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De: Liga MG [mailto:ligamg@uol.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 27 de agosto de 2004 15:45
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Assunto: OUVIDOR AGRÁRIO NACIONAL CRIMINALIZA LUTA PELA TERRA
OUVIDOR AGRÁRIO NACIONAL
CRIMINALIZA A LUTA PELA
TERRA
Jarú, 25 de agosto de 2004
Latifundiários e oportunistas unidos contra os camponeses
Ouvidor
Agrário de Lula faz reunião em quartel da PM para criminalizar os camponeses
No mês de julho foi criada em Rondônia a
"Comissão Mediadora de Conflitos Agrários" ou "Comissão Especial
de Combate a Violência no Campo", iniciativa do governo Lula/FMI, presidida e
levada a cabo pelo Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho.
O objetivo de tal comissão não é outro senão o de frear as tomadas de terra no estado,
através da defesa da propriedade latifundiária e criminalização da luta dos camponeses
pobres pela terra.
Querem enganar os camponeses pobres com a conversa fiada
de que é possível conquistar a terra através da conciliação com latifundiários
assassinos de trabalhadores, como é o caso do Sr. Sebastião Conti Neto (Associação de
Produtores Rurais de Rondônia - APRRO). O mesmo que no ano passado refundou a
famigerada União Democrática Ruralista - UDR - para
atacar os camponeses pobres no norte do Estado.
Os que defendem a conciliação com o latifúndio são: as direções do MST (Movimento
dos Trabalhadores Sem-Terra), MPA (Movimento
dos Pequenos Agricultores) e Fetagro
(Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia), que capitulam vergonhosamente
diante da política agrária reacionária do governo Lula/FMI. Segundo as declarações de
Gercino Silva, o governo federal não vai tolerar ações "ilegais", ou seja,
não vai tolerar nenhuma tomada de terra. Vai garantir a qualquer custo a propriedade dos
latifundiários.
Segundo o superintendente do INCRA, Olavo Nienow "em Rondônia existe uma cultura de
invasão entre os camponeses"; já o Ouvidor Agrário afirma ser necessário
"conscientizar os camponeses para não tomar terras". Fazem isso com intuito de
esconder que as tomadas de terra crescem devido ao brutal pioramento das condições de
vida da população em todo o Estado de Rondônia, em especial os camponeses pobres. O
desemprego alarmante nas cidades, carestia do custo de vida, a fome, a miséria e pobreza
generalizada
são o combustível, o motor que impulsionam mais e mais famílias a lutarem por um
pedaço de terra. Ao contrário do que vomitam estes senhores, os camponeses
necessitam da terra para plantar, para trabalhar e produzir o sustento de suas famílias,
é uma necessidade vital para sua existência.
O ouvidor agrário, cita a existência de ameaças de morte contra fazendeiros, jagunços
e pistoleiros por parte dos camponeses, mas não apresentou uma única prova. Mas em
relação às ameaças e assassinatos contra camponeses, se cala covardemente. Em agosto,
o sargento Souza, comandante da PM de Theobroma, esbravejou a dezenas de camponeses do
Primavera: Vou soltar fogos quando o Camarão morrer, pois ele está atrapalhando
a minha área, e isto não está longe de
acontecer!" O que é isso senão ameaça de morte?
A comissão defende a propriedade latifundiária. Mas
quais são mesmo as realizações da Comissão até agora? Vejamos: Decisão de reintegrar
posse aos latifundiários em pelo menos 12 áreas, expulsando centenas de famílias de
camponeses. Em pouco mais de um mês de existência a comissão defendeu a propriedade dos
latifundiários nas áreas: Lamarca II (Theobroma), Canaã (Ariquemes), Gonçalo (Anari) e
já fazem planos para o Nosso Caminho (Espigão), São Domingos, Pedia e Espírito Santo -
Antiga usina de álcool (Chupinguaia), Rancho Fundo (Jaci-Paraná) e União
Bandeirantes.
Em relação a esta última área a justiça federal em
Rondônia decidiu a suspensão das atividades econômicas, como extração de madeira e
agricultura o que resultará na expulsão de cerca de 10 mil pessoas. Tudo para
garantir ao imperialismo ianque uma área de 800 mil hectares (o maior latifúndio de
Rondônia), formados pelo Parque Ecológico Guajará-Mirim, reserva extrativista
Jaci-Paraná e Floresta Nacional do Bom Futuro.
A comissão criminaliza a luta pela terra.
Depois de amargar um afastamento forçado dos noticiários
o major Enedy Dias de Araújo reapareceu, de novo defendendo os latifundiários. Para quem
não lembra, o major comandou no ano passado uma campanha de criminalização da luta pela
terra, através de perseguições às atividades da LCP com prisões de ativistas,
torturas, mentiras e ameaças do tipo: "Aqui em Rondônia a PM mata sem terra
mesmo!
Desta vez o major cacarejou na imprensa reacionária que "agora os fazendeiros
mudaram sua cultura, deixaram de usar bandos armados e passaram a procurar a justiça e a
PM para resolver os conflitos agrários". Tal declaração só confirma o que
todos já sabem, que sempre houveram milícias armadas a serviço do latifúndio, e que
continuam existindo. Também com esta declaração o major assume descaradamente que a
Policia Militar atua em conluio com o latifúndio, reprimindo os camponeses que lutam pela
terra.
Qual o preço dos serviços prestados pelo major Enedy Dias de Araújo? Tamanho desempenho
foi recompensado com quatro caminhões de boi, oferecidos gentilmente pelo latifundiário
Chicão (filho do finado Nenê da Nova Vida) para o major expulsar os camponeses do
acampamento Lamarca II.
Mas existem exemplos piores na tentativa de criminalizar a justa luta pela terra. O
Ouvidor Agrário, Gercino José da Silva Filho, em nota a imprensa insistiu em
apontar um companheiro da Liga dos Camponeses Pobres como "mentor intelectual das
tomadas de terra". Esta atitude demonstra o teor
reacionário desta Comissão, faz cair a mascara deste senhor que posa de ilustre
defensor dos direitos humanos, mas que na prática delata, dedura, entrega lideranças de
camponeses e ativistas numa bandeja para o latifúndio.
Para quê, companheiros? Para exigir e justificar a
prisão dos ativistas do movimento camponês, para desencadear perseguições e
assassinatos de lideranças e camponeses. Não existe outra explicação, ou melhor, não
existe nome que lhe caia melhor que o de delator.
O Ouvidor age parcialmente ao tomar como
verdadeiros os relatos do major Enedy sobre a questão agrária; Gercino é no mínimo
omisso com suas responsabilidades, que seria a de ouvir os dois lados. Mas os fatos
falam por si, ao realizar uma das reuniões da Comissão dentro do quartel da 1a
Cia. de Policiamento Ostensivo da Policia Militar em Jaru - RO, revelou os objetivos da
Comissão, que é o de retirar todo caráter social da luta pela terra em Rondônia para
transformá-la em crime.
O POVO QUER TERRA, NÃO REPRESSÃO!
CONQUISTAR A TERRA, DESTRUIR O LATIFÚNDIO!
TERRA, PÃO, JUSTIÇA E NOVA DEMOCRACIA!
VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA! MORTE AO LATIFÚNDIO!
LIGA DOS CAMPONESES POBRES DE RONDÔNIA - LCP