De: Jorge Marcio
[mailto:jorgemarcio@mpc.com.br]
Enviada em: sábado, 19 de fevereiro de 2005 15:40
Para: defnet@montreal.com.br
Assunto: Info Ativo DEFNET - Materiais em BRAILLE e aúdio para Deficientes Visuais
Info ATIVO DEFNET - Ano 09 - Ed.n° 2223 - fevereiro de 2005 - edição extra
Informativo do Centro de Informática e Informações sobre Paralisias Cerebrais - www.defnet.org.br
Editor responsável: Dr. Jorge Márcio Pereira de Andrade - jorgemarcio@mpc.com.br
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fonte REPÓRTER SETOR 3:
Instituto Vivo produz materiais em Braille e áudio para deficientes visuais
Desde o começo de 2005, cerca de 19 instituições que
atendem deficientes visuais podem contar com um centro de produção de materiais em
Braille criado pelo Instituto Vivo. Já na inauguração do
chamado "Espaço Vivo Voluntário" (que faz parte do programa Vivo Voluntário)
foi lançada a obra "O Fantástico Redutor de moléculas", do médico Ronaldo
Gomes de Almeida e do publicitário Humberto de Faria Junqueira. Este primeiro livro foi
entregue à Laramara - Associação Brasileira de Assistência do
Deficiente Visual, uma das instituições cadastradas no programa: "este
livro foi patrocinado pelo Instituto Vivo e o conteúdo que trata de saúde e prevenção
de doenças estava alinhado com a idéia do projeto Espaço Vivo Voluntário, por isso foi
o escolhido para inaugurar a impressora", explica o coordenador executivo do Programa
VIVO Voluntário, Eduardo Valente, lembrando ainda que a Instituição pretende enviar
cópias do livro em Braille para os 19 estados mais o Distrito Federal onde a empresa
atua.
Mas o objetivo real do Espaço Vivo Voluntário, segundo o
coordenador geral do Programa VIVO Voluntário e Diretor de Saúde e Qualidade de Vida,
Dr. Michel Daud, é atender os pedidos específicos das Instituições que atendem
deficientes visuais: "Não vamos imprimir 'Camões' se não é isso que eles vão
ler. Precisamos atender às reais necessidades das instituições cadastradas no
projeto", completa Valente lembrando que as instituições que não fazem parte do
projeto podem entrar em contato com uma Vivo regional: "mas é importante que a
instituição esteja com seus objetivos alinhados ao do programa", alerta o
coordenador.
O próximo passo do projeto, segundo Valente, será a criação
de 20 mini audiotecas que serão doadas às instituições parceiras: "serão kits
com 200 CDs com historinhas infantis que arrecadamos na inauguração do Espaço que
coincidiu com o mês do Dia das Crianças. Só em São Paulo, arrecadamos mais de 4 mil
CDs", empolga-se Valente lembrando que cada kit Audioteca Vivo, como será chamado,
terá um CD de introdução que contará com gravações feitas pelos próprios
voluntários. No momento, o espaço Vivo já está atendendo à demanda das
Instituições, como por exemplo, a produção de apostilas para concurso público.
O espaço Vivo Voluntário, que contou com o investimento de R$90
mil do Instituto Vivo e apoio técnico do Instituto Laramara, tem disponíveis duas
impressoras importadas com capacidade para produzir 10 mil páginas de texto em Braille
por mês, além de dois computadores com os softwares Open Book (ampliador de textos para
pessoas com deficiência parcial) e Jaws (leitor de textos para pessoas com deficiência
total).
O trabalho é realizado pela estagiária Jucilene Braga, que é
deficiente visual: "a contratação da Ju foi interessante porque
precisávamos de alguém que operasse a impressora Braille e não necessariamente fosse
deficiente, mas ela se destacou. Eu aprendo muito mais com ela do que o contrário",
lembra Valente. "Hoje sou estagiária, mas ainda quero crescer muito na
empresa", anima-se Jucilene Braga que tem muitas idéias de projetos e sugestões
para a empresa de telefonia móvel: "seria ótimo se recebêssemos as contas em
Braille ou ainda que tivéssemos acesso a celulares com menus em áudio", sonha.
"É importante lembrar que esses recursos de áudio para menu já existem na Europa,
mas depende muito mais dos fabricantes de aparelhos que das operadoras", esclarece
Valente destacando que a empresa está aberta a parcerias para projetos nesse
sentido.
Funcionários e voluntários!
A assessora de imprensa do Instituto Vivo, Roberta da
Purificação, lembra que um dos objetivos do projeto é realmente estimular também
outras áreas da empresa, para que todos alinhem seus projetos às ações de
responsabilidade social do Instituto: "a idéia é contaminar a todos. O papel do
Instituto Vivo é disseminar a prática e conceito de responsabilidade social em todas as
áreas da empresa".
O Espaço Vivo Voluntário, que nasceu oficialmente em outubro de
2004, conta hoje com cerca de 50 líderes voluntários e quase 600 voluntários entre
funcionários e familiares dos funcionários: "fizemos uma espécie de workshop com
os líderes voluntários em abril de 2004, onde definimos, depois de uma longa conversa e
uma consultoria, que o foco do nosso trabalho seria o deficiente visual", explica
Daud. O segundo encontro, deve acontecer nos próximos dias 18, 19 e 20 de fevereiro:
"No sábado (19) vamos passar pelo menos 4 horas no estúdio gravando o CD de
abertura da Audioteca Vivo", conta Valente.
No lançamento, como lembra Eduardo Valente, foram feitas ações
paralelas nas regionais da Vivo em que distribuíram folders explicativos já com
o termo de adesão para ser um voluntário, além de manterem informações na
intranet da empresa: "há realmente um interesse das pessoas", explica Valente.
"A idéia é fazermos uma grande família Vivo Voluntário, em que a ação do
voluntariado seja um complemento do dia-a-dia desses funcionários", completa
Dr.Michel lembrando que os líderes voluntários são capacitados e têm função de
multiplicadores.
O Espaço Vivo Voluntário fica na Av. Brigadeiro Luis Antonio,
número 1373. Mais informações pelo telefone (11) 3145 6096.
Opções de acervo em Braille e áudio
Outra instituição que tem trabalhado produção de material em
Braille e livros falados, além de oferecer atendimento especializado ao deficiente, é a Fundação Dorina Nowill para Cegos, antiga Fundação
Para o Livro do Cego no Brasil, que completa 59 anos no próximo dia 11 de março. Só em
2003, a Fundação produziu 14 milhões de páginas em Braille, totalizando 106.350
exemplares, além de 10,5 mil livros falados: "Esses dois programas deram a
oportunidade a 40 mil deficientes visuais de terem acesso aos livros por meio de 670
organizações como associações, bibliotecas, escolas, universidades, prefeitura e
secretarias", explica a assessoria de imprensa da Fundação que participa ainda de
um projeto do MEC, desde 2002, para a produção de livros didáticos em Braille para a
Rede Pública.
Hoje, a biblioteca da fundação conta com uma audioteca em que
os cadastrados, a partir de pagamento de uma taxa, recebem os CDs em casa com um prazo de
devolução de 3 meses: "o livro mais pedido ultimamente tem sido s edições do
Harry Portter, além dos clássicos como Jorge Amado", destaca a consultora em
Braille da Fundação, Regina Fátima. O acervo em Braille da biblioteca da fundação,
segundo lembra a consultora, foi toda doada ao Centro Cultural Vergueiro e mantido pela
prefeitura da cidade de São Paulo.
A Biblioteca Braille do Centro
Cultural Vergueiro conta hoje com mais de 5.600 títulos de livros em braille e
quase 700 títulos de fitas de áudio, totalizando 23.550 volumes, entre obras didáticas,
infanto-juvenis, ficção e periódicos que podem ser consultados no local ou emprestados.
A biblioteca conta ainda com equipamento de informática para impressão em Braille e com
o serviço de voluntários para digitação e transcrição de obras.
Outra biblioteca de São Paulo que oferece impressora em Braille
aos seus usuários fica no Centro Universitário Senac Campus Santo Amaro.
Além de títulos clássicos de literatura brasileira, gramática e dicionários, a
biblioteca, inaugurada em 2004, conta com sistemas de leitura e impressão especiais para
deficientes visuais. Para aqueles com uma pequena porcentagem de visão, há uma lupa
eletrônica, que em contato com os textos em papel, projeta as letras em tamanhos grandes
em uma TV. Os deficientes com ausência total de visão terão disponível um outro
sistema, também composto por uma lupa eletrônica que, em contato com o texto, pode ser
lido por meio de um recurso de voz. "A biblioteca oferece um elevador e os espaços
entre móveis e estandes foram projetados para dar total liberdade de acesso e
movimentação aos deficientes físico e visual", destaca a assessoria de imprensa do
Senac.
Livros para ouvir...
O mercado de livros falados, ou audiobooks, já é bastante comum
nos EUA - alguns livros, como a autobiografia do ex-presidente americano Bill Clinton e o
best-seller Harry Potter, foram inclusive indicados ao Grammy, o Oscar da Música do
país. No Brasil, no entanto, a produção e a venda desses produtos ainda é escassa,
embora seja possível comprar exemplares até em livrarias virtuais como Submarino, Fnac e Livraria
Cultura.
Outra opção oferecida pela livraria virtual especializada Audiolivro.com são os downloads de arquivos de livros falados. Os
preços variam entre R$20,00 e R$70,00 e contam com autores desconhecidos até o mais
recente best-seller "O Código da Vinci", de Dan Brown.
Já a Itália Nova Editora vende em seu site softwares para conversão de
textos em áudio que auxiliam o deficiente visual.