Mensagem Recebida![]()
De: Severino Goes [mailto:goes@oitbrasil.org.br]
Enviada em: terça-feira, 31 de agosto de 2004 09:42
Para: cpereira@ime.usp.br
Assunto: GRUPO MÓVEL FAZ NOVA LIBERTAÇÃO - SITE DO MPT - 31/08/2004
Fazendeiro escravizava família no interior do Tocantins
Uma família inteira escravizada foi localizada no sábado (28) pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel em uma fazenda no município de Araguatins, norte do Tocantins. Pai, mãe e 13 filhos viviam e trabalhavam em condições miseráveis. Além de estar endividados com o dono da fazenda "Santo Hilário", os trabalhadores estavam há oito meses sem receber salários. A exploração se estendia às crianças, que aplicavam agrotóxicos sem nenhuma proteção.
De acordo com o Procurador do Trabalho Januário Justino Ferreira, o dono da fazenda, identificado como Lound Antônio Borges, inicialmente concordou em retirar a família de dentro do mato, onde habitava uma barraca coberta de folhas de babaçu. Enquanto negociava o pagamento da rescisão contratual, estimada em R$ 26 mil, o fazendeiro resolveu levar a família de volta para a cidade de Carolina, no Maranhão, onde havia sido aliciada, e ameaçou não pagar o valor devido.
Segundo Justino Ferreira, o fazendeiro chegou a intimidar os membros do Grupo Móvel durante a operação. O procurador relata que a situação de precariedade da família deixou indignados os auditores do Trabalho e policiais federais que fazem parte do Grupo Móvel.
"Uma vaca que morreu envenenada foi consumida pela família, que ainda teve que comprar o animal da fazenda. Uma das crianças estava visivelmente doente, pois tinha os olhos avermelhados devido à aplicação de agrotóxicos sem nenhum tipo de proteção", informa o procurador.
Justino Ferreira disse que o Grupo Móvel foi até Carolina buscar a família de volta. O Ministério Público do Trabalho deve ajuizar Ação Civil Coletiva na Vara do Trabalho de Tocantinópolis, pedindo o bloqueio dos bens do fazendeiro a fim de garantir o pagamento da indenização dos trabalhadores.