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-----Mensagem original-----
De: Ricardo Álvares [mailto:ricardo_alvares@yahoo.com]
Enviada em: sexta-feira, 2 de julho de 2004 11:51
Para: cedefes@yahoogrupos.com.br
Cc: anaind@yahoogrupos.com.br
Assunto: [anaind] Ministra do STF mantém liminar que anula demarcação contínua (Ag.
Carta Maior)
AGÊNCIA CARTA
MAIOR
RAPOSA/SERRA
DO SOL
Ministra
do STF mantém liminar que anula demarcação contínua
Liminar que anula portaria
que demarca a terra indígena em área contínua foi mantida por Ellen Gracie.
Insatisfeitos com o governo federal e com o avanço das plantações de arroz na região,
índios vivem novo clima de tensão em Roraima.
Maurício Hashizume
01/07/2004
Brasília A
ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, nesta quinta-feira (1º)
o pedido da Procuradoria-Feral da República que pedia a suspensão da liminar que anula
os efeitos da portaria emitida pelo então ministro Renan Calheiros, em 1998, que
determina a demarcação contínua da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.
Com isso, o imbróglio
judicial sobre o processo homologatório da Raposa/Serra do Sol está mantido. O pedido de
liminar que iniciou a disputa na Justiça foi apresentado pelo indígena o indígena
Caetano Raposo, juntamente com o senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR), o deputado federal
Luciano Castro (PL-RR) e a deputada federal Suely Campos (PP-RR), todos eles contrários
à homologação em terras contínuas.
A liminar foi aceita
primeiramente pelo juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Roraima, Helder Girão Barreto,
no início do mês de março deste ano. Em abril, a juíza do Tribunal Regional Federal
(TRF) da 1a Região, Selene Maria de Almeida, com base em um relatório
incompleto (leia também: Juíza decide caso com relatório sem visão
antropológica), não só manteve como
ampliou as áreas a serem excluídas da demarcação.
Em função da decisão da
juíza Selene, a Procuradoria-Geral da República apresentou um pedido de suspensão de
liminar ao STF, registrado pelo ministro Nelson Jobim em 25 de maio. No dia 9 de junho,
Jobim se declarou impedido para julgar o pedido e remeteu a peça à vice-presidenta Ellen
Gracie. Como ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, Jobim assinara em
1996 uma portaria que definia uma demarcação descontínua da Terra Indígena
Raposa/Serra do Sol, que caiu por terra com a nova portaria de Calheiros, oficializada em
1998.
A decisão da ministra se dá
justamente no dia em que a falta de decisão sobre a questão provoca mais um foco de
tensão em Roraima. Inconformadas com o avanço das plantações de arroz dentro da área
demarcada, 360 índios das regiões da Raposa, Baixo Cotingo, Serras e Surumu ligadas ao
Conselho Indígena de Roraima (CIR) decidiram ocupar a margem do igarapé Juarí. De
acordo com comunicado do CIR, a ação tem como objetivo chamar a atenção para os
graves problemas que resultam da demora da homologação de Raposa Serra do Sol, sejam os
danos ambientais ou a iminência de conflitos entre comunidades e invasores.
Ainda segundo a nota do CIR,
em reação, o rizicultor Paulo César Quartieiro, dono das terras onde se encontram os
360 índios, acompanhado de um grupo aproximado de outros 300 índios renderam dois
servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), César Augusto Júnior e Gilberto
Pereira da Silva, lotados no posto indígena de Urucuri (que fica dentro da Raposa/Serra
do Sol) e foram até a área do mesmo igarapé na tarde desta quinta.
O administrador interino da
Funai em Boa Vista, Benedito Rangel, teria sido informado da rendição dos dois
funcionários do órgão pelo próprio César Augusto Júnior. Os 360 índios do CIR
favoráveis à homologação contínua estão construindo uma nova comunidade para conter
o avanço das lavouras de arroz dentro da Raposa/Serra do Sol. Os grupos se
encontraram na aldeia São Francisco por volta das seis da tarde e a informação que
chegou ao Conselho Indígena de Roraima é que não houve conflito, afirma o
comunicado.
Viaturas e agentes da Polícia
Federal e Polícia Rodoviária Federal deslocaram-se para o local com a intenção de
evitar o confronto. Segundo informações repassadas através de radiofonia, os servidores
da Funai estão na comunidade São Francisco e não sofreram agressões, complementa
o CIR.
Para a entidade, a tensão entre os grupos poderá, no entanto, resultar em perdas humanas para os dois lodos, principalmente devido ao fato dos indígenas contrários à homologação contínua ingerirem bebidas alcoólicas fornecidas pelos rizicultores e nessas condições praticarem atos violentos. O Conselho Indígena de Roraima novamente responsabiliza o governo federal pela situação criada com a demora na homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, afinal foram 14 meses do atual governo sem qualquer liminar da Justiça Federal que o impedisse [formalmente] de assinar o decreto homologatório.
Fonte: Agência Carta Maior - http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=2017&cd_editoria=001&coluna=reportagens
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