Mensagem Recebida

 

 

-----Mensagem original-----

De: Eduardo Almeida [mailto:almeidaedu@uol.com.br]

Enviada em: quinta-feira, 7 de outubro de 2004 20:28

Para: anaind

Assunto: Re:[anaind] Gostaria de ser índio - Jornal do Brasil -

07/10/2004

 

 Não é a primeira que esse sr., tido como emérito profissional

do Direito, se manifesta em franca hostilidade aos povos

indígenas. Nem é o único a escrever regularmente artigos de

semelhante teor em publicações de larga alcance, seja

regional ou nacional.

Esse Conselho, com todo respeito, precisa mostrar que não é

mera peça decorativa nesse país entulhado de embustes e

falsas fachadas. Não só o Conselho como outras instituições,

abç

eduardo

---------- Início da mensagem original -----------

De: "kring" kring@uol.com.br

Para: cncd@grupos.com.br

Cc: anaind@yahoogrupos.com.br

Data: Thu, 7 Oct 2004 16:30:31 -0300

Assunto: [anaind] Gostaria de ser índio - Jornal do Brasil -

07/10/2004

> Caros Conselheiros do Conselho Nacional de Combate a

Discriminação,

>

> Na qualidade de representante dos Povos Indígenas nesse

Conselho solicito que o mesmo se manifeste publica e

oficialmente sobre o artigo abaixo publicado, que não é o

primeiro, é pelo menos o terceiro de uma série de artigos que

tem a clara intensão de jogar a população brasileira contra

os Povos Indígenas, num momento de extrema fragilidade em que

se encontram os direitos indígenas no Brasil.

> Este artigo é irresponsável, preconceituoso e racista

quando insinua que os índios são uma minoria privilegiada que

ameaça a soberania do País.

>

> Senhores Conselheiros, uma tomada de posição em relação a

este tipo de discurso é urgente, na medida em que isso tem

repercussões graves na garantia e proteção dos direitos dos

primeiros habitantes deste País, que outrora era 100%

indígena e hoje temos apenas míseros 12%.

>

> Espero um pronunciamento urgente.

>

> Azelene Kaingáng

> Conselheira do Conselho Nacional de Combate a Discriminação

>

>

>

>

> Jornal do Brasil - 07/10/2004 (Opinião)

>

> Gostaria de ser índio

> IVES GANDRA DA SILVA MARTINS

>

> ADVOGADO

>

>

> Se eu fosse índio, estaria entre a esmagadora minoria da

população brasileira com direito a 12.5% de todo o território

brasileiro. O Brasil tem 8.511.965 quilômetros quadrados. No

dia 22 de setembro, no Diário Oficial, o Governo declarou que

mais de 460.471 mil hectares na região Norte e Nordeste

seriam reservas indígenas.

> Com outras 40 reservas em demarcação, ao fim do processo os

410.000 índios brasileiros terão 15% do território nacional

enquanto os outros 180.000.000 de brasileiros 85%!!! Cada

índio, portanto, terá direito a 77 vezes mais território do

que os brasileiros ''não índios''.

>

> Os 220 povos indígenas constituídos, ao todo, de apenas

410.000 indíviduos, graças a uma errônea visão do

constituinte, não só representam uma nação diferente da

brasileira, como, mais do que isto, têm direito à proteção

federal de sua organização social, costumes, línguas, crenças

e tradições, além dos 15% do território brasileiro, que lhes

pertence, e não à União, ao governo ou ao Brasil. A União

exerce, pois, apenas o papel de protetora dos bens que não

pertencem ao Brasil, mas à organização social indígena. É do

texto constitucional a seguinte afirmação: ''São reconhecidos

aos índios os direitos originais sobre as terras que

tradicionalmente ocupam (15% do território nacional),

competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar

todos os seus bens''.

>

> Por esta razão, nessas terras é vedado o ingresso de

pessoas não autorizadas - repetidas vezes, autoridades

governamentais são impedidas de lá entrarem -, não sendo

negada, todavia, autorização a estrangeiros, muitos deles

missionários. Como as terras indígenas - e não brasileiras -

são riquíssimas em minerais, biodiversidade e água, percebe-

se que a cobiça pode levar alguma potência mais forte que o

Brasil a entender, unilateralmente, que a União ''não está

protegendo adequadamente as terras que pertencem aos

indígenas'', valendo-se desse pretexto para, com base na

Constituição da República , intervir nestes territórios,

inclusive ''a pedido'' destes privilegiados senhores nascidos

no Brasil. É importante que se diga que, na redação deste

capítulo de nosso estatuto supremo, houve sensível

colaboração de estrangeiros - inclusive de cantores, como

Sting - que vieram para influenciar os nossos constituintes

na supervalorização dos direitos dos índios, em prejuízo dos

demais brasileiros.

>

> Participei, em 1991, de debate, na Alemanha, com Roberto

Campos e Francisco Rezek, em que o tema da Amazônia foi

colocado como dizendo respeito a terras que pertenceriam à

humanidade mais do que ao Brasil. Tal postura recebeu forte

reação, principalmente de Roberto Campos e minha - Rezek não

estava no painel -, o que obrigou os proponentes da tese a

recuarem na proposição, que embora acadêmica, exteriorizava

forma de pensar de muitos dos participantes estrangeiros.

>

> Certa vez, em sustentação oral perante o pleno do Supremo

Tribunal Federal, em defesa da Zona Franca de Manaus,

principal pólo de desenvolvimento da região, mostrei a

importância de se povoar a região para outras nações mais

fortes e belicosas não se interessem em lá se estabelecer

para ''protegerem os índios, que são uma nação diferente da

brasileira pela lei maior''. E citei, inclusive, expoentes

militares de países desenvolvidos, em manifestações

veiculadas por jornais, que diziam que as nações

desenvolvidas deveriam estar preparadas para intervir na

Amazônia, quando necessário. Preocupante material foi-me

fornecido, na ocasião, pelo brilhante economista e vice-

governador do Estado do Amazonas, Samuel Hannan.

>

> O resultado, favorável ao Estado do Amazonas (10 x 0),

teve, nas figuras do Ministros Marco Aurélio e Sepúlveda

Pertence, os grandes defensores da relevância em se

fortalecer a soberania nacional na região.

>

> Infelizmente, a decisão do governo de criar dois Brasis,

um, sujeito ao governo brasileiro, e outro, apenas por ele

protegido, à evidência, poderá despertar, no futuro,

interesses de outras nações - além da pirataria na

biodiversidade que nações estrangeiras já exercem

beneficiando-se do estatuto privilegiado dos indígenas, para

apropriarem-se da grande experiência dos silvícolas no

tratamento de doenças a partir de ervas com propriedades

medicinais, no curso de sua existência. Estou convencido de

que, quando a ''questão terrorista'' for solucionada - e já

teria sido solucionada, se mais hábil fosse o exterminador do

Iraque (presidente Bush) -, os 15% do território indígena

poderão ser objeto dos gordos olhos das nações mais

desenvolvidas. Até lá, só lamento ser um modesto brasileiro,

entre outros cento e oitenta milhões, que pode livremente

circular apenas por 85% do território nacional, e não um

indígena, com o direito de circular por 100% dele e possuir

15% das terras brasileiras que lhes pertence e não a nós

comuníssimos e desprotegidos mortais.

>

>

>

> http://jbonline.terra.com.br/

>

>

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>

>

>

> Este grupo é a via de interlocução dos associados,

parceiros e amigos da ANAI (Associação Nacional de Ação

Indigenista)e visa promover a divulgação de informações e

discussões sobre povos e terras indígenas e

> de Quilombos no Nordeste e Leste do Brasil e sobre política

indigenista no Brasil e no mundo.

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