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-----Mensagem original-----
De: Boletim JG [mailto:boletim@global.org.br]
Enviada em: sexta-feira, 18 de junho de 2004 16:22
Para: Justiça Global SP
Assunto: Boletim JG

 

 

Boletim Eletrônico da Justiça Global

18 de junho de 2004 - nº 11

www.global.org.br

 

 

Editorial

 

Atos, fatos e simbolismos da insegurança no Rio de Janeiro

 

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro ficou marcada por sua nociva omissão no episódio de Benfica, onde oficialmente 30 internos e um agente foram executados por outros presos de facções rivais, que encontravam-se no mesmo estabelecimento penitenciário, por decisão da política oficial do governo Rosinha e Garotinho.

A despeito da gravidade do fato, ninguém assumiu a responsabilidade pelo ocorrido, sendo algumas trocas de acusações entre as secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária as únicas manifestações oficiais sobre as mortes.

Ao romper o silêncio, Astério Pereira, atual Secretário, declarou em Audiência Pública realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) sobre o massacre de Benfica, que alguns jornalistas deveriam “passar por um episódio como aquele do Tim Lopes” - repórter executado em junho de 2002 por traficantes no Rio de Janeiro – pois, em seu entendimento, a atuação de alguns jornalistas contribuiriam para o fortalecimento das facções criminosas no estado. As declarações falam por si mesmas, assim como falam por si mesmas também as constantes rebeliões e mortes no sistema penitenciário, as 1.195 vítimas fatais produzidas pela polícia do Rio de Janeiro no ano passado, a tortura sistemática e rotineira, a execução de jovens pobres e a constante depauperação da dignidade nas favelas.

Tudo isso representa bem mais que a incitação e apologia ao crime, dirigidas à sociedade por uma autoridade pública, mas se inscrevem definitivamente no plano prático e simbólico  de ações governamentais dirigidas à supressão das mais elementares garantias individuais dos cidadãos pobres em todo o estado.

Se falar é fácil e fazer o difícil, podemos dizer que, pelo menos em relação à violência produzida pelo Estado, a inversão é uma proposição mais do que justa no Rio de Janeiro.

 

 

Denúncia para a ONU

 

A Comissão Pastoral da Terra de Marabá/Pará e o Centro de Justiça Global encaminharam denúncia para o Relator Especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU para Independência de Juízes e Advogados, Leonardo Despouy e para Hina Jilani, Representante Especial da ONU sobre Defensores de Direitos Humanos, a respeito da absolvição do pistoleiro José de Ribamar R. Lopes, acusado do assassinato da freira Adelaide Molinari, a Irmã Adelaide, e da tentativa de homicídio contra o Sindicalista Arnaldo Delcídio, ocorrido na rodoviária de Eldorado do Carajás/PA, em 14 de abril de 1985. O Júri, ocorrido dezenove anos após o assassinato, foi marcado por irregularidades, como jurados que portavam celulares, que puderam comunicar-se e até receberam visitas no intervalo do julgamento. Ainda assim foi uma surpresa para as mais de 1000 pessoas que se amontoavam no teatro municipal de Curionópolis/PA, quando a sentença foi divulgada absolvendo o pistoleiro por 5 votos a 2. A acusação e os assistentes apelaram da sentença, com fundamento na quebra de incomunicabilidade e na decisão que contraria as provas dos autos,  e aguardam a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.

 

Impunidade I

 

A Terra de Direitos e a Justiça Global encaminharam ofício à Ouvidoria Agrária e à Secretaria Especial de Direitos Humanos denunciando a impunidade do assassinato do Sindicalista Bartolomeu Moraes da Silva, conhecido como Brasília, ocorrido em 21 de julho de 2002, no Distrito de Castelo dos Sonhos, Município de Altamira, no Pará, bem como solicitando uma força-tarefa para que seja efetuada a prisão do mandante do crime. Tudo indica que o crime foi perpetrado na defesa dos interesses de fazendeiros, latifundiários-grileiros e madeireiros da região, em face da atuação do sindicalista na defesa e proteção dos direitos humanos, principalmente dos trabalhadores rurais sem terra da região. Na noite em que foi assassinado, Brasília recebeu um telefonema e dirigiu-se a um hotel de propriedade de Juvenal Oliveira Rocha, conhecido como “Parazinho”. Horas mais tarde, uma testemunha viu “Parazinho” e Francisco Antonio de Oliveira, “Chiquinho”, executarem Brasília a tiros nas margens da BR 163. Os dois pistoleiros foram presos no dia seguinte ao crime. No dia 13 de agosto de 2002, foi decretada a prisão temporária do acusado de ter efetuado os disparos, Márcio Antônio Sartor, “Márcio Cascavel” e dez dias depois foi convertida em prisão preventiva, sendo que até o momento ainda não foi revogada. Em setembro de 2002, foi decretada a prisão preventiva do fazendeiro Alexandre Manoel Trevisan, acusado de ser o mandante do crime, porém nunca foi cumprida pelo fato do mesmo não ter sido encontrado.

 

Impunidade II

 

Policial Militar acusado de tortura e de integrar grupo de extermínio é liberado em Santo Antônio de Jesus, Bahia.

 

O Policial Militar Luís dos Santos, conhecido como Luís de Bia, que há cerca de seis meses estava preso no 14º Batalhão de Polícia Militar (14º BPM), em Santo Antônio de Jesus, sob a acusação de praticar tortura e integrar um grupo de extermínio, foi solto, na manhã do dia 10 de junho pela juíza da Vara Crime, Rosemunda Souza Barreto de Carvalho.

Santo Antônio de Jesus foi uma das cidades visitadas pela Relatora da ONU sobre Execuções Sumárias, Arbitrárias ou Extrajudiciais, Asma Jahangir, entre setembro e outubro do ano passado. Vale lembrar, que poucos dias após a visita da Relatora ao Município, o mecânico Gerson Jesus Bispo, foi morto com quatro tiros, no dia 9 de outubro, após denunciar à Missão da ONU a execução de seu irmão, Antônio Carlos de Jesus Bispo, por policiais militares em agosto de 2002.

A Coordenadora do Fórum de Entidades de Direitos Humanos de Santo Antônio de Jesus, Ana Maria Santos, vem sofrendo sistemáticas ameaças de morte desde que denunciou a existência do grupo de extermino que atua na cidade.

 

Violência Policial

 

Violência Policial no Parque Novo Mundo, São Paulo

 

O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), com apoio do Centro Santo Dias de Direitos Humanos e do Movimento Nacional de Direitos Humanos/Regional Sul I, realizou ontem, 17 de junho, uma audiência pública sobre Violência Policial no Parque Novo Mundo, em São Paulo. Este bairro vem sendo, nos últimos anos, palco de arbitrariedades praticadas pelas polícias de São Paulo, que vão desde pequenas agressões cotidianas, invasões de domicílios, ameaças de morte, concussão (extorsão praticadas pelos agentes estatais) e principalmente execuções sumárias, como foi o caso de Raimunda Olímpia de Jesus Furtado, 60 anos, assassinada por policiais militares com um tiro pelas costas, enquanto comprava pão em uma mercearia próxima a sua casa, no último dia 15 de maio. O episódio foi classificado como acidental pelas autoridades policiais.

Cerca de 250 pessoas participaram da audiência publica, que contou com a participação do Secretario Adjunto da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Mário Mamede, do deputado federal Orlando Fantazzini, do deputado estadual Sebastião Arcanjo, do Promotor de Justiça Carlos Cardoso, do Ouvidor das Policias de São Paulo, Itagiba Cravo, e representantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Participaram da audiência diversas entidades de defesa dos direitos humanos, entre elas: Grupo Tortura Nunca Mais, Cedeca Sapopemba, Centro de Justiça Global, Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, Centro Santo Dias e Movimento Nacional de Direitos Humanos/Regional Sul I.

Moradores de Sapopemba, que também enfrentam os mesmos problemas que a comunidade do Parque Novo Mundo, se solidarizaram e compareceram a audiência. A defensora de direitos humanos, Valdenia Paulino, do Centro de Defesa de Direitos Humanos de Sapopemba, prestou um depoimento contundente, demonstrando todas as arbitrariedades praticadas não só pela polícia, mas principalmente pelo Poder Judiciário que permite e é conivente para que a impunidade continue imperando. Vítimas e familiares das vítimas da violência policial deram seus depoimentos emocionados e clamaram por justiça e pelo fim da impunidade, principalmente pela saída do atual Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho.

 

Defensores de Direitos Humanos

 

Integrantes de Missão Internacional de Investigação sobre a Reforma Agrária são atacados a tiros no Brasil

 

Quatro membros da Missão Internacional de Investigação sobre a Reforma Agrária realizada no Brasil entre os dias 03 a 09 de junho pela Via Campesina, Coalizão Global de Organizações Camponesas e FIAN, Organização Internacional de Direitos Humanos para o Direito à Alimentação, foram atacados a tiros no dia 7 de junho, por um fazendeiro, quando passavam de carro próximo de sua fazenda a aproximadamente 15 km da cidade de Montes Claros, no estado de Minas Gerais. Felizmente ninguém foi ferido.

Na manhã do dia 07 de junho, a Missão de Investigação visitou o acampamento “Estrela do Norte”, na fazenda Senhora e ao retornavam, quando passavam em frente à fazenda Canoas - cujo proprietário é da mesma família do da fazenda Senhora -, por volta das 14h15, perceberam três homens armados na frente da porteira, que dispararam duas vezes contra o carro.

 

Agenda:

 

21 de junho

 

19h – Lançamento do Livro “Viúvas da Terra – Morte e Impunidade nos Rincões do Brasil”

 

A Editora Planeta e a Livraria Cultura convidam para o lançamento de Viúvas da Terra – Morte e Impunidade nos Rincões do Brasil, do jornalista Klester Cavalcanti.

Local: Livraria Cultura – Shopping Villa Lobos, Av Nações Unidas, 4777 – São Paulo

Informações: (11) 30243599

 

22 de junho

 

9h – Seminário “O Enfrentamento das execuções sumárias e a preservação do Estado democrático de Direito: propostas e alternativas”

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os grupos de extermínio e as milícias privadas no Nordeste convida para o Seminário “O Enfrentamento das execuções sumárias e a preservação do Estado democrático de Direito: propostas e alternativas”, a ser realizado a partir das 9 h no Anexo II da Câmara dos Deputados, Brasília. O seminário contará com a participação do Centro de Justiça Global, que em setembro de 2003 divulgou o Relatório “Execuções Sumárias no Brasil (1997-2003)”, que está disponível no site http://www.global.org.br, nas versões português e inglês.

 

18h30 – Apresentação do documentário Justiça

 

Limite Produções, Casa de Rui Barbosa e Núcleo de Direitos Humanos da PUC/RJ convidam para a sessão especial do documentário Justiça, de Maria Augusta Ramos. A sessão será seguida por um debate com a presença de Elizabeth Sussekind, pesquisadora da Casa de Rui Barbosa; do jornalista Luiz Garcia; de Marcelo Freixo, presidente do Conselho da Comunidade do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro de Justiça Global e da diretora do documentário, Maria Augusta Ramos.

Local: Casa de Rui Barbosa, 134 – Botafogo

www.justicaofilme.com

 

EXPEDIENTE:

 

Sandra Carvalho

Tatiana Lichtig

 

CENTRO DE JUSTIÇA GLOBAL

 

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