-----Mensagem original-----
De: Severino Goes [mailto:goes@oitbrasil.org.br]
Enviada em: segunda-feira, 31 de janeiro de 2005 13:02
Para: arosa@ethos.org.br
Assunto: ETHOS DEFENDE EXPOSIÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DO TRABALHO ESCRAVO
Exposição da cadeia produtiva pode aumentar mobilização
Aloísio Milani
Enviado especial
Porto Alegre * Movimentos sociais e governo querem praticar na luta pela erradicação do trabalho escravo a mesma estratégia usada no auge das campanhas de combate ao trabalho infantil: expor a cadeia produtiva à sociedade brasileira. O objetivo seria mostrar de "ponta-a-ponta" as empresas que usam ou transmitem pela cadeia econômica o trabalho escravo.
"Agora, está na hora de entrar em outro terreno, que é a da cadeia produtiva. Ou seja, alertar as empresas que consomem produtos oriundos do trabalho escravo a não fazê-lo sob pena de ter uma divulgação do seu nome e seu prestígio vinculado ao trabalho escravo, uma forma hedionda de espoliação da pessoa humana", afirma o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, durante o 5º Fórum Social Mundial. O Instituo Ethos também apoiou a idéia durante o FSM 2005.
Atualmente, a "lista suja" com o nome de 166 empresários que utilizam trabalho escravo é o instrumento efetivo de "punição moral" e proibição de créditos em bancos públicos. A vinculação na cadeia produtiva seria o próximo passo nesse constrangimento aos escravocratas. O trabalho escravo está presente nas regiões da fronteira agrícola brasileira e tem ligação com o agronegócio.
Durante a oficina "É possível erradicar o trabalho escravo?", Nilmário Miranda sustentou que o governo federal vem cumprindo mais da metade das metas estabelecidas no Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. "Dois anos atrás, também no Fórum Social Mundial, o governo prometeu erradicar o trabalho escravo. E se nós não conseguirmos erradicá-lo em nosso governo, isso será uma derrota", disse.
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Nilmário defende marco legal para proibir crédito de escravocratas em bancos privados
Porto Alegre * Durante participação no Fórum Social Mundial, o ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, defendeu a aprovação de uma resolução no Conselho Monetário Nacional (CMN) para proibir o crédito a empresários e fazendeiros que forem flagrados com trabalho escravo. Atualmente, a "lista suja" do trabalho escravo só proíbe os empréstimos em bancos públicos.
"Precisamos aprovar uma resolução no CMN [responsável por regular o setor de crédito] para que nenhum banco privado possa emprestar dinheiro para empresas que possuem mão-de-obra escrava", disse.
Nilmário Miranda fez um balanço das ações de trabalho escravo no país e disse que considera a "lista suja" um instrumento decisivo dentro do plano nacional de erradicação do problema. "São 166 empresários ou empresas denunciadas. Essas pessoas não têm mais acesso a crédito do Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e não terão na nova Sudene e Sudam."
Severino Goes
Assessor de Imprensa
Projeto Combate ao Trabalho Escravo
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