De: Vanessa
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Enviada em: quinta-feira, 31 de março de 2005 23:50
Para: anaind; Núcleo de estudos socioambiental PUC
Assunto: [anaind] Xingu: de novo (Amazônia)
Xingu: de
novo
Por Lúcio Flávio Pinto em 28/03/2005
Fonte: Jornal Pessoal
O governo Lula começou
invertendo a prioridade da administração anterior para a construção de uma nova grande
hidrelétrica na Amazônia. Não seria mais Belo Monte, no Xingu, mas duas barragens no
rio Madeira, em Rondônia: Jirau e Santo Antônio. Elas não apenas permitiriam gerar um
volume de energia maior, ao menos numa primeira etapa: dispondo de eclusas, também
regularizariam a navegação em todo Madeira, servindo à intenção do novo governo de
integrar aquela parte da América do Sul, envolvendo Bolívia, Peru e Chile.
Agora as coisas parecem ter
voltado - em mais este aspecto - ao que eram sob FHC. Numa palestra que fez no dia 18, no
Rio de Janeiro, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, disse que como é inviável construir ao mesmo tempo
Belo Monte e as duas usinas do Madeira, o "mais factível" é optar pelo Xingu.
O projeto de Belo Monte já
não é mais o mesmo. A revisão começou na gestão tucana e se prolongou na era petista.
A capacidade (de mais de 11 mil megawatts) foi reduzida à
metade (5,5 mil MW), a área do reservatório foi ainda mais minimizada, o oneroso sistema
de transporte foi dissociado da geração (barateando o orçamento) e a participação de
empresas privadas ampliada. Assim, a obra tem menor impacto ambiental e ficou muito mais
barata, abaixo de cinco bilhões de dólares.
Mas quem acredita que debaixo
dessa nova roupagem o santo não seja o mesmo? O projeto de Belo Monte não terá sido
modificado principalmente para vencer resistências ao formato original, devendo seguir
uma implantação modulada, em etapas? Uma vez construída a primeira barragem, a
funcionar como usina a fio d'água, os demais barramentos não virão como conseqüência inevitável? É bem
possível: sozinha, Belo Monte não terá viabilidade econômica, mesmo com todas as reforms que recebeu.
A
volta da prioridade ao aproveitamento hidrelétrico do Xingu tem um significado: é
conseqüência da pressão dos novos empreendimentos eletrointensivos
que estão surgindo na região. Tanto o pólo de bauxita e alumina da Alcoa
em Juruti como a nova mina em consolidação pela Companhia Vale do Rio Doce, no Pitinga, no Amazonas. No Madeira, onde não existe ainda uma demanda
desse porte, as duas usinas, com capacidade para 7 mil MW, deixariam energia "na
gaveta", como observou Tolmasquim na sua palestra
carioca. Na gaveta, obviamente, não gera dinheiro.
Lúcio Flavio Pinto é jornalista.
Fonte:
Site Amazônia, Notícias, http://www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=154029
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