tem medo de agir, calamos as mulheres, que não denunciam seus agressores após as românticas e mentirosas promessas de dias melhores, calamos o choro das mães dos adolescentes assassinados diariamente, calamos o Índio, queimamos o Índio, calamos os garimpeiros, matamos os garimpeiros, calamos as adolescentes, violentamos as mulheres meninas e exportamos seu sexo, assim como o frango e a soja exportados para o mundo todo, calamos o negro dando vagas nas Universidades, calamos o eleitor, sem nunca ensiná-lo a votar.
E quem fala nas próximas eleições? E quem grita nas propagandas políticas? Não é o povo que grita, e a voz daqueles que nos calam, que abafam nossa voz, e que continuarão assim fazendo se não reagirmos.
O grito foi roubado. O nosso grito foi abafado. Devemos recuperar a nossa voz. E gritar como gritamos BRASIL nas Olimpíadas ao torcer para os meninos do volley, ao torcer para o volley de praia, para o judô, o iatismo, a ginástica, para o nosso maratonista que foi passado para trás por um louco irlandês, assim como o povo brasileiro é passado para trás eleições após eleições. Acorda Brasil? Grita Brasil, e recupera a nossa voz.