Mensagem Recebida
 

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-----Mensagem original-----
De: Romeu Olmar [mailto:olmar@mndh.org.br]
Enviada em: segunda-feira, 21 de junho de 2004 11:17
Para:  CDHM

 

DISCURSO DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL, EMBAIXADOR CELSO AMORIM

NO DIÁLOGO DOS CHANCELERES,DURANTE A XXXIV ASSEMBLÉIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS “DESENVOLVIMENTO SOCIAL E DEMOCRACIA FRENTE À INCIDÊNCIA DA CORRUPÇÃO”

Quito, Ecuador

June 7, 2004 

 

 

Senhor Chanceler Patricio Zuquilanda, prezado amigo, a quem agradeço a hospitalidade e a gentileza que minha delegação e eu estamos recebendo no Equador,

Secretário-Geral Cesar Gaviria,

Senhores Ministros,

Senhores Embaixadores,

Senhoras e senhores,

 

O tema principal da reunião será comentado por meu colega brasileiro, Ministro do Controle e da Transparência, Waldir Pires. Peço permissão para dar-lhe a palavra logo em seguida.

 

Queria referir-me a duas questões importantes.

 

O resultado do processo de reparo das assinaturas na Venezuela demonstra de forma clara a determinação do Presidente Hugo Chávez, demais autoridades constituídas e das forças políticas daquele país, inclusive a oposição, de chegar a uma solução democrática, pacífica, constitucional e eleitoral para o quadro institucional da Venezuela.

 

Salientamos também o papel da OEA, em particular do Secretário Geral Gaviria, e do Centro Carter neste processo. Mas creio igualmente importante ressaltar que o Grupo de Amigos da Venezuela, criado por iniciativa do Presidente Lula do Brasil, e composto também por Chile, México, Estados Unidos, Espanha e Portugal, contribuiu para facilitar o diálogo entre os venezuelanos e evitar confrontações.

 

Reafirmo a disposição do Brasil de continuar atuando no sentido de moderação e de apoio das normas constitucionais e da democracia naquele país irmao. Temos plena confiança na capacidade das autoridades e do povo venezuelanos de levar a bom termo o processo político em curso.

 

Quero dar também uma brevíssima palavra sobre o Haiti. Como sabem, o Brasil está enviando expressivo contingente para integrar a Missão de Estabilização das Nações Unidas para o Haiti.

 

O Governo brasileiro entende ser fundamental a participação da região, mas muito especialmente da América Latina e do Caribe, na solução dos problemas que estão na raiz da crise haitiana. A OEA certamente tem e terá um papel neste processo.

 

O equacionamento da crise haitiana requer um engajamento de longo prazo da comunidade internacional, e isto envolve várias dimensões, além da mera estabilização política. É necessário reconstruir as instituições e promover o desenvolvimento sócio-econômico do Haiti. O Brasil está e estará sempre pronto a escutara opinião dos países geograficamente mais próximos. Para isso enviou missão de alto nível a vários países do Caribe, e eu próprio estive, na semana passada, com o Secretário-Geral do CARICOM, Edwin Carrington, para escutar suas opiniões. É com este espírito que o Brasil, atualmente membro do Conselho de Segurança da ONU, atendeu a apelos e sugestões no sentido de ter papel de relevo na Força de Estabilização das Nações Unidas.

 

 

DISCURSO DO Ministro do Controle e da Transparência do Brasil, Waldir Pires,

NO DIÁLOGO DOS CHANCELERES, DURANTE A XXXIV ASSEMBLÉIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS “DESENVOLVIMENTO SOCIAL E DEMOCRACIA FRENTE À INCIDÊNCIA DA CORRUPÇÃO”

Quito, Ecuador

June 7, 2004

 

Quero inicialmente parabenizá-los pela escolha do tema dominante desta Assembléia, que é a luta contra a corrupção. De iniciativa, inclusive, da representação política do Equador, a nação que nos hospeda tão cordialmente, para a adoção de recomendações importantes na linha do combate eficaz a esse flagelo da humanidade.

 

A democracia precisa dessa vitória, precisa em nosso continente de nossa responsabilidade comum para derrotar a corrupção em cada um de nossos países. Ela é um dos desvios mais perversos e danosos da sociedade contemporânea, no campo político, como na atividade privada, onde ela agride e suprime os recursos da coletividade para o uso inescrupuloso dos bandidos sofisticados que a praticam.

 

No Brasil, o Presidente Lula, desde a sua primeira fala à nação, declarou seu governo em luta permanente contra a corrupção. É uma política de Estado o que praticamos com prioridade absoluta. Há de ser um combate de larga duração; mas vamos vencê-lo. A corrupção é um crime, assim como também o é o homicídio. Todos sabemos que não é permitido matar e que é pesado o castigo imposto ao homicida. No entanto, mata-se infelizmente muito, no Brasil e no mundo. Com a corrupção se dá mais ou menos o mesmo. Mas, infelizmente, nem o homicídio nem a corrupção são passíveis de extinção por força de decreto. Por isso, nenhum pais do planeta está livre desse flagelo, seja no setor público –improbidades, tráfico de influência, o enriquecimento ilícito,– seja no setor privado, na manipulação de balanços, na especulação financeira de bolsas, na apropriação criminosa de poupanças privadas.

 

No atual Governo do Brasil a administração federal, com gastos orçamentários muito reduzidos, está se reestruturando profundamente, na essência de sua ação de controle, buscando rapidamente a atuação integrada e de profunda articulação com os organismos do Governo e do Estado, envolvidos com o combate ao desvio do dinheiro público.

 

O governo do Governo Lula transformou profundamente a natureza de sua missão e realiza ações conjuntas ou complementares nas áreas de auditoria, fiscalização e apuração de desvios, com o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e os Estaduais, a Advocacia-Geral da União, com êxito de todos os procedimentos. Instituiu também o sistema de fiscalização a partir de sorteios públicos, que ocorrem na sede da Loteria da Caixa Econômica Federal, em Brasília, na presença de toda a imprensa e mídia e de representantes da sociedade civil, dos membros do Congresso Nacional, de oposição e de governo, para escolher as áreas territoriais menores da Federação brasileira, que são os municípios, onde são aplicadas grandes parcelas do dinheiro público.

 

Neste Governo, a Lei criou o Conselho da Transparência Pública e Combate à Corrupção. Além disso, estamos empenhados na tarefa do fortalecimento dos Conselhos municipais de controle social. Estamos participando da ENCLA (Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro).

 

Vamos realizar o IV Fórum Global de Combate à Corrupção, em junho de 2005, para o qual, inclusive, o Governo brasileiro os convida a todos para nos darem a honra e o prazer de participarem conosco desse conclave internacional .

 

A democracia é incompatível com a corrupção. Como é incompatível com a exclusão. Sua legitimidade decorre da representação popular, que vem da vontade dos cidadãos, para assegurar as liberdades, inclusive aquela que foi declarada um dia na Carta do Atlântico, como o grande documento do Ocidente, de convocação para a luta contra o nazismo e o fascismo: a liberdade de não ter medo de morrer de fome. A exclusão é o decreto de condenação à pobreza extrema e à fome. A democracia é a cidadania, não é um regime com párias.

 

Não há democracia sem ética, portanto sem responsabilidade com a condição humana. A ética da democracia é a coesão social para a convivência humana, hoje sob grave risco. A democracia política ou se faz social e humana, ou democracia não é. O Presidente Lula recentemente, em janeiro último, em Monterrey, na Cúpula Extraordinária das Américas, a propósito do desenvolvimento social, lembrou-nos do desafio deste milênio, para a condenação das injustiças: “é cada vez maior o abismo que separa ricos e pobres em nosso continente e no mundo”. A ética existe desde o começo das civilizações para o bem do ser humano. Significa a responsabilidade de cada um e de todos com os valores da vida, da dignidade da pessoa humana. A ética da democracia, pois, é a ética da coesão social, pela afirmação das liberdades e pelo respeito às necessidades.

 

 

DISCURSO DO Secretário Especial de Direitos Humanos do Brasil, Nilmário Miranda

NO DIÁLOGO DAS DELEGAÇÕES COM A SOCIEDADE CIVIL, DURANTE A XXXIV ASSEMBLÉIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS

Quito, Ecuador

June 6, 2004

 

 

- O Governo brasileiro considera que a corrupção afeta a totalidade dos direitos humanos, como por exemplo o direito à saúde, à alimentação e à educação: a corrupção desvia os recursos necessários para o combate à fome, ao analfabetismo e para vencer os desafios de inclusão social que enfrentam os países da região; a corrupção ofende a consciência dos cidadãos, enfraquece e desacredita as instituições democráticas;

 

- O Governo brasileiro agradece ao Governo do Equador seu empenho em realizar e organizar este diálogo das delegações com a sociedade civil;

 

- O Governo brasileiro considera a participação da sociedade civil essencial aos trabalhos da OEA e ao progresso das políticas sociais dos países membros;

 

- O Governo brasileiro acolhe com interesse as recomendações da Coalizão Interamericana dos Direitos Humanos, e reafirma seu compromisso com os diversos instrumentos e mecanismos da OEA nessa área, entre os quais:

 

a) Convenção contra a corrupção da OEA;

b) Os instrumentos de fortalecimento da Convenção Interamericana contra a violência contra a mulher (Convenção de Belém do Pará);

c) Fortalecimento da Corte Interamericana dos Direitos Humanos e da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos; e

d) Compromisso com a aprovação da Declaração sobre os direitos dos povos indígenas, em discussão no âmbito da organização já há 13 anos.