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----Mensagem original-----
De: Boletim JG [mailto:boletim@global.org.br]
Enviada em: terça-feira, 29 de junho de 2004 16:07
Para: Justiça Global SP
Assunto: Boletim JG
29 de
junho de 2004 - nº 13
Especial Assembléia Geral da OEA
34ª
Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA)
Quito, Equador, 6-8 de junho de 2004*
O Centro de Justiça Global
participou, entre os dias 6 e 8 de junho, da 34ª Assembléia
Geral da OEA, que se realizou em Quito, Equador. O tema principal do evento, escolhido
pelo país anfitrião, foi o Combate à Corrupção no continente.
Pela primeira vez foi estabelecido um
diálogo informal entre chanceleres, chefes de delegações e representantes
da sociedade civil latino-americana. Dezenas de organizações de todo o continente
participaram, inclusive a Justiça Global. O espaço foi importante para reforçar as
recomendações da sociedade civil decididas durante o Fórum Hemisférico (realizado
também em Quito no mês de maio), e para que a Coalizão de Organizações de Direitos
Humanos das Américas expusesse preocupações com relação às resoluções de direitos
humanos a serem discutidas durante a Assembléia, e também quanto à transparência do
processo de participação da sociedade civil.
Além de participar nas sessões da
Assembléia Geral e nas reuniões e eventos da Coalizão de Organizações de Direitos
Humanos das Américas, a Justiça Global organizou uma reunião paralela, no dia 7 de
junho para apresentar a III Consulta Latino-Americana de Defensores de Direitos Humanos
às organizações da sociedade civil presentes a Quito.
Antes do início do período de
sessões da Assembléia Geral, a Justiça Global em conjunto com o Núcleo de
Estudos Negros, Terra de Direitos e Conectas Direitos Humanos escreveu em 19 de
maio ao Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e ao Ministro Chefe da
Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, solicitando especial
atenção do governo brasileiro com relação a quatro temas: i) defensores de direitos
humanos; ii) violência contra a mulher; e iii) a proposta de redução do orçamento da
Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
A participação do governo
brasileiro, no que se refere aos direitos humanos, durante a Assembléia Geral pode ser
resumida no pronunciamento do Ministro Chefe da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos,
Nilmário Miranda, durante o diálogo informal: neste espaço o Brasil comprometeu-se a
apoiar a Convenção contra a corrupção da OEA, os instrumentos de fortalecimento
da Convenção Interamericana contra a violência contra a mulher (Convenção de Belém
do Pará), o Fortalecimento da Corte Interamericana dos Direitos Humanos e da Comissão
Interamericana dos Direitos Humanos, e o Compromisso com a aprovação da Declaração
sobre os direitos dos povos indígenas.
As resoluções relacionadas aos
direitos humanos aprovadas durante esta Assembléia Geral foram as seguintes:
Defensores de Direitos Humanos: apesar de
pressões de Venezuela e Colômbia por um texto de resolução que na realidade
menosprezava o trabalho desenvolvido por defensoras e defensores de direitos humanos, a
resolução aprovada com apoio decisivo do Brasil reconhece o trabalho
desenvolvido por pessoas, grupos e organizações da sociedade civil na proteção e
promoção dos direitos humanos. A resolução (AG/RES.
2036 (XXXIV-O/04)) também inclui pela primeira vez uma recomendação
para que os países americanos estabeleçam Planos Nacionais de Ação sobre Defensores de
Direitos Humanos.
Referência à
importância dos defensores de direitos humanos também foi feita pelo presidente da
Comissão Interamericana, José Zalaquett, quando da apresentação dos informes da
Comissão e Corte Interamericanas.
Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH): Antes da Assembléia Geral a Justiça Global
alertara o governo brasileiro sobre a proposta de orçamento da Organização dos Estados
Americanos, que apresenta um corte de 10% no orçamento proveniente do fundo regular da
OEA para a CIDH para o ano de 2005. Tal redução da dotação orçamentária destinada ao
Sistema Americano de Direitos Humanos acarretaria em prejuízos sensíveis ao
funcionamento dos órgãos acima mencionados.
A resolução aprovada (AG/RES 2060)
faz, de fato, um corte de cerca de 10% do orçamento da CIDH (aproximadamente R$ 1
milhão). A Justiça Global, em conjunto com a Coalizao de Organizações de Direitos
Humanos das Américas, alerta o governo brasileiro para os problemas provenientes desta
redução orçamentária, tanto com relação ao funcionamento pleno dos órgãos
Interamericanos de proteção de direitos humanos, quanto com relação ao compromisso e
obrigações internacionais dos Estados-membros da OEA em defender e promover os direitos
humanos.
Violência contra a mulher: entre outras coisas,
a resolução sobre este tema recomenda que os Estados membros tomem passos
concretos para assegurar a aplicação efetiva de legislação nacional vigente em
correspondência com as convenções regionais e internacionais ratificadas para eliminar
a discriminação e violência contra as mulheres, em particular a Convenção de Belém
do Pará.... Para este fim, a resolução alerta para que Estados membros destinem
maiores recursos humanos e financeiros aos ornamentos nacionais, regionais para assistir a
vitimas de violência assim como para prevenir, punir e erradicar todas as formas de
violência contra a mulher.
A Declaração final (Declaração de Quito) não faz referências
expressivas à proteção e promoção dos direitos humanos, mantendo a linha de que a
proteção dos direitos humanos é importante para a preservação do Estado de Direito.
Também durante esta Assembléia
ocorreu a eleição do novo Secretário-Geral da
OEA, Miguel Angel Rodríguez. Rodríguez é ex-presidente da Costa Rica e demonstrou
interesse em encampar a questão dos direitos humanos com maior ênfase durante sua
gestão, inclusive ao participar de reuniões com a Coalizão de Organizações de
Direitos Humanos das Américas, tanto antes quanto durante a Assembléia Geral de Quito.
Sobre a participação da sociedade civil em eventos da
OEA, é importante ressaltar que o Plano de Ação da Terceira Cúpula das Américas
estabelece que, entre outras iniciativas, os governos elaborarão estratégias em nível
nacional e através da OEA, com o objetivo de aumentar a capacidade da sociedade civil em
incrementar sua participação no sistema Interamericano. A resolução sobre o Aumento
e Fortalecimento da participação da sociedade civil em atividades da OEA(AG/RES
XXXIV/O-04) exortar os Estados membros a informarem acerca dos procedimentos
e normas existente em nível nacional em matéria de consultas com a sociedade civil no
processo de elaboração e tomada de decisões de políticas governamentais, para permitir
o intercâmbio de experiências e melhores práticas entre os Estados membros.
A próxima Assembléia Geral será
realizada em junho de 2005 em Fort Lauderdale, Estados Unidos. Também nesta edição, a
sociedade civil deve contar com um espaço de diálogo com os representantes de governo do
continente. Resta saber se o diálogo será objeto de real atenção por parte dos
governos, ou simples retórica pseudo-legitimadora de participação da sociedade civil na
OEA. Cabe ao governo brasileiro a responsabilidade por ampliar a divulgação do sistema
interamericano e fomentar a participação de organizações da sociedade civil brasileira
tanto em eventos do sistema interamericano quanto, e principalmente, na elaboração de
planos de trabalho e políticas públicas na área de direitos humanos, acesso à
justiça, e combate à corrupção e à impunidade.
Todas resoluções e declarações aprovadas na Assembléia Geral de Quito podem ser acessadas diretamente do sítio da OEA (em espanhol), no seguinte endereço
http://www.oas.org/main/main.asp?sLang=S&sLink=http://www.oas.org/documents/spa/structure.asp, ou diretamente fazendo o download do documento Word contendo todas as resoluções:
http://www.oas.org/consejo/sp/AG/Documentos/PL08087S01.doc
* Informe elaborado por Carlos Eduardo Gaio,
Coordenador de Relações Internacionais do Centro de Justiça Global
EXPEDIENTE:
Sandra Carvalho
Tatiana Lichtig
CENTRO DE
JUSTIÇA GLOBAL
R.
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