Mensagem Recebida
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-----Mensagem original-----
De: PBE/CNBB [mailto:pbe.cnbb@ccm.org.br]
Enviada em: quarta-feira, 6 de outubro de 2004 15:17
Para: Comissão DDHH - Câmara
Assunto: En: Combate à Tráfico de Seres Humanos
Segue
matéria publicada no Correio Braziliense, em 06/10/04,
sobre
Tráfico de Seres Humanos e as medidas que o Governo vem tomando para o combate a este
abominável negócio, um dos mais lucrativos na atualidade.
Direitos
humanos
Cerco à máfia do sexo
André Carravilla
Do Correio Braziliense
06/10/04
A partir desta quarta-feira,
o governo brasileiro vai agir com mais rigor no combate ao tráfico de seres humanos. No
Ministério da Justiça, a ordem é encarar a questão como prioridade. A mobilização
promete ser grande: a Polícia Federal vai tratar o assunto como crime organizado e
pretende intensificar as investigações. O Ministério das Relações Exteriores, agora,
é parceiro. Diplomatas serão orientados a auxiliar as vítimas e a pedir ajuda de
governos estrangeiros para identificar a presença de escravos sexuais brasileiros. Ainda
assim, a principal arma para inibir o crime que movimenta US$ 9 bilhões por ano no mundo
e envolve cerca de dois milhões de vítimas é a conscientização.
As ações da mobilização, que tem parceria com a Organização das Nações
Unidas (ONU), consistem na distribuição de cartilhas no momento de emissão do
passaporte, porta-camisinhas e cartazes em aeroportos, nas superintendências da Polícia
Federal e em locais de grande circulação, além da veiculação de programas de rádio.
As ações incluem ainda o treinamento de juízes e promotores. A gente nota
que tem que preparar melhor os profissionais que lidam com o problema, explica
a secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas.
O evento de lançamento da campanha será hoje, em Goiânia, e contará com a
presença do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A escolha do local não foi
aleatória. Embora não existam números oficiais, o governo acredita que a cidade é uma
das que mais enviam mulheres para o exterior. A maioria dessas jovens é
ludibriada. Acredita em propostas para trabalho de modelo ou acha que está indo trabalhar
em restaurantes ou salões de beleza, explica Cláudia. A secretária nacional
de Justiça lembra que muitas mulheres vão para o exterior recrutadas por agências de
casamento.
Escravidão
Nem todas as mulheres são tão ingênuas assim. Muitas prostitutas vão para o
exterior acreditando que vale mais a pena exercer a profissão em um país onde os
clientes pagam em dólar ou euro. O problema é que essas mulheres nunca imaginam perder a
liberdade, não acreditam na possibilidade de serem transformadas em escravas.
Estudo realizado pelo professor de Direito da Universidade Federal do Ceará,
Marcos Colares, verificou que muitas das escravas são cearenses e alerta para os perigos
da atividade. O tráfico de pessoas não é um crime isolado, e geralmente é
identificado em virtude de esquemas de lavagem de dinheiro, turismo sexual ou outras
atividades ilícitas ligadas ao ramo de entretenimento, analisa Colares.
O pesquisador estudou 22 processos judiciais e 14 inquéritos de São Paulo. O
resultado demonstra que os aeroportos do Rio de Janeiro e de São Paulo são os mais
utilizados para o envio das mulheres para o exterior e comprova que o problema não se
limita às mulheres. Colares encontrou apenas um caso de exploração sexual masculina. No
entanto, não há possibilidades de o criminoso que aliciou esse homem ir para a cadeia.
Pelo Código Penal brasileiro, só existe tráfico internacional de mulheres.
Nova
lei
As
penas para quem comete esse crime vão de três a 12 anos de reclusão. Mas
poucas pessoas são presas, quase não existem inquéritos, lamenta Cláudia
Chagas, que trabalha para modificar a legislação. A Secretaria Nacional de Justiça quer
que a lei considere vítimas pessoas de todos os sexos e que o tráfico interestadual
também seja tipificado.
Estimativas
extra-oficiais indicam que os aliciadores recebem até US$ 30 mil por mulher exportada.
A maioria dos aliciadores é brasileira e não conhece as vítimas. Muitas vezes, anuncia
em jornais para conseguir interessados em ir para o exterior. Prisões mais recentes
demonstram que em alguns casos os empresários estrangeiros contratam mulheres com quem
já trabalharam. Elas dizem para as vítimas ter passado pela experiência e
conseguido muito dinheiro, explica a secretária.
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