Mensagem Recebida

 

-----Mensagem original-----
De: artur gomes [mailto:bluespoetic@yahoo.com.br]
Enviada em: terça-feira, 21 de setembro de 2004 18:24
Para: brazilsite@brazilsite.com; brisa_vieira@yahoo.com.br; luiza buarque; bwider@hotmail.com; c.bruni@uol.com.br; cadoro@italnet.com.br; Cadu; caetanor@uai.com.br; Carina-Nuth; cariri@truenet-ce.com.br; carlarangel@odianet.com.br; Carlos; carlourenco@yahoo.com.br; carmentucker@montrose.net; carolam@usp.br; Rafa Castanheira; cdh@camara.gov.br; cdmotta@uol.com.br; cepalma@uol.com.br; ceuecigarra@terra.com.br; cfreita9@ford.com; Charlinho; chinaudi@uol.com.br; ci.leia@terra.com.br; ciaderocokoz@terra.com.br
Assunto: tecidos sobre a pele

 

 

Tecidos sobre a pele

                                         

Terra

antes que alguém morra

escrevo prevendo a morte

arriscando a vida

                 antes que seja tarde

e que  a língua da minha boca

não cubra mais tua ferida

 

entre/aberto

em teus ofícios

é que meu  peito de poeta

sangra ao corte das navalhas

e minha veia mais aberta

é mais um rio que se espalha,

 

amada

de muitos sonhos

e pouco sexo

deposito a minha boca

no teu cio

e uma semente fértil

nos teus seios como um rio

 

o que me dói

é ter-te

devorada por estranhos olhos

e deter impulsos por fidelidade

 

ó terra

incestuosa de prazer e gestos

não me prendo ao laço

dos teus comandantes

só me enterro à fundo

nos teus vagabundos

com um prazer de fera

e um punhal de amante

 

minha terra

é de senzalas tantas

entrerra em ti

milhões de outras esperanças

soterra em teus grilhões

a voz que tenta – avança

plantada em ti

              como canavial

              que a foice corta

mas cravado em ti

        me ponho a luta

mesmo sabendo -  o vão

- estreito em cada porta

 

Usina

       mói a cana

       o caldo 

       e o bagaço

Usina

        mói o braço

        a carne

        o osso

Usina

        mói o sangue

        a fruta

        e o caroço

tritura suga torce

dos pés até o pescoço

 

e do alto da casa grande

os donos do engenho

                controlam:

 

 - o saldo e o lucro.

 

Artur Gomes

In Fulinaíma Sax Blues Poesia

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