06
de dezembro - Nesta data, em 1989, um estudante entrou
armado na escola politécnica da Universidade de Montreal e começou a disparar gritando
que queria apenas as mulheres, as feministas. As catorze
estudantes assassinadas tornaram-se um símbolo, uma representação trágica da
injustiça praticada contra as mulheres. Esta data, que faz parte da Campanha 16 Dias de
Ativismo, inspirou a criação da Campanha do Laço Branco www.lacobranco.org.br que tem por objetivo
sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra
a mulher.
Na América Hispânica, os
assassinatos de mulheres, chamados femicídios, registrados em
cidades da Argentina, México, Guatemala e El Salvador têm em
comum o fato de serem crimes com marca de sadismo: corpos violados,
desfigurados e despedaçados. Outro elemento comum entre estes crimes é a impunidade.
Caso
Maria da Penha
No Brasil, em 1983, Maria da Penha
Fernandes sofreu tentativa de homicídio por parte de seu marido e ficou tetraplégica. O economista
Marco Antônio Heredia Viveiros atirou enquanto ela dormia,
ato que culminou uma série de agressões sofridas durante a vida matrimonial. Duas
semanas depois de regressar do hospital, Maria da Penha sofreu um segundo atentado do
então esposo que quis eletrocutá-la.
Passados mais de 15 anos sem que
houvesse uma decisão final na justiça, Estado brasileiro foi denunciado por não
haver efetivamente tomado as medidas necessárias para processar e punir o agressor. O caso foi peticionado pelo CLADEM (Comitê
Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres) e CEJIL (Centro pela Justiça e o
Direito Internacional) ante à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Esta condenou, em
2001, o Estado Brasileiro por negligência, omissão e tolerância em relação à
violência doméstica. O processo, então, finalmente chegou ao fim e o réu foi preso.
Esse foi o primeiro caso de condenação por violação aos direitos humanos das mulheres
no Sistema Interamericano.
Violência
doméstica é a maior responsável pelos femicídios
Segundo o informe de 2002 sobre
violência e saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 70% das dos
homicídios contra as mulheres são cometidos pelos seus companheiros.
A violência doméstica é a violência física, sexual e psicológica que tenha ocorrido dentro da
família ou unidade doméstica ou em qualquer outra relação interpessoal,
de afinidade ou afetividade, em que o agressor conviva ou tenha convivido com a mulher. De
acordo com a pesquisa A mulher brasileira nos espaços públicos e privados,
realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001, calcula-se
que cerca de 6,8 milhões de mulheres brasileiras já foram espancadas ao menos uma vez.
Contrariando o senso comum, as
pesquisas indicam que o lugar menos seguro para a mulher é a sua própria casa. O risco
de uma mulher ser agredida em casa, pelo marido, ex-marido, namorado ou atual companheiro,
é nove vezes maior do que o de sofrer alguma violência na rua. Escondida pela
cumplicidade da sociedade e pela impunidade, a violência contra as mulheres ainda é um
fenômeno pouco visível.
Para
Lourdes Maria Bandeira, integrante do Conselho Diretor da AGENDE Ações
Legislação
e impunidade
Sob a alegação de adultério da
mulher muitos homens foram - e alguns continuam sendo - absolvidos por júris populares e
tribunais da prática de agressões e assassinatos contra suas esposas (e também
companheiras, ex-companheiras, namoradas, ex-namoradas, etc.). Os "crimes de
honra" podem ser definidos como uma forma de violência motivada por um sentimento de
posse e controle dos homens sobre as mulheres, principalmente, sobre a sua sexualidade.
"São homicídios de mulheres cometidos por homens, por desprezo a elas. Prefiro,
para me referir a este tipo de assassinato, utilizar o termo 'femicídio'",
propõe Montserrat Sagot, pesquisadora do centro de
Investigação de Estudos da Mulher da Universidade da Costa Rica.
Segundo Mônica de Melo, Procuradora
do Estado de São Paulo e integrante da Oficina de Direitos da Mulher, a polêmica tese da
legítima defesa da honra, construída por juristas e ainda, por vezes, sustentada e
aceita em nossos tribunais, é o fundamento para a impunidade. A legítima defesa protege todo e
qualquer bem jurídico, inclusive a honra. Contudo, a honra conjugal, alegada nessa tese,
não faz sentido, seja pela discriminação e controle da sexualidade da mulher em si,
seja porque não há honra conjugal a ser protegida, na medida em que honra é atributo
próprio e pessoal, destaca.
Mulheres
e homens se mobilizam
A
coordenação da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da
Violência contra as Mulheres realizou um ato público, dia 06 de dezembro, em homenagem
à data do Massacre de Mulheres de Montreal, que fundamenta a Campanha do Laço Branco. O
evento aconteceu no Setor Comercial Sul, em Brasília.
Cerca
de 50 voluntários distribuíram materiais educativos, informativos e laços brancos, os
quais simbolizam a luta dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. Houve,
ainda, o recolhimento de assinaturas pelo fim da exploração sexual de meninas e uma
apresentação do Teatro do Invisível. Na encenação, uma atriz e um ator dramatizaram
uma forma específica de violência contra a mulher, a violência doméstica.
Veja
a programação dos estados no site:
Campanha
16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres Comitê Gestor Ø AGENDE Ações Ø o
fortalecimento da cidadania sob a perspectiva de gênero Ø Bancada Feminina no
Congresso Nacional Ø Comissão do Ano da
Mulher na Câmara dos Deputados (CEMULHER) Ø Comissão do Ano da
Mulher no Senado Federal Ø Câmara dos
Deputados Ø Senado Federal
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AGENDE
Ações |