De: Vanessa
[mailto:vancaldeira@terra.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 21 de março de 2005 16:59
Para: anaind; Cedefes Grupo
Assunto: [anaind] Usinas de álcool e cana têm condições de trabalho degradantes
(Adital)
21.03.05
- BRASIL |
Trabalho
/ Povos Indígenas |
Usinas de
álcool e cana têm condições de trabalho degradantes
Adital - Comissão
formada por representantes do Ministério Público do Trabalho, lideranças indígenas,
usineiros e Comissão Permanente de Investigação das Condições de Trabalho em Mato
Grosso do Sul se reuniu sexta-feira na Procuradoria Regional do Trabalho, em Campo Grande,
para discutir as reivindicações dos índios que trabalham nas usinas de álcool e
açúcar em Mato Grosso do Sul.
Uma das poucas alternativas
de atividade remunerada para os Guarani-Kaiowá, o trabalho em
usinas de açúcar e álcool é, em algumas das usinas, considerado trabalho degradante,
pelas condições pouco saudáveis em que os indígenas exercem as atividades e pelas
condições de alimentação e alojamento a que são submetidos durante o período de
trabalho, quando dormem nas fazendas de cana.
Dez usinas de álcool e cana
contratam de 5000 a 7000 indígenas por ano no Mato Grosso do Sul, segundo o Ministério
Público do Trabalho.
As denúncias de trabalho
degradante acontecem principalmente na região sul do estado, em cidades como Dourados e
Amambaí, de acordo com o CDDH (Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos
Marçal de Souza Tupã-i), de Campo Grande, que divulgou em 2004 um relatório sobre uma
visita a uma usina em Dourados.
Os municípios ficam
justamente nas regiões têm apresentado mais mortes de crianças por desnutrição no MS,
e onde a questão da falta de terras para plantação é grave, obrigando os indígenas a
buscarem alternativas de sobrevivência fora das aldeias.
Sobre as condições de
trabalho na Usina Copernavi, em Dourados, o CDDH aponta a
existência de um grupo de indígenas trabalhando com muito vigor, porém não fazia
uso dos equipamentos de segurança adequados ao tipo de trabalho que realizavam no
momento. Nenhum deles usava óculos de proteção, muito menos
luvas. Portavam apenas uma braçadeira, uma caneleira e usavam botinas muito velhas.
A alimentação e os equipamentos utilizados para o corte da cana são descontados dos
salários que, segundo indígenas de Dourados e de Caarapó,
são de cerca de 150 reais pelos 70 dias de trabalho.
A comissão questiona, no
relatório, as condições em que os indígenas ficam alojados durante este período.
O relatório cita ainda que
os indígenas recebem pouca comida, que o atendimento médico é feito
em grupos ou por telefone e que os trabalhadores que adoecem têm descontos na
diária de trabalho. Encontramos um trabalhador que havia machucado o braço e mesmo
tendo recebido atendimento médico apresentava um problema para articular o braço,
diz o relatório, que continua: Naquele dia o trabalhador havia sido demitido, a
empresa empregadora não considerou a ocorrência como acidente de trabalho.
Outra característica que faz
com que, em algumas das usinas, os indígenas estejam submetidos a condições degradantes
de trabalho é a presença dos gatos, que fazem a intermediação entre o
contratado e os administradores das usinas para a contratação dos indígenas.
Há jovens indígenas de 16,
de 17 anos, trabalhando em usinas. É uma situação insalubre e que não fornece
nenhuma segurança, afirma Marcelo Brito, membro do CDDH.
Desde 1999, há um pacto que
regula as contratações de indígenas pelos usineiros e as condições de trabalho e de
pagamento. Segundo o Ministério Público do Trabalho, persistem os problemas na
alimentação, na segurança, no alojamento e na forma de pagamento dos indígenas, que
recebem o adiantamento em vales.
Fonte:
Adital; http://www.adital.com.br/site/noticias/15775.asp?lang=PT&cod=15775
Este grupo é a via de interlocução dos associados, parceiros e amigos da ANAI
(Associação Nacional de Ação Indigenista)e visa promover a divulgação de
informações e discussões sobre povos e terras indígenas e
de Quilombos no Nordeste e Leste do Brasil e sobre política indigenista no Brasil e no
mundo.