-----Mensagem original-----

De: Severino Goes [mailto:goes@oitbrasil.org.br]

Enviada em: segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005 08:27

Para: arosa@ethos.org.br

Assunto: REPORTAGEM SOBRE TRABALHO ESCRAVO GANHA PRÊMIO - FOLHA DE S.PAULO -20/02/2005

Folha premia reportagem de trabalho escravo

 

A reportagem sobre o trabalho escravo em grandes empreendimentos agrícolas voltados para a exportação e em modernas fazendas de criação de gado, de autoria da repórter Elvira Lobato, foi a vencedora do Grande Prêmio Folha de Jornalismo de 2004.

Publicada em 18 de julho de 2004, sob o título "Agronegócios e pecuária de ponta usam trabalho escravo", a reportagem baseou-se em levantamento da Folha com base em 237 relatórios de fiscalizações do Ministério do Trabalho realizadas em 2000 e 2003. A repórter visitou os municípios de Marabá, Xinguara, Curionópolis e Redenção, no sul do Pará, considerada uma área endêmica de trabalho escravo.

Elvira Lobato entrevistou empreiteiros de mão-de-obra rural, trabalhadores nômades resgatados pelos fiscais do governo, dirigentes sindicais, lideranças religiosas e prefeitos. Ouviu empresários e fazendeiros acusados de explorar o trabalho escravo.

O Prêmio Folha foi criado em 1993 e é entregue anualmente como reconhecimento aos melhores trabalhos produzidos por profissionais da Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha e o "Agora". Há premiações bimestrais e uma seleção final, quando são anunciados, além do Grande Prêmio, os vencedores de seis categorias. No ano passado, concorreram 343 trabalhos.

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Saga de piauiense reflete problema vivido em fazendas

 

"Não tenho mais nada, além desses braços para trabalhar", disse o piauiense Trajano Leal Alves, 44, à repórter Elvira Lobato. "Tatu", como é conhecido, foi resgatado três vezes pelo Ministério do Trabalho, nos últimos 20 anos, vítima de exploração de mão-de-obra escrava no meio rural. Ele foi localizado em Redenção, no sul do Pará, e narrou sua saga de nômade à procura de emprego.

"Sua história é uma versão ampliada dos problemas vividos por migrantes analfabetos que, como ele, saem do Maranhão e do Piauí (principais fornecedores da mão-de-obra análoga à escrava) em busca de ocupação em outros Estados e acabam caindo num círculo vicioso do qual não conseguem se libertar", relata a repórter, no trabalho premiado.

"Tatu" tem seis filhos, que vivem espalhados por Tocantins e Maranhão. Deixou sua terra natal, Uruçui, ainda criança. Começou a trabalhar na lavoura aos 11 anos, em Goiás, na companhia do pai. Aos 18 anos, virou "peão-de-trecho", trabalhador nômade que faz serviços temporários em fazendas, sem carteira assinada nem endereço fixo.

Edmilson Dantas de Santana, 45, citado pelo Ministério do Trabalho como maior "gato" (empreiteiro de mão-de-obra rural) do sul do Pará, é outro personagem da reportagem vencedora do Grande Prêmio Folha de Jornalismo de 2004.

Apanhado pela fiscalização duas vezes, em 2003, por manter trabalhadores em situação análoga à de escravos, Dantas disse à repórter que seu tempo de agenciador está acabando. "Ficou muito arriscoso", afirmou, referindo-se ao aumento da fiscalização.

 

 

Severino Goes

Assessor de Imprensa

Projeto Combate ao Trabalho Escravo

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