De: Ricardo Verdum [mailto:verdum@inesc.org.br]
Enviada em: quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005 14:51
Para: 'secretaria@coiab.com.br'; 'apoinme@wwrent.com.br'; 'genivalmayoruna@ig.com.br'; 'anaind@yahoogrupos.com.br'
Cc: 'nepe@yahoogrupos.com.br'
Assunto: [anaind] Biodiversidade - povos indígenas no centro do debate
Prioridade: Alta

Aos interessados.
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Ricardo Verdum



Biodiversidade prioriza reunião mundial no Brasil
Fonte: www.gta.org.br

(GTA) - A Comissão Nacional de Biodiversidade, que assessora a política brasileira para esse tema, elegeu em 22 de fevereiro a próxima reunião mundial da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) o seu objetivo principal de trabalho para este ano. A reunião, chamada no jargão das Nações Unidas de conferência das partes (COP 8), vai acontecer em fevereiro de 2006 - provavelmente na cidade de Curitiba. Mas esse objetivo exige muito trabalho da comissão e também muita mobilização da sociedade civil. Estão em jogo questões como um regime internacional de repartição de benefícios gerados pela biodiversidade e conhecimentos tradicionais, o futuro das áreas protegidas, a destruição de espécies e de ecossistemas inteiros, os direitos comunitários e nacionais e também a superação de conflitos entre políticas públicas que protegem ou destróem a biodiversidade.

A Convenção da Diversidade Biológica, ao lado da Convenção do Clima e da Agenda 21, é um dos mais importantes acordos resultantes da Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro. O Brasil organiza ao lado de Índia, Colômbia, Indonésia, Costa Rica, China e outros países o "Grupo dos Megadiversos", que são aqueles onde está a maioria das espécies animais e vegetais do mundo, buscando resguardar direitos diante dos países desenvolvidos que concentram as indústrias de biotecnologia.

As populações tradicionais e indígenas, assim como a sociedade em geral, ganham destaque com os preparativos para o encontro mundial no Brasil porque a CDB está destacando como temas principais o ABS, que é a proposta de um regime mundial de repartição de benefícios sobre recursos genéticos e conhecimentos tradicionais, e o Artigo 8j, que trata da importância dos saberes locais, de suas inovações e práticas na conservação ambiental.

A secretaria mundial da CDB (SBSTTA) está preparando para o evento a "Avaliação dos Ecossistemas do Milênio", bastante alarmante, assim como o "Segundo Relatório Global sobre Biodiversidade". Em outro campo, nas Metas para 2010, os indicadores envolvem tanto questões de diversidade genética, espécies invasoras ou pegada (custo) ecológica dos grupos humanos como a saúde e bem estar de comunidaes tradicionais e indígenas que dependem diretamente de bens e serviços ambientais. A aproximação com o tema das mudanças climáticas também está em campo. No dia 12 de março, a CDB e a FAO (Organização Mundial de Alimentação e Agricultura) acertam acordo para o trabalho sobrre diversidade biológica para alimentos e nutrição - passando da quantidade para a qualidade no debate sobre a fome.

Na CONABIO, houve o relato sobre o recente encontro do grupo prepatório da CDB sobre o regime internacional de acesso e repartição de benefícios (ABS) que indica um acordo vinculante entre todos os países sobre o tema, passando não apenas pela biopirataria mas também pelo uso de nomes, termos e definições (Nota GTA: aqui entram casos como o registro do nome do Cupuaçu) e a viabilidade de um certificado internacional de origem dos recursos, inclusive condicionando outros acordos de propriedade intelectual (Trips, Ompi, Upov, etc.). Uma lei brasileira definitiva sobre o assunto pode também chegar ainda neste ano ao Congresso Nacional. Mas são assuntos diferentes, embora relacionados, que enfrentam forte resistência por parte de paises industrializados e de grandes multinacionais.

Formada por representantes do governo, de pesquisa e da sociedade civil, a CONABIO conta neste último caso tanto com participantes do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais como da Confederação Nacional da Indústria e da Confederação Nacional da Agricultura. Suas reuniões deste ano serão bimensais a partir de abril, com um evento extraordinário na segunda quinzena de março para discutir especificamente a COP 8 (CDB) e os passos até esse evento. No mesmo mês, em Brasília, um evento paralelo deve reunir representantes de vários países para um seminário sobre Saúde e Ecossistemas.

Além do processo de preparação do evento, a comissão também elegeu como prioridades os resultados de reuniões internacionais sobre Áreas Protegidas (junho na Itália e novembro no Canadá) e sobre a revisão de mecanismos da própria CDB (em setembro, no Canadá). Em setembro deve haver ainda uma reunião técnica sobre uso sustentável da biodiversidade.

Um dos temas polêmicos no nível internacional e que deve merecer esforços também neste ano do Conabio é a busca de verificação dos chamados "incentivos perversos" - ou seja, as políticas que agem estimulando a destruição da biodiversidade. Técnicos do governo propuseram fazer esse levantamento no Brasil, buscando não apenas conflitos entre políticas públicas mas também suas convergências positivas. Também deve ser reforçado o papel de referência das 900 áreas prioritárias de conservação da biodiversidade no Brasil, podendo ser acrescidas das demandas sociais emergenciais expostas na reunião pelo programa ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia).

No primeiro semestre devem sair os primeiros resultados das câmaras técnicas de biomas (Cerrado, Caatinga, Espécies Ameaçadas), que na reunião teve muitas intervenções em favor de uma nova câmara para a Amazônia. A indicação foi de analisar a validade da metodologia depois dos primeiros resultados antes de abrir novos temas.

Fórum Nacional de Áreas Protegidas

Gestão Participativa, Monitoramento da Biodiversidade e Sustentabilidade Econômica são os três temas aprovados pela coordenação do recém-criado Fórum Nacional de Áreas Protegidas, do Ministério do Meio Ambiente. A participação é aberta a todos os interessados em duas maneiras - nos grupos de trabalho eletrônicos (inscrição em www.mma.gov.br/forum) ou formando grupos comunitários com articuladores locais (contatos com 061 317 1199).

Os resultados dos debates serão sistematizados por coordenadores técnicos (um governamental e um indicado pelas entidades sociais) e uma comissão técnica. O fórum tem caráter consultivo e remete suas contribuições para os órgãos deliberativos como o próprio CONABIO ou o Conselho Nacional do Meio Ambiente, o CONAMA. As sugestões e debates viram um documento base que volta para os grupos virtuais e locais antes de ser encaminhado.

De acordo com Iara Vasco, do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, essa discussão pública é um compromisso do Plano de Trabalho de Áreas Protegidas da CDB e também da Agenda Nacional de Meio Ambiente, negociada para os recursos do Projeto de Ajuste Estrutural, do Banco Mundial. Também deverá ser feito um trabalho com o Ministério do Planejamento para verificação das implicações transversais das propostas em todo o governo.

Além de unidades no sentido estrito do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), o fórum trabalha com o conceito de áreas protegidas para as áreas de preservação permanente das cidades e das zonas rurais e para as áreas de manejo comunitário ou tradicional de recursos naturais, buscando envolver segmentos historicamente excluídos do conceito de áreas protegidas como as populações quilombolas, indígenas e outros grupos tradicionais.



Veja o sítio do Programa Nacional de Biodiversidade:

www.mma.gov.br/port/sbf/index.cfm (clique em Conservação da Biodiversidade)

Veja o sítio do Fórum Nacional de Áreas Protegidas:

www.mma.gov.br/forum

Veja o sítio da CDB:

www.biodiv.org/default.shtml

Veja o sítio do projeto Saúde e Ecossistemas

www.milleniumassessment.org



Este grupo é a via de interlocução dos associados, parceiros e amigos da ANAI (Associação Nacional de Ação Indigenista)e visa promover a divulgação de informações e discussões sobre povos e terras indígenas e
de Quilombos no Nordeste e Leste do Brasil e sobre política indigenista no Brasil e no mundo.