De: Vanderley Caixe
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Enviada em: quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005 02:24
Para: enlace_brasil@gruposyahoo.com
Assunto: [Enlace_Brasil] nota e convocação para o ato contra o agro-banditismo
Segue nota das entidades do Forum Nacional pela Reforma Agrária e
Justiça no Campo sobre o assassinato de Irmã Dorothy.
Agro-banditismo faz mais uma vítima
Claramente expresso em documentos como a Carta da Terra, as organizações
que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e pela Justiça no Campo defendem
a realização de uma ampla e massiva reforma agrária e a ampliação e o fortalecimento
da agricultura familiar. Assumem essa luta e compromisso porque entendem que estas
políticas garantem o direito ao trabalho para a população rural, historicamente
excluída, através de uma mudança no atual modelo de desenvolvimento agropecuário,
excludente, predatório e concentrador de terra, renda e poder.
As entidades do Fórum reafirmaram, também na Carta da Terra elaborada em
Esse assassinato explicita a violência com que representantes e
beneficiários da exploração predatória da Amazônia reagem ante a existência de
projetos como o Projeto de Desenvolvimento Sustentável, que propõe a inclusão social
cidadã com sustentabilidade ambiental. O assassinato de Irmã Dorothy encontra-se no
mesmo raio de ação das forças responsáveis pela grilagem das terras públicas, pela
destruição ambiental, especialmente através da retirada ilegal de madeira, e pela
reiterada violência contra camponeses, indígenas, defensores de direitos humanos e todos
os que se opõe à ocupação predatória da Amazônia.
Protegidos sob o discurso de setor produtivo e responsável
pelo equilíbrio da balança comercial, estas forças não somente bloqueiam estradas para
chantagear o Governo Federal, mas são verdadeiros agrobandidos que corporeificam as
injustiças e violência do modelo de desenvolvimento que se alimenta da
prática do trabalho escravo, da exploração ilegal e predatória dos recursos
ambientais, e da grilagem de terras públicas, se articulando nacionalmente através da
União Democrática Ruralista, da Confederação Nacional da Agricultura , CNA e da
bancada ruralista no Congresso.
A ausência de ações de Estado é patente no
Pará. Em que pesem os anúncios de medidas do Governo Federal, suas ações locais no
Pará têm sempre sido tópicas, retóricas e sem a firmeza próprias de uma ação de
Estado, cedendo a reações de grupos de interesses, que agem de forma articulada, com omissão ou apoio
do Governo Estadual do Pará. Do massacre de Eldorado dos Carajás ao assassinato
de Irmã Dorothy, a política do Governo do Estado do Pará tem sido a defesa dos
interesses de grileiros, madeireiros e latifundiários.
Neste
cenário, não há espaços para vacilações e omissões do Governo Federal, que
resultarão em mais tragédias. A punição dos responsáveis por esse assassinato é uma
obrigação imperativa do Estado, mas as causas da violência e da desigualdade social só
serão enfrentadas efetivamente através de uma ação articulada, interministerial e
permanente que demonstre a opção do Governo Federal pela democratização da terra,
respeito ao meio ambiente, diálogo com as populações locais marginalizadas e efetiva
proteção aos defensores de direitos humanos.
Demandas das entidades do Fórum Nacional pela Reforma Agrária:
·
A punição dos
responsáveis diretos e indiretos pelo assassinato de Irmã Dorothy Stang, inclusive das
autoridades que se omitiram de tomar providências contra as ameaças que ela vinha
sofrendo.
·
Classificar,
segundo EMC 45, de 2004 (parágrafo 5 do art. 109 da CF), esse assassinato como uma grave
violação dos direitos humanos, transferindo todo os procedimentos investigatórios e
processuais para a competência da Justiça Federal;
·
Ação interministerial (Ministério do Desenvolvimento Agrário, Meio
Ambiente, Justiça, Integração Nacional,
Secretaria Especial de Direitos Humanos e Defesa) para atuar nas diversas faces do
problema agrário e ambiental no Estado do Pará, ampliando recursos e efetivo policial
para aumentar a fiscalização ambiental e de violação de direitos humanos;
·
Proceder a classificação dos imóveis (geo-referenciamento) da região,
garantindo a discriminação e arrecadação de terras griladas e de todas as terras
públicas, destinando-as ao programa federal de reforma agrária;
·
Retomada das terras públicas tomadas ilegalmente por grileiros, para sua
transformação em Projetos de Assentamento que beneficiem os agricultores de Anapú;
·
Ampliar os recursos e repassar imediatamente para os órgãos
responsáveis para o combate ao trabalho escravo no Pará e em todo o País;
·
Intervenção
federal no Estado do Pará, justificada pelas graves omissões do Governo Estado do Pará
frente às reiteradas violações de direitos humanos, ferindo o pacto federativo.
·
Adoção de
medidas urgentes para proteger todos os defensores e defensoras de direitos humanos com
risco de morte no Estado do Pará e a imediata efetivação da Coordenação para
Defensores de Direitos Humanos no Pará e a proteção a Luis Morais de Brito, do PDS
Esperança e outros ameaçados;
·
Rompimento
imediato do acordo do Governo Federal com os madeireiros da região, suspendendo todos os
Planos de Manejo Irregulares;
·
Colocar em pauta
e aprovar imediatamente a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 438, de 2001, que
altera o artigo 243 da CF e pune a prática do trabalho escravo.
Além da apuração rápida e punição dos mandantes e executores desse
crime bárbaro, as entidades do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo
reafirmam que a solução definitiva dos conflitos no Estado do Pará e em todo o
território nacional é a realização de uma reforma agrária ampla e massiva capaz de
democratizar a propriedade fundiária e criar os fundamentos para a construção de um
desenvolvimento sustentável e solidário para o nosso País.
Brasília/DF,
14 de fevereiro de 2004.
RELAÇÃO DAS ENTIDADES DO FÓRUM NACIONAL PELA REFORMA AGRÁRIA E JUSTIÇA
NO CAMPO
1.
ABRA Associação Brasileira de Reforma Agrária
2.
ABONG Associação Brasileira das ONGs
3.
APR Animação Pastoral Rural
4.
ASPTA Assessoria e Serviços em Projetos de Tecnologia Alternativa
5.
ANDES Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Superior
6.
COIABE Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira
7.
Cáritas Brasileira
8.
Centro de justiça Global
9.
CESE Coordenadoria Ecumênica de Serviço
10.
CIMI Conselho Indigenista Missionário
11.
CMP Central dos Movimentos Populares
12.
CNASI Confederação Nacional das Associações dos Servidores do
Incra
13.
CONDSEF Confederação Nacional dos Servidores Públicos Federais
14.
CONIC Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
15.
CONTAG Confederação dos Trabalhadores na Agricultura
16.
CPT - Comissão Pastoral da Terra
17.
CUT Central Única dos Trabalhadores
18.
DESER Departamento de Estudos Sindicais Rurais
19.
ESPLAR Escritório de Planejamento Rural
20.
FASE Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional
21.
FASER Federação das Associações e Sindicatos dos Trabalhadores da
Extensão Rural e do Setor Público Agrícola do Brasil
22.
FEAB Federação dos Estudantes de Engenharia Agronômica
23.
FETRAF Brasil Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
24.
FIAN-Brasil Rede de Informação e Ação pelo Direito a se Alimentar
25.
FISENGE Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
26.
IBASE Instituto de Estudos Sociais e Econômicos
27.
IBRADES Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social
28.
IDACO Instituto de Desenvolvimento e Ação comunitária
29.
IECLB Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
30.
IFAS Instituto de Formação e Assessoria Sindical
31.
INESC Instituto de Estudos Sócio-Econômicos
32.
MAB Movimento dos Atingidos pelas Barragens
33.
MLST Movimento de Libertação dos Sem-Terra
34.
MMC Movimento de Mulheres Camponesas
35.
MNDH Movimento Nacional de Direitos Humanos
36.
MPA Movimento de Pequenos Agricultores
37.
MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
38.
MTL Movimento Terra, Trabalho e Liberdade
39.
Pastorais Sociais da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
40.
PJR Pastoral da Juventude Rural
41.
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
42.
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
43.
RENAP Rede Nacional dos Advogados Populares
44.
SINPAF Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Instituição de
Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
45.
TERRA DE DIREITOS
CONVOCAÇÃO
Companheiros
e Companheiros / Profissionais da Imprensa
Com
certeza estamos todos indignados com o assassinato da irmã
Doroty,
no último dia 12/02 no Pará. Este assassinato soma-se a outros tantos no campo, seguidos
e motivados pela impunidade presente no país.
A irmã Doroty foi uma das idealizadoras do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável)
que transformou-se numa normativa do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária). O PDS prevê
uma proteção ambiental para as áreas de assentamento de Reforma Agrária, incentivando
práticas agroecológicas, concessão de uso coletiva da terra, preservação e
recuperação do meio ambiente, cooperação no trabalho produtivo, na educação e na
cultura.
Baseado nestas inspirações, será implantando no assentamento Sepé Tiarajú (município
de Serra Azul) o primeiro PDS do estado de São Paulo. E a tendência do acampamento
Mário Lago (Ribeirão Preto) é também tornar-se um PDS, principalmente devido a
existência do Aquífero Guarany na área. É a semente plantada por irmã Doroty
germinando na nossa região.
Portanto
é fundamental que protestemos por seu assassinato e lutemos pela punição dos culpados.
O MST está convidando todos para um ato
de protesto na próxima sexta-feira (face ao 7º dia), às 16h30' na sede da Fazenda da
Barra, acampamento Mário Lago (Ribeirão Preto),
próximo ao bairro Ribeirão Verde. Caso necessite de informações para chegar até o
local, ligue para 3975 2343 ou 9975 0921 (com Kelli). Sua participação é fundamental!!!
Saudações Fraternas. Direção
Regional do MST-Ribeirão Preto
Maiores
informações sobre o assassinato da irmã Doroty Stang e protestos pelo país, acessar htpp:/www.mst.org.br
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