De: Joba Alves
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Enviada em: quarta-feira, 20 de abril de 2005 15:54
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Assunto: Conflito agrário preocupa a Igreja
Quarta-feira ,20 de Abril
abril (20/04-Folha-Grande Recife-expresse)
Conflito agrário preocupa a Igreja
OS conflitos
no campo em Pernambuco, no ano passado, resultaram no assassinato de cinco agricultores,
ameaças a 15 e 17 prisões. As mortes no Estado só perdem para o Pará, com 15, e Minas
Gerais, com nove. No País, foram 39 execuções. Os dados estão no levantamento anual
realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o braço agrário da Igreja Católica.
De janeiro até agora não foi registrado nenhum assassinato de sem-terra.
O documento Conflitos no Campo, divulgado
ontem, mostra que as ocupações de propriedades chegaram a 156 e os despejos atingiram
2.185 famílias. Mesmo assim, algumas ocorrências de 2004 são inferiores às de anos
anteriores. Em 2003, por exemplo, as mortes foram sete e as ameaças, 20.
Mesmo assim, não há motivo para dizer que
a violência no campo está diminuindo, conforme avaliação de Plácido Júnior, da
coordenação estadual da CPT. É só compararmos com números de 2001 e 2002 e
veremos que os assassinatos, prisões, ameaças, despejos continuam ocorrendo com pequenas
variações.
Segundo ele, os conflitos no campo não
foram mais intensos por causa da organização dos camponeses, que denunciam
constantemente a violência, e da fiscalização de entidades de defesa dos direitos
humanos, algumas internacionais. Os sem-terra contam também com a recém-criada
Promotoria Agrária do Ministério Público de Pernambuco, que apura suas denúncias.
MORTOS - Por causa de conflito em
propriedades foram assassinados em março do ano passado Heraldo José da Silva,
liderança da Associação Tabaiaré, em Catende, e José Rosendo Alves Costa, sem-terra
do Assentamento Herbert de Souza, em Moreno. No fim do ano, foram executados Josuel
Fernandes da Silva, sem-terra do Engenho Manguinhos, em Barreiros, Francisco Manoel de
Lima e Edílson Rufino da Rocha, ambos sem-terra da Fazenda Recreio, em Passira.
"Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas, que nos primem de viver e amar! Malditas sejam todas as leis amanhadas por umas poucas mãos para ampararem cercas e bois, fazerem a terra escrava e escravos os humanos."
Dom Pedro Casaldáliga