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-----Mensagem
original-----
De: ATF [mailto:atfdf@uol.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 30 de junho de 2004 10:01
Para: atfdf@uol.com.br
Assunto: Oficinas de Arte Social mostra resultado em Sobradinho
Prezado,
Seguem, para seu conhecimento e acompanhamento, algumas informações sobre resultados que as oficinas de arte do Programa Arte Social já estão rendendo em Sobradinho (DF) entre jovens de baixa renda.
Aqui, a seu dispor.
Abraço,
Teresa Cristina Machado
ATF - Comunicação Empresarial
Tel.: (061) 225 14 52 / (061) 99 8393 95
Sobradinho, 30/06/2004 Estou dando aula
para a nova oficina de hip hop, vou ser remunerado e vou poder ajudar minha mãe em casa.
A alegria de Jackson Alves Cardeal, 16 anos, com o hip hop não aconteceu somente agora.
Ele vem, há dois anos, conquistando com a arte o que talvez não descobrisse fora da
Oficina do programa que o Instituto Arte Social realiza no Centro de Desenvolvimento
Social de Sobradinho (CDS), seu talento.
Um dos primeiros alunos da Oficina de Hip Hop instalada em
2002 - com o apoio da Secretaria de Ação Social do Distrito Federal; da Secretaria de
Cultura do DF; do Fundo da Arte e da Cultura, do GDF; do Ministério da Cultura e da Caixa
Econômica Federal - Jackson também é o primeiro aluno a tornar-se monitor de oficina,
é um agente multiplicador, declara o diretor do Instituto Arte Social,
Flávio Macêdo, satisfeito com o resultado que é justamente a proposta das oficinas,
além do exercício da cidadania com jovens que vivem em risco social.
Mudança - Jackson começou a freqüentar com
regularidade as aulas da Oficina de Hip Hop no CDS, a harmonia e a precisão dos
movimentos durante as coreografias chamou a atenção de João Baptista de Jesus que
administra o grupo profissional Conspiração. Integrou o Conspiração em 2003 e, desde
então, participa de workshops e competições pelo Brasil. No mesmo ano, o aluno da
oficina de Sobradinho estava no grupo campeão de hip hop do Mercosul no festival que se
realizou em Bento Gonçalves (RS). Minha vida mudou completamente, estou indo melhor na
escola, inclusive, reconhece.
Mas o hip hop não mudou somente a vida de Jackson. Além da
mãe que aprende alguns passos em casa, dois irmãos e primos resolveram ingressar no
projeto das oficinas que na turma do professor Jackson Cardeal tem 35 novos alunos. No
salão de esportes do CDS, ele fica no palco, de costas para a turma organizada em filas e
conta alto repetidas vezes, de um a oito, cada número é um passo diferente e exige
esforço. Os meninos e meninas, em baixo, querem ser iguais ao professor, que se apresenta
em aula como um artista, roupa colorida, brinco, boné e óculos escuros enquanto vai
mostrando os movimentos nada fáceis até chegar à harmonia, preciso e graça perfeitos,
e a turma repete tudo.
Exemplo - Meus irmãos vieram por conta,
diz Jackson apontando para Jéssica de 7 anos e Frederico, com 12 anos. Já tivemos
duas semanas de aula, nas segundas, quartas e sextas, pela manhã, e todos os alunos já
estão bem melhores do que na primeira aula. Jéssica via o irmão dançar em casa e em
shows, além do Conspiração Jackson tem um grupo que se apresenta em festinhas de
aniversário. Eu achava ele muito bom e quero dançar igual, diz já se
mexendo ao som da música que embala os exercícios. Aprendi uns passos, é difícil
e é fácil, eu gosto, se adianta Stéfane Cardeal de Souza, prima de 7 anos
também.
Com o nome artístico de Fred Stone, o maranhense de 21 anos,
chegou há uma semana em Sobradinho. Deixou mãe e irmãos em Timo, onde fazia o segundo
grau. Fred tem uma história difícil de aceitação social e tenta fugir dela. Diz que
sua opção sexual não foi aceita pela família e ele vivia trancado em um quarto no
Maranhão, mas eu também não aceito que me chamem de doido e, aqui, estou me
sentindo melhor. Soube da Oficina de Hip Hop pelos vizinhos e decidiu fazer. Já
aprendi bastante, por enquanto, vejo as aulas como uma ocupação, mas posso mudar e
encarar como uma forma de trabalho, assinala.
Carlos Eduardo Mesquita, 12 anos e Valter dos Santos, 14 anos,
estudam na mesma escola que o irmão de Jackson, na 6a. Série do Centro de
Ensino Fundamental 01 de Sobradinho. Lá, aproveitavam o recreio para treinar alguns
passos. Foi quando tiveram a idéia de freqüentar a Oficina de Hip Hop para poderem
formar um grupo e apresentar na escola, nos aniversários dos professores e nas
festas que promovem, planejam. Eles são seis colegas na oficina que começou há 15
dias e garantem, já pegamos o passo com música e tudo, vamos nos apresentar na
festa junina da escola dia 26 de junho, já estamos fazendo uma lista com os aniversários
dos professores e depois que aprendermos bem as coreografias, estamos pensando em um nome
para montarmos nosso grupo, diz Eduardo. Pode ser Conspiração, a Nova
Geração, adianta-se o pequeno Valter.
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Teresa Cristina
Machado
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