De: Maisa [mailto:marialuisa1@uol.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 17 de março de 2005 08:34
Para: rede@social.org.br
Assunto: Solidariedade aos presos políticos do MAB

 

 

MAB agenda audiência com Lula

 

FAVOR ENVIAR CARTAS DE PROTESTO

CONTRA A PRISÃO DE LIDERANÇAS DO MAB

e divulgar essas informações

 

Negociações avançam e presidente Lula recebe Movimento dos Atingidos por Barragens

 

A semana do Dia Internacional de Lutas Contra as Barragens continua intensa para os atingidos organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens/MAB. As mobilizações continuam e a previsão é de que a partir de hoje (17), novas ações iniciem. Os atingidos lutam para a garantia dos direitos básicos do ser humano,  principalmente pela terra que lhes é tirada para a construção das hidrelétricas.

 

As negociações com as empresas construtoras e com o governo avançam, mas os atingidos continuam lutando. Em Rondônia, os atingidos pela barragem de Samuel ainda estão na obra. Depois de mais de 20 anos da conclusão da obarragem, inúmeros problemas sociais permanecem. A situação é a mesma em Tucuruí, no Pará, e a audiência com a empresa está marcada para as 9 horas da amanhã de hoje (17). Mesmo com a pressão do exército, que está no local, os atingidos continuarão mobilizados até obterem conquistas concretas. “Fazem 20 anos que esperamos, a energia produzida por Tucuruí é toda exportada e mais de 20 mil famílias atingidas não tem luz elétrica em casa, isso é uma contradição e deve acabar”, desabafa Roquevam Alves da Silva, um dos coordenadores do MAB na região.

 

No Paraná, depois de entregarem uma pauta de reivindicações para o gerente do Banco do Brasil na manhã de terça, reivindicando providências para as perdas causadas pela seca que assolou a região, e de fazerem bloqueios em rodovias, parte dos manifestantes se deslocaram para entregarem ao presidente Lula, em Coronel Freitas/SC, um documento solicitando a liberação de recursos do governo federal aos atingidos pela seca. Ontem eles participaram de uma audiência pública que acontece na região com a presença do Instituto Ambiental do Paraná/IAP e da empresa ALJOR, construtora da barragem Santa Clara, sob o Rio Jordão, em Candoi/PR. Os atingidos exigem a imediata suspensão da liberação para operação da obra.

 

Na Bahia, os atingidos continuam mobilizados e ontem foram recebidos pelo chefe do Ibama de Barreiras, Carlos Augusto Araújo Santos. Na reunião, foi apresentada a pauta que exige do órgão ambiental providências quanto à devastação do cerrado para instalação de carvoeiras e expansão do agronegócio. O MAB denuncia fraudes do Ibama que beneficiam carvoeiros e plantadores de soja, que estão destruindo as margens e cabeceiras da maioria dos rios que passam pela região.

 

Ainda para esta semana estão previstas ações em vários estados, entre eles na Paraíba, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.

 

Atingidos por barragens continuam presos

Em Campos Novos/SC, as cinco lideranças do Movimento continuam presas. As prisões ocorreram arbitrariamente na madrugada de sábado. “Este é um legítimo caso de prisões políticas e foram acionadas pela juíza de Campos Novos, Adriana Lisboa, sem sequer constar de processo contra os camponeses”, fala Leandro Scalabrin, advogado do MAB.

 

André Sartori, liderança do MAB na região, diz que hoje acontecerá um ato público em defesa dos presos. Atingidos e a população de toda a região estarão em Campos Novos para o ato de protesto. Uma campanha nacional e internacional está sendo implantada para a libertação dos presos, pressionar a justiça e denunciar casos de violação dos direitos humanos como este que aconteceu em Campos Novos. Cartas e notas estão chegando de várias entidades e países em solidariedade aos presos, suas famílias e à luta do Movimento.

 

Audiências com o Governo

Nesta semana o MAB foi recebido pelo Ministério da Justiça. Na audiência com Pedro Abramovay, assessor especial do ministério, estiveram presentes Dom Orlando Dotti, bispo emérito da diocese de Vacaria/RS, o Relator Nacional do Programa de Voluntários das Nações Unidas, Jean Pierre Leroy, e representantes da direção nacional do MAB. Na situação foram denunciadas as situações de conflito em Minas Gerais, Campos Novos/SC, na última semana e a presença do exército em Tucuruí para vistoriar ações do MAB, conforme veiculado pelo jornal O Globo, de 23 de fevereiro.

 

Jean Pierre ressaltou que é necessária e urgente que o governo tenha uma outra concepção de segurança pública e que o Ministro Márcio Thomás Bastos tome imediato conhecimento da situação. Abramovay considerou que as denúncias são realmente graves e que encaminhará a solução destes casos para os órgãos competentes do ministério e para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

 

Preocupados com as situações de conflito, MAB e governo agendaram reuniões buscando agilizar negociações, sendo que as mesmas culminarão em uma audiência entre o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o Movimento dos Atingidos por Barragens. A data será confirmada nas reuniões da próxima semana.

 

        A seguir encaminhamos documentos que elaboramos,  denunciando a situação de repressão que os atingidos por Barragens estão vivendo.

         Tendo em vista a situação,  pedimos vosso apoio,  enviando cartas solicitando a liberação imediata dos cinco presos, sob a justificativa da injustiça que está sendo cometida:

 

         â Secretaria de Segurança do Estado de SC, a/c. do Sr. Ronaldo Benedetti- Secretário,  fax:  48 251 1120; 

â      Fórum de Campos Novos /SC a/c. da Juíza Presidente Drª Adriana Lisboa pelo fax 49 551 0407;

         â  Corregedoria Geral da República de SC a/c. Drº Ricardo Feijó  fax: 48 251 1003; 

 

Contando com a solidariedade e ajuda de todos, desde já agradecemos.

 

Grande abraço

 

Direção do MAB.

 

 

        Modelo de Carta:

 

Agricultores Atingidos por Barragem de Campos Novos são presos  a mando  do Consórcio construtor Enercam

 

Cinco agricultores atingidos pela Barragem de Campos Novos _ SC, foram presos nas suas casas na madrugada deste dia 12 de março de 2005 e conduzidos ao Presídio da Cidade. Comenta-se na região que há uma lista maior de prisões a serem efetuadas  envolvendo outros agricultores, lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB. Estão presos os agricultores Aurelio Dutra, Carlos Da Silva, Dorneles Chinato, Edio Grasse e Leodato Vicente.

 Para o advogado Leandro Scalabrim, “o absurdo do caso é que sequer existe um processo contra os atingidos.  É o primeiro caso de prisão preventiva por descumprimento de interdito proibitório que se tem notícia desde os tempos da ditadura militar. O que nos foi relatado pelas famílias é estarrecedor: a policia militar com espingardas em punho, invadiram nossas casas e na presença de crianças, ameaçavam prender as mulheres das lideranças, caso eles não se entregassem”.

As prisões ocorrem justamente nas vésperas da semana do 14 de março onde os atingidos de todo o Brasil e de outros países, comemoram o Dia Internacional de luta contra as Barragens, pelos Rios e pela Água. Em 2004, 23 países realizaram protestos neste dia.

           A direção do Movimento dos Atingidos por Barragens reagiu a prisão como sendo uma ação que busca   intimidar e impedir as denúncias que o povo tem feito contra a prática das empresas construtoras, na maioria multinacionais,  que negam os direitos dos atingidos, principalmente o direito a permanecer trabalhando e tirando seu sustento da terra; praticam fraudes nos relatórios ambientais e cobram preços absurdos nas taxas de energia elétrica. Para Gilberto Cervinski, dirigente do MAB, estas prisões somam-se  a presença do exército na Barragem de Tucuruí, onde o Esquadrão de Cavalaria de Tucuruí e o Pelotão de Infantaria de Marabá ocuparam a barragem. O comandante da operação é o general Jairo César Nass que declarou ao jornal O Globo do dia 23 de fevereiro de que “a razão da ocupação é que o serviço de inteligência militar detectou que integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) planejavam invadir a usina e cortar a transmissão de energia”.  Em Minas Gerais, no início da noite do dia 08 de março uma ação da Polícia Militar de Minas Gerais agrediu violentamente a população que buscava participar de uma audiência pública. Está ação policial deixou 20 atingidos por barragens feridos, entre elas seis mulheres, duas delas estavam grávidas. Jovens e idosos também foram agredidos. Foram levados para a delegacia o Padre Antonio Claret, Joaquim Bernardo, Marta Caetana, Juliana Teixeira e José Vicente. As lideranças ficaram presas até a madrugada e os feridos encaminhados ao hospital. A polícia não permitiu que os feridos fizessem o laudo ou dessem queixa na delegacia do município. Outros casos de violência demonstram que não basta ás grandes empresas tirar a terra dos atingidos, elas usam de todos os mecanismos para calar os que denunciam injustiças. “Não temos dúvida que estas ações são articuladas pelas empresas com apoio de setores da justiça que procuram proteger a exploração dos grandes grupos econômicos contra as populações atingidas,  visando o controle da terra, da água e da energia em nosso País” declarou Cervinski.

Em Campos Novos-SC, Tucuruí-PA , Minas Gerais e em outros 12 estados brasileiros o MAB conseguiu organizar as pessoas que estão sendo prejudicadas com esta obra e  tem obrigado as empresas a negociar com aqueles que ela negava qualquer direito. Como grande parte da população atingida está ligada a agricultura, a maior reivindicação do MAB é garantir que estas famílias permaneçam na terra produzindo alimentos para seu sustento e para o Brasil. Isto desmascarou a política imposta pelas empresas e a sua reação deve se intensificar ainda mais para tentar garantir que elas possam explorar o povo e as riquezas nacionais sem serem questionadas.

 

A situação sem dúvida é grave. A prisão foi decretada pela juíza de Campos Novos, Adriana Lisboa, a pedido do Ministério Público, visando impedir as mobilizações de 14 de março.

Solicitamos a todos  neste momento o apoio em enviar para o máximo de pessoas, lideranças este comunicado, nas próximas horas faremos contatos passando alguns endereços  para enviar cartas para o Secretário de Segurança de Santa Catarina bem com para a Juíza de Campos Novos, exigindo a imediata libertação de mais estes 05 presos políticos da atual ¨democracia ¨.

 

Águas para vida

Não para a morte.

 

Lutar sempre, desistir jamais.

 

Fones para contato / mais informações:  MAB Sul – 54 522 1857  -  MAB Nacional – 61 242 8535      ou através dos correios eletrônicos :  projetos@mabnacional.org.br /  sul@mabnacional.org.br / mab@mabnacional.org.br 

 

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