Mensagem Recebida

-----Mensagem original-----
De: Cebraspo [mailto:cebraspo@uol.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 20 de setembro de 2004 13:27
Para: cebraspo@uol.com.br
Assunto: Fw: Exigimos a libertação dos camponeses presos políticos

 

O CEBRASPO, Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos, encaminha mensagem assinada pela Frente de Defesa dos Direitos do Povo

Exigimos a libertação dos camponeses presos políticos de Patrocínio

 

 

Gervásio Vilaça da Silva, Osair Pinto de Oliveira, Rosivaldo Oliveira Domingos e Vanir Pires de Oliveira são os camponeses de Patrocínio, do Acampamento Floresta/Salitre, que estão injusta e arbitrariamente trancafiados na Penitênciária de Patos de Minas, desde o dia 19 de agosto. O crime deles foi lutar pelo legítimo direito de plantar e sustentar seus filhos.

Sem terem nenhuma condenação nem conclusão de inquérito policial, estão trancafiados há mais de 25 dias em uma penitenciária, o que mostra a perseguição aos camponeses pobres e a criminalização da luta pela terra.

            Esses crimes contra os camponeses cometidos pela PM, à mando do governo Aécio/Lula-FMI, devem ser denunciados por todas pessoas democratas e progressistas e exigida a imediata libertação dos companheiros camponeses presos políticos.

 

 

PM atacou,  torturou e roubou os camponeses do Acampamento Floresta

      

       Na tarde de quinta-feira, dia 19 de agosto/2004, uma tropa formada por 300 policiais militares atacou as 80 famílias de camponeses do Acampamento Floresta, que lutavam pela posse da Fazenda Salitre, no município de Patrocínio.

Em torno de 43 camponeses foram feitos prisioneiros, algemados e depois presos ilegalmente na delegacia de Patrocínio, onde os camponeses passaram a noite algemados, dois a dois, com fome e o companheiro Manoel foi torturado com choques elétricos e teve agulhas enfiadas nas unhas das mãos e sua cabeça enfiada no vaso sanitário. Gervásio, Osair, Rosivaldo e Vanir ainda continuam presos, transferidos no dia seguinte para a penitenciária agrícola de Patos de Minas.

A PM forjou a apreensão de armas que disseram encontrar fora do acampamento. E a mentirosa representante do INCRA e da Ouvidoria Agrária Nacional, Moema de Fátima, declarou a imprensa de que teriam sido os camponeses que começaram o conflito.

            A PM covarde utilizou até de helicóptero, cães e trator de esteira para atacar as famílias camponesas. Do helicóptero lançaram bombas de gás lacrimogêneo, dispararam tiros de balas de borracha que feriram mulheres e crianças e até jogaram um pó químico branco que ardia,  queimava a pele, causava sangramentos no nariz,  borbolhas na boca e desmaios.

O ataque policial foi no momento em que os camponeses estavam ensacando seus pertences para  sair para a área de cinco hectares. Os policiais entraram atirando, deram coronhadas de escopeta 12 nos homens e mulheres e arrastaram crianças pelo cabelo. Um senhor de 94 anos foi jogado no chão e também espancado.  A PM, além de espancar, destruiu e queimou o acampamento e as lavouras, sumiu com os documentos e também roubou dinheiro (de aposentadoria,  bolsa-escola, etc) e animais dos camponeses.

 

 

B.O.s (Boletins de Ocorrência) desmentem versão policial

Grande mentira 1: Foram os camponeses quem atacaram...

B.O.: “... o comando da PM colocou a tropa em formação de ataque; que, tal fato ocorreu por volta das 17hs, e quando os Sem Terra perceberam que os policiais estavam preparando-se para invadir...”

Conclusão: a PM partiu para o ataque.

 

Grande mentira 2: Acusação de tentativa de homicídio, camponeses armados, etc...

B.O.: “Segundo a Oficial de Justiça Denisia Elias Costa ... foi convidada por um policial a acompanhá-los ... havia armas de fogo ENTERRADAS NUM BURACO FORA DO ACAMPAMENTO...”

Conclusão: estas “armas” não poderiam ter atirado. Quem atirou foi a polícia. A prova são os camponeses feridos.

Terra a quem nela trabalha

 

 

 

A resistência camponesa e a luta pela terra são justas

 

As famílias camponesas acampadas na Fazenda Floresta/Salitre já estavam trabalhando a terra, tinham lavouras de arroz, milho, feijão, mandioca, hortas e criavam galinhas, porcos, etc., lutando pelo seu sagrado direito a uma vida digna.

Esse sonho foi ensangüentado na tarde de quinta-feira, dia 19/8, pelas balas assassinas da polícia militar e pela enrolação do Incra (governo FMI-Lula) e ITER (governo FMI-Aécio). Antecedendo a ação covarde e criminosa da PM; que investiu selvagemente contra crianças, mulheres e idosos e ainda roubou os seus parcos pertences; os órgãos governamentais haviam proposto uma área provisória para os camponeses ficarem.

Exigimos o cumprimento do acordo com a destinação da área da Fazenda Floresta/Salitre para os camponeses, até a completa expropriação da fazenda e a punição e indenização dos crimes cometidos pela PM.

         Exigimos a área para os camponeses plantarem, a expropiação da Fazenda Floresta/Salitre e indenização pelas truculências e roubos da PM.

 

 

Apóie  a  justa  luta  dos  Camponeses  Pobres

 

Participe da campanha pela libertação dos camponeses Rosivaldo, Gervásio, Osair e Vanir, que são presos políticos do governo Aécio/Lula-FMI. Envie correspondências ao governador, Aécio Neves (31-3250.6011), presidente do Tribunal de Alçada, Dr. Alvimar D`avila (31-3225.9708) e para o juiz de Patrocínio exigindo a libertação dos camponeses. Para as famílias camponesas que perderam tudo durante o ataque policial, doe alimentos, roupas, cobertores, lonas e remédios, etc.

 

Locais de entrega das doações:

 

-  Acampamento Sinhazinha no Arraial Chapadão de Ferro em Patrocínio

-  Liga dos Camponeses Pobres do Centro Oeste - Rua Ipiaó, 183 - Araxá - tel: (34) 3662-3986.

-  Liga Operária - Rua Ouro Preto, 294 - Barro Preto - BH - tel: (31) 3291-4713 / 3337-5611

 

Só a Revolução Agrária libertará o povo e salvará o país da ruína!

Terra, Pão, Justiça e Nova Democracia!

 

 

Frente  de  Defesa  dos  Direitos  do  Povo

Liga Operária - MEPR - MFP - LPM - Socorro Popular – MEP

14 setembro  2004