De: Severino Goes [mailto:goes@oitbrasil.org.br]
Enviada em: terça-feira, 22 de fevereiro de 2005 10:35
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Assunto: OAB ALERTA PRESIDENTE LULA PARA AMEAÇAS A FREI HENRI - SITE DA OAB
OAB alerta Lula: Frei Henri está ameaçado de morte
Brasília- O conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil e ex-presidente da OAB do Pará, Sérgio Alberto Frazão do Couto, alertou hoje (22) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o próximo ativista dos direitos humanos "marcado para morrer" no Pará é o frei francês Henri Burin dez Roziers, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O alerta foi feito durante sessão plenária do Conselho Federal da entidade, conduzida pelo presidente nacional da OAB, Roberto Busato.
Sérgio Couto teme pela vida do missionário, que é defensor voraz dos direitos humanos na região de Xinguara e é advogado das causas da CPT, sendo a principal delas a questão do trabalho escravo. O conselheiro pediu na sessão da OAB que o governo federal leve proteção ao frei Henri dez Roziers. "O frei desempenha um trabalho intenso e vivem chegando até nós denúncias de que vão matá-lo", afirmou Sérgio Couto. "E eu sei que vão, é só uma questão de tempo".
O conselheiro federal defendeu que a posição da OAB face à violência recorrente no Pará deve ser a de repudiar os atos de barbárie dos conflitos fundiários e cobrar do governo que "vista a carapuça e assuma a responsabilidade sobre aquilo que verdadeiramente é culpado". Na reunião plenária do Conselho, Sérgio Couto traçou um histórico dos conflitos no Pará e afirmou que assassinatos como o da irmã Dorothy Stang ocorrem todos os dias com pessoas paupérrimas e desconhecidas.
Ele citou como exemplo o assassinato do líder sindical Chico Mendes (em dezembro de 1988), a chacina em Eldorado de Carajás, as mortes de menores em Altamira e garantiu que as mortes vão continuar a acontecer. "No sul do Pará, os freis e as irmãs estão ameaçados, a Serra Pelada é um barril de pólvora e vemos se repetir a irresponsabilidade de governos que se sucedem, sem nada fazer para resolver as causas dos conflitos no Pará", afirmou Sérgio Couto, classificando os conflitos no Estado como um "faroeste"
Para Sérgio Couto, a federalização dos crimes ocorridos no Pará não será saída se não forem dadas reais condições de funcionamento da Justiça Federal no Estado. "O que temos de fazer é implantar a Justiça Federal, criar condições para que haja policiais sempre por perto. E Sérgio Couto alertou: "ninguém venha reclamar mais tarde se internacionalizarem a Amazônia. O governo brasileiro vai deixar que isso aconteça porque não cuida daquela região, não se faz presente", afirmou o conselheiro federal da OAB pelo Estado. "O Pará é o Estado mais rico potencialmente, mas é o mais pobre realmente".
Severino Goes
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