De: Eliane Potiguara
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Enviada em: segunda-feira, 21 de março de 2005 20:09
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Assunto: [anaind] documento de durban
GRUMIN/Rede de Comunicação Indígena
Relembrando um pouco a história de Durban, na África do Sul, neste dia contra a Eliminação da Discriminação Racial. Eliane Potiguara
Documento
de Durban
Declaração do Comitê Indígena Brasileiro contra o
legado continuado de Discriminação e Racismo contra os povos indígenas do Brasil
Apresentado na conferência das Nações Unidas contra Racismo, Xenofobia e Intolerância, 7 de setembro de 2001
Nós, os representantes dos povos indígenas do Brasil, declaramos para as nações do mundo presentes nesta conferência em Durban, África do Sul que protestamos e denunciamos os seguintes abusos que caracterizaram a relação da nação brasileira com os povos indígenas nestes 500 anos:
1.O
genocídio de quatro milhões de pessoas indígenas durante os 500 anos que iniciou com os
primeiros contatos entre colonos portugueses e os habitantes originais ,e tem continuado
com o sequestro de terras, quando os portugueses saíram do litoral em direção ao
interior do subcontinente brasileiro;
2.O
fracasso da República Brasileira ,desde 1993, em cumprir o artigo 231 da Constituição
Brasileira ,o qual garante que o governo vai respeitar a demarcação das terras
pertencentes aos povos indígenas e que essas áreas são regiões autônomas;
3.A
impunidade absoluta de exércitos privados e jagunços ao matarem vários líderes
indígenas através de um programa sistemático de terror perante a luta dos povos para
assegurarem as suas terras;
4.Os
danos implícitos e explícitos de grandes projetos desenvolvimentistas de multinacionais
e estatais de destruir as nossas terras e modo de vida. Os nossos povos sofrem o impacto
de poluição industrial, desmatamento, o deslocamento em massa para dar lugar aos
projetos de hidroelétricas, e roubo da flora e fauna indígena (que inclui experimentos
humanos). Sofremos também a profanação da nossa humanidade, culturalmente, fisicamente
e espiritualmente porque a invasão da nossa terra causou o aumento de prostituição
,fome, doença e a redução dos nossos povos a um estado de miséria depravada;
5 .A
ausência deliberada da vontade política do governo brasileiro para implementar o
Estatuto dos Povos Indígenas de acordo com os compromissos assumidos com as
Organizações Indígenas Brasileiras.;
6.A
instalação de bases militares em áreas pertencentes aos povos indígenas, localizadas
nas fronteiras com outras nações. Um exemplo claro deste abuso está na região Raposa
Serra do Sol, no Estado de Roraima;
7.A
recusa dos militares em parar com as práticas de abuso sexual contra mulheres indígenas
e o uso delas como concubinas e prostitutas.
8.O
fracasso da saúde, educação ,desenvolvimento e programas assistenciais, que foram
desenhados para melhorar o bem estar dos nossos povos. Em vez disso, sofremos a
interferência e destruição das nossas tradições pelos povos não indígenas nas
nossas regiões;
9.A
impunidade do Governo Brasileiro que não interveio contra a violência policial durante
os protestos na Bahia contra os 500 anos de invasão em Abril, 2000;
10. O
boicote premeditado, arrogante, racista e irresponsável do Governo Brasileiro que não se
empenhou em participar na mediação das queixas dos povos indígenas nesta III
Conferência das Nações Unidas contra o Racismo.
Exigimos
que as resoluções desta conferência, pedindo indenizações, também tem que nos
incluir e que o Governo Brasileiro aja corajosamente, implementando as leis que promovem
os direitos humanos.
Exigimos
o fim de toda intolerância, racismo, discriminação, exploração das nossas mulheres e
crianças, destruição das nossas terras e outros atos do Estado ou indivíduos que negam
os nossos direitos humanos plenos. Nós, os povos indígenas do Brasil, estamos de acordo
com o cumprimento completo do governo brasileiro à Declaração dos Direitos Humanos das
Nações Unidas.
Exigimos
também que tenhamos o poder de selecionar a nossa liderança indígena , particularmente
para a presidência da FUNAI e que as nossas organizações tenham poder de consulta com
toda e qualquer organização governamental que lida com a questão indígena ou
políticas públicas.
Finalmente,
queremos compartilhar com o mundo todo que queremos liberdade, igualdade, dignidade,
justiça e paz.
Comitê
da Aliança Indígena:
Joel
Pataxó
APOINME
Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo
Miralda
Apurinã
UNI -
União das Nações Indígenas do Acre
G.M.I.
Grupo das Mulheres Indígenas do Acre e Sul do Amazonas
Eliane
Potiguara
GRUMIN
Grupo de Mulheres Indígenas
Agnaldo
Pataxó Hã-Hã-Hãe
ACIPAC
Associação da Comunidade Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe
Azelene
Kaingang
CAPOIB
Conselho de Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
Irani
Macuxi
OMIR
Organização de Mulheres Indígenas de Roraima
MAMA
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia
Durban,
África do Sul, 6 de Setembro de 2001
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ELIANE POTIGUARA
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Este grupo é a via de interlocução dos associados, parceiros e amigos da ANAI
(Associação Nacional de Ação Indigenista)e visa promover a divulgação de
informações e discussões sobre povos e terras indígenas e
de Quilombos no Nordeste e Leste do Brasil e sobre política indigenista no Brasil e no
mundo.