-----Mensagem original-----
De: Agende Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento [mailto:agende@agende.org.br]
Enviada em: quarta-feira, 1 de dezembro de 2004 15:57
Para: agende@agende.org.br
Assunto: Boletim Eletrônico n° 5 - Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

 

 

Violência contribui para aumento dos casos de Aids em mulheres

 

Pesquisa realizada no Brasil em 2001, sob a coordenação da OMS (Organização Mundial da Saúde), destaca que as mulheres que sofreram violência física e/ou sexual relataram mais problemas de saúde do que aquelas que não sofreram. As mulheres vítimas de violência estão mais suscetíveis a contraírem o vírus HIV. A violência e o medo limitam o poder da mulher de negociar o sexo seguro. Dados do Boletim Epidemiológico Aids/2003 do Ministério da Saúde apontam que, no país, o HIV/Aids já atingiu 258 mil pessoas: 73 mil mulheres e 185 mil homens. Entre elas, 55% têm de 20 a 29 anos. No início dos anos 80, a relação era de 25 homens para 1 mulher infectada. Hoje a relação é de dois homens para uma mulher infectada.

 

AIDS avança mais entre mulheres

A situação de desigualdade vivida histórica e culturalmente potencializa as dificuldades que as mulheres enfrentam em se prevenir. Há um tabu em relação às mulheres quanto à compra de camisinha, por exemplo. De acordo com a Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas Relacionadas às Infecções Sexualmente Transmissíveis na População Brasileira, realizada pelo Ministério da Saúde em 2004, entre os homens, 78% já compraram preservativo, enquanto apenas 44% das mulheres disseram o mesmo. Metade da população masculina sexualmente ativa tem preservativo em casa. No grupo de mulheres com atividade sexual, o índice cai para 39%.

 

Nossa cultura é marcada por uma desigualdade de gênero ainda fortemente marcada por valores e poderes patriarcais. Envergonhadas, humilhadas, desvalorizadas e silenciadas, as mulheres sentem maior dificuldade em negociar a utilização de preservativos com seus parceiros sexuais, além de serem muitas vezes obrigadas a “cumprir com o matrimônio” e se submeterem ao ato sexual contra seus desejos.

 

De acordo com a Associação Americana de Medicina, a violência contra as mulheres ainda gera alterações emocionais e psíquicas, o que vulnerabiliza o sistema imunológico tornando-as, conseqüentemente, menos resistentes a Doenças Sexualmente Transmissíveis e ao HIV.

 

O levantamento anual da Organização das Nações Unidas - ONU sobre Aids/HIV, divulgado em novembro de 2004, mostra que a epidemia vem se alastrando de forma mais intensa entre as mulheres. A doença atinge cada vez mais mulheres jovens, pobres e negras. Na áfrica, elas já são maioria. É preciso, portanto, reconhecer que a violência contra as mulheres é um problema de saúde pública e precisa ser combatido por todas e todos.

 

De cada dez pessoas infectadas pelo vírus HIV na América Latina, três vivem no Brasil, segundo a ONU. No mundo, o número de casos de Aids é recorde: quase quarenta milhões. Só em 2004, houve cerca de cinco milhões contaminações pelo vírus, de acordo com o levantamento.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, a queda na mortalidade de pessoas que desenvolveram a Aids é duas vezes maior entre os homens do que entre as mulheres. Entre elas, a mortalidade cai apenas no Sudeste e Centro-Oeste. No Norte, Nordeste e Sul, a mortalidade entre as mulheres continua aumentando. A região mais preocupante é o norte, onde o aumento foi de 45,2%.

 

Tratamento para vítimas de violência sexual

A mulher vítima de violência sexual tem direito à assistência médica e aos medicamentos necessários para tratamento das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), inclusive a Aids, e contraceptivos. Os serviços públicos de atendimento, tais como delegacias, postos de saúde e Institutos Médicos Legais, têm a obrigação de informá-la sobre esse direito.

 

Pesquisa revela comportamento sexual do brasileiro

O Ministério da Saúde divulgou, dia 24 de novembro de 2004, o mais recente estudo sobre o comportamento sexual de homens e mulheres do Brasil na faixa etária dos 15 aos 54 anos: a Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas Relacionadas às Infecções Sexualmente Transmissíveis na População Brasileira.

 

De acordo com a pesquisa, 90% das pessoas de 15 a 54 anos de idade são sexualmente ativas e 81% foram sexualmente ativos no ano anterior à pesquisa. Quase 20% dos/as entrevistados/as relataram mais de 10 parceiros na vida. E 7% da faixa etária mais jovem (15 a 24) disseram ter tido mais de cinco parceiros eventuais no último ano.

 

A multiplicidade de parcerias (na vida ou no último ano) é ainda um fenômeno predominantemente masculino: o percentual de mais de 5 parceiros eventuais no último ano entre as mulheres foi menor do que 1%.

 

Entre as/os pesquisadas/os, a prática do sexo seguro está diretamente associada a quatro fatores: população masculina, de baixa faixa etária, com alto nível de escolaridade e pertencente a classes sociais mais favorecidas.

 

Ato educativo

A Campanha Mundial 16 Dias de Ativismo tem como slogan em 2004 “Pela saúde das mulheres, pela saúde do mundo, basta de violência”. O objetivo é destacar a relação entre saúde e violência. O 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids é a segunda data comemorativa da Campanha. Neste dia, em Brasília, haverá um ato educativo-informativo na Praça Ari Pára-Raios do Conic, às 15h.

 

Dia Mundial da Aids

1º de dezembro – Marca o começo de uma Campanha anual destinada a fortalecer o esforço global para enfrentar a epidemia da Aids e fomentar o desenvolvimento de programas de prevenção ao contágio e à disseminação da infecção do HIV. A primeira campanha foi lançada em 1988, depois da Cúpula Mundial dos Ministros de Saúde, chamando a atenção para um espírito de tolerância social e uma maior troca de informação sobre HIV/Aids.

 

 

www.agende.org.br/16dias

 

 

Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres

 

Comitê Gestor

Ø        AGENDE Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento – organização feminista que promove

Ø        o fortalecimento da cidadania sob a perspectiva de gênero

Ø        Bancada Feminina no Congresso Nacional

Ø        Comissão do Ano da Mulher na Câmara dos Deputados (CEMULHER)

Ø        Comissão do Ano da Mulher no Senado Federal

Ø        Câmara dos Deputados

Ø       Senado Federal


Parceria

ü        Articulação de ONG’s de Mulheres Negras Brasileiras - AMNB

ü        Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher – CLADEM

ü        Coordenação Nacional de Mulheres da CONTAG

ü        Fórum Nacional de Mulheres Negras

ü        Movimento de Mulheres Camponesas – MMC

ü        Movimento de Mulheres da Amazônia - MAMA

ü        Rede Brasileira de Estudos e Pesquisas Feministas - REDEFEM

ü        Rede de Mulheres no Rádio

ü        Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Rede Feminista de Saúde

ü        Rede Feminista Norte/Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e Relações de Gênero – REDOR

ü        Rede Nacional de Parteiras Tradicionais - RNPT

ü        Secretaria da Mulher da CGT

ü        Secretaria Executiva da Marcha Mundial de Mulheres no Brasil

ü        Secretaria Nacional da Mulher da Força Sindical

ü        Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT

ü        União Brasileira de Mulheres – UBM

ü        Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos - FENDH

ü        Plataforma DhESC – Brasil

ü        Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

ü        Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - SPM

ü        Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

ü        Secretaria Especial dos Direitos Humanos - SEDH

ü        Ministério da Justiça - Secretaria Nacional de Segurança Pública/ SENASP

ü        Ministério da Justiça - Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor/ DPDC

ü        Ministério de Minas e Energia - MME

ü        Ministério das Comunicações - MC

ü        Empresa Brasileira de Comunicação S/A – RADIOBRÁS

ü        Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária – INFRAERO

ü        Ouvidoria Parlamentar – Câmara dos Deputados

ü        Comissão de Direitos Humanos e Minorias – Câmara dos Deputados

ü        Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher - UNIFEM

ü        Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO

ü        Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS


Patrocínio

ü        Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS

ü        Furnas Centrais Elétricas S/A

ü        Centrais Elétricas do Norte do Brasil – ELETRONORTE

ü        Banco do Brasil - BB