De: Jorge Marcio
[mailto:jorgemarcio@mpc.com.br]
Enviada em: domingo, 27 de março de 2005 12:08
Para: defnet@montreal.com.br
Assunto: INFO ATIVO DEFNET- 2247 - Cadeira de Rodas Vertical - Tecnologia
Brasileira - hospital SARAH DE BRASILÍA
Info ATIVO DEFNET - Ano 09 - Ed.n° 2247- Março de 2005 - edição extra
Informativo do Centro de Informática e Informações sobre Paralisias Cerebrais - www.defnet.org.br
Editor responsável: Dr. Jorge Márcio Pereira de Andrade - jorgemarcio@mpc.com.br
retransmite e solicita a difusão na Internet
obs: contém imagens de cadeiras de rodas vertical e de Dr. A. Campos da Paz Jr. , que não puderam ser editadas para pessoas com deficiência visual
Cadeira de rodas vertical
Uma esperança sobre rodas para quem não pode se locomover sozinho
coemça a ser testada desde junho de 2003. A alta tecnologia chega às cadeiras de rodas.
numa experiência pioneira do Hospital Sarah de Brasília. A idéia era botar a pessoa de
pé, essa era a idéia original. "A pessoa andar em pé, se movimentar em pé.
Existem cadeiras que são verticalizáveis, que a pessoa fica em pé. Mas é uma cadeira
de rodas convencional, que quando a pessoa fica de pé apoia lá na frente e não anda
mais. Para andar tem que sentar", explica o arquiteto Cláudio Duarte. Os
técnicos que trabalharam no projeto foram aperfeiçoando as cadeiras ao pouco. Um dos
primeiros a usá-la foi Herbert Vianna. Mas o Hospital Sarah é muito cauteloso. Ainda
não se sabe bem o que pode acontecer com os voluntários. Há casos em que o
comportamento dos ossos muda depois de uma lesão medular. Por isso, antes de aprovar a
cadeira, há muita pesquisa pela frente. A Rede SARAH de Hospitais de Reabilitação é
constituída por seis unidades hospitalares localizadas em Brasília (DF), Salvador (BA),
São Luís (MA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ).
A cadeira ortomóvel é fabricada em titânio e alumínio e poderá representar para o
paraplégico a recuperação da posição vertical, devolvendo-lhe a capacidade de
executar no dia a dia uma série de tarefas impossíveis a quem permanece o tempo todo
sentado. A cadeira ortomóvel pode ser usada na posição tradicional ou na vertical. O
paciente se locomove movimentando as rodas laterais com as mãos, tanto sentado como em
pé. O projeto deverá se estender por mais um ano, com os usuários se submetendo
mensalmente a exames de tomografia computadorizada em 3D, para verificação das reações
dos ossos, musculatura e articulações (quadril, joelhos e tornozelos) "temos que
entender o que acontece com a organização do osso. O paraplégico fica com ausência de
sensibilidade e sem o controle nervoso central sobre a parte inferior do corpo. Com as
novas solicitações mecânicas que a posição vertical passou a oferecer, os ossos
voltam a ter estímulo e estão reagindo e se reforçando",explica Campos Da Paz,
diretor da rede Sarah.
A equipe do Sarah escolheu três pacientes com lesões, tônus muscular e tipos físicos
diferentes exatamente para ter um quadro o mais amplo possível dos efeitos da cadeira no
organismo dos usuários e descobrir quem terá condições físicas de usar o novo
equipamento "Nem todo deficiente poderá usar essa cadeira. Os tretaplégicos, por
exemplo, não tem força nos braços para movê-la, embora ela seja extremamente
leve", afirma Lúcia Villadino, a segundo em comando no Sarah. "A verdade
é que só vamos saber quem são os usuários ideais para a cadeira ortomóvel depois de
mais de um ano de estudos e testes", completa. No caso dos tetraplégicos, de
acordo com ela, teria de ser desenvolvida uma cadeira elétrica, mas isso é projeto para
o futuro. Neuropsicóloga, Lúcia destaca como primeiro ganho no uso da cadeira a
retormada da auto-estima por parte dos pacientes. "A felicidade que eles mostram
na primeira vez em que ficam e andam de pé é emocionante", afirma. Os
protótipos foram construídos nas oficinas do Equiphos, a empresa de equipamentos
hospitalares do sarah que conta com 110 funcionários, sendo seis designers.
A patente PI0105828-2 refere-se a um "DISPOSITIVO PARA LOCOMOÇÃO DE DEFICIENTES
FÍSICOS". Compreendendo um chassi montado sobre um par de rodas traseiras e um par
de rodas dianteiras, de giro louco; uma armação de assento anteriormente articulada ao
chassi, de modo a ser deslocável entre uma primeira posição, substancialmente
horizontal e uma segunda posição, elevada e acentuadamente inclinada para baixo e para
frente; uma armação de encosto articulada, inferiormente, a uma porção posterior da
armação de assento e ao chassi , de modo a ser deslocada entre uma primeira posição,
substancialmente ortogonal à armação de assento e uma segunda posição
substancialmente coplanar àquele; um meio impulsor operativamente acoplado ao chassi e à
armação de assento, de modo a prover o deslocamento seletivo dessa última entre a
primeira e a segunda posição; um meio de trava de movimento, montado ao chassi para
permitir o travamento seletivo das rodas traseiras; e um meio de trava de posição
montado ao chassi e operativamente associado à armação de assento, para mantê-la em
qualquer posição operacional entre a primeira posição e a segunda posição.
Originária da atuação da Fundação das Pioneiras Sociais em
Brasília, a Rede Sarah de Hospitais do Aparelho Locomotor surgiu em 1974 como resposta à
demanda por uma estrutura especializada no tratamento de enfermidades do aparelho
locomotor, sendo concebida como um subsistema de saúde de alcance nacional cujo centro de
referência se localizaria em Brasília. O embrião deste subsistema, segundo seus
preceptores - entre eles o cirurgião Aloysio Campos da Paz Júnior e o arquiteto João
Filgueiras Lima - seria inicialmente o Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek,
construído em 1960 pela Fundação e que indesejadamente se afastava cada vez mais de sua
proposta inicial, transformando-se gradualmente em um hospital ortopédico. Assim se deu a
construção do Hospital do Aparelho Locomotor de Brasília, concluída em 1980, no qual
já eram aplicados os conceitos que norteiam até hoje o funcionamento da rede, e que
continuam a fazer dela um exemplo bem sucedido de serviço de saúde, tanto do ponto de
vista arquitetônico quanto do terapêutico ou de gestão. O profissional de saúde
trabalha em regime de dedicação exclusiva. Não há serviços terceirizados. "É
possível que a Rede Sarah seja o que é porque as coisas são simples: a fonte de
recursos é uma só, o emprego é um só e a porta dos pacientes também é uma só. As
pessoas que trabalham no Sarah gostam da profissão e gostam de receber pacientes",
afirma Campos da Paz.
Sarah Kubitschek foi casada com Juscelino Kubitschek durante 46 anos. Nascida em Belo
Horizonte, filha do deputado Jayme Gomes de Souza Lemos e de Dona Luísa Negrão Lemos,
casou-se em 31 de dezembro de 1930. A partir daí, sua vida se confunde com a carreira
política de seu ilustre marido, que ocupou vários cargos na administração pública:
chefe do gabinete civil do governo de Minas Gerais; deputado federal; prefeito de Belo
Horizonte; novamente deputado federal; governador de Minas Gerais; Presidente da
República e finalmente senador pelo Estado de Goiás. A brilhante carreira de JK levou-a
a uma vida também de lutas e restrições. Dona Sarah é fundadora da Organização das
Pioneiras Sociais, que realizou notável obra de assistencialismo em Minas, incluindo
fundação de escolas, creches e distribuição de roupas, alimentos, cadeiras de rodas e
aparelhos mecânicos para deficientes físicos.
A Associação das Pioneiras Sociais (APS) - entidade de serviço social autônomo, de
direito privado e sem fins lucrativos - é a Instituição gestora da Rede SARAH de
Hospitais do Aparelho Locomotor. A Associação, criada pela Lei nº 8.246, de 22 de
outubro de 1991, tem como objetivo retornar o imposto pago por qualquer cidadão,
prestando-lhe assistência médica qualificada e gratuita, formando e qualificando
profissionais de saúde, desenvolvendo pesquisa científica e gerando tecnologia. O
caráter autônomo da gestão desse serviço público de saúde faz da Associação a
primeira Instituição pública não-estatal brasileira.Os recursos financeiros que
mantêm todas as unidades da Rede SARAH provêm exclusivamente do Orçamento da União, em
rubrica específica para manutenção do Contrato de Gestão. A Rede SARAH não recebe
recursos advindos do número e da complexidade dos serviços prestados, à semelhança do
que ocorre com instituições de saúde subordinadas ao SUS.
Fonte: http://abav.free.fr/ponto/5/sarah.html
http://www.jornalbrexo.com.br/entrev01.htm
http://fantastico.globo.com/Fantastico/0,19125,TFA0-2142-5647-80623,00.html
http://geocities.yahoo.com.br/katherine3393/Marcia.html
http://www.sarah.br
http://www.terra.com.br/istoe/1719/medicina/1719_tratamento_no_automatico.htm
acesso em setembro de 2003
Revista Isto é, n.1779 de 05.11.2003 "Na vertical" de Eduardo Hollanda
http://www.terra.com.br/istoe/1779/medicina/1779_na_vertical.htm
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