Mensagem Recebida![]()
-----Mensagem original-----
De: Marina Pimenta Spinola Castro [mailto:marina.castro@mj.gov.br]
Enviada em: quarta-feira, 15 de setembro de 2004 17:51
Assunto: ONU divulga considerações preliminares sobre relatório brasileiro
Prioridade: Alta
PRESIDÊNCIA
DA REPÚBLICA
SECRETARIA
ESPECIAL DOS DIREITOS HUMANOS
ONU
divulga considerações preliminares sobre relatório brasileiro
BRASÍLIA,
15/09/2004 (PR) - O Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas divulgou ontem as
considerações preliminares referentes à apresentação do relatório brasileiro sobre a
situação das crianças e dos adolescentes no País. As considerações finais da ONU
sobre o tema somente serão divulgadas no dia 1ºde outubro.
Segundo
a nota da ONU, o perito do Comitê, relator Luigi Citarella, considerou que o diálogo
entre o Comitê e a delegação brasileira foi bastante frutífero e que,
portanto, o Comitê tem uma visão mais apropriada sobre o País no que se refere à
implementação da Convenção Internacional dos Direitos da Criança. Segundo o perito da
ONU, a nova política do governo brasileiro está começando a dar bons
resultados. Ele afirmou que pobreza, discriminação e desigualdade são os
principais obstáculos a serem enfrentados pelo governo no que se refere a crianças e
adolescentes. Além disso, ele disse que atitudes negativas da sociedade
resultam na morte de crianças e adolescentes no Brasil.
Citarella
disse ainda que algumas questões essenciais precisam ser consideradas, como a falta de
recursos financeiros. Segundo a nota da ONU, o Comitê espera também que o Brasil
aprimore o sistema de coleta de informações referente aos direitos da criança. Destacou
ainda que muito ainda precisa ser feito nos campos da educação e justiça.
Norberto
Liwski, perito do Comitê, disse que 14 anos depois de iniciado o processo de
descentralização, o Brasil realizou progressos na melhoria das condições sociais e na
garantia de direitos. Entretanto - disse ele - ainda há problemas relacionados aos
adolescentes em conflito com a lei. Disse também que desde que o Brasil iniciou a
descentralização há a necessidade de fortalecer a política nacional para implementar a
Convenção Internacional dos Direitos da Criança.
Brasil
apresenta relatório inédito sobre infância
Ontem, o governo brasileiro apresentou, em
Genebra, relatório inédito sobre a situação das crianças e dos adolescentes
brasileiros referente ao período de 1991 a 2002. Depois da apresentação de cerca de 10
minutos feita pelo ministro Nilmário Miranda, que chefiou a delegação brasileira, os
integrantes do Comitê e da delegação debateram o documento durante todo o dia.
Um dos
objetivos do relatório é demonstrar o compromisso do Estado brasileiro com a promoção
e a defesa dos direitos da criança e do adolescente. E, por outro lado, apontar também
as deficiências ainda existentes nessa área e as dificuldades encontradas para
saná-las. Além de políticas para a promoção da saúde e educação, o relatório
trata de diversos temas como a discriminação, o direito à expressão, situação de
crianças que vivem na rua, trabalho infantil, violência, entre outros.
Nilmário
Miranda ressaltou que muitos problemas ainda precisam ser solucionados, mas que a
situação de crianças e adolescentes brasileiros evoluiu sobremaneira. De
acordo com o relatório, entre 1995 e 2002, houve uma redução de aproximadamente 41,6%
do número de crianças menores de 16 anos trabalhando no Brasil. Apesar disso, estima-se
que ainda existam cerca de 3 milhões de crianças nestas
condições.
No campo da
educação, foi destacado o esforço de matricular todas as crianças em idade escolar,
chegando-se nos últimos anos a patamares muito próximos das recomendações
internacionais. O percentual de crianças com idades entre 7 e
14 anos fora da escola caiu de 13,4 para 3,1 entre os anos de 1992 e 2002.
No âmbito da
saúde, foram destacados avanços na erradicação da poliomielite, desde 1994; no
processo de erradicação do sarampo, que não registra casos no país desde 2000, e na
queda expressiva da mortalidade infantil que diminuiu de 44.80% para 26.50/1000 nascidos
vivos entre os anos de 1990 a 2002. Também é considerável a redução de 75,35% nos
óbitos de menores de cinco anos por diarréias e de 52,76% por pneumonias. Segundo o
relatório, o Brasil avança, ainda, na ampliação da cobertura vacinal e na
implementação dos programas voltados para o controle do HIV, especialmente no sentido de
reduzir a contaminação vertical, das mães para os filhos, e para a promoção da
qualidade de vida das crianças infectadas.
Um dos
problemas graves citados pelo ministro foi o atendimento socioeducativo dos adolescentes
em conflito com a lei. Ele lembrou que, ainda que o Estatuto da Criança e do Adolescente
estabeleça a prioridade das atividades socioeducativas, na prática, ainda sobrepõem-se as ações repressivas, especialmente nas unidades de internação.
Para tentar reverter esta situação, o Governo iniciou em parceria com o Conselho
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, com governos estaduais, Poder
Judiciário, Ministério Público e instituições da sociedade civil, a elaboração de
um sistema nacional de atendimento socioeducativo para colocar em prática as
determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, uma parceria com o
Ministério da Saúde e as secretarias especiais de Direitos Humanos e de Políticas para
as Mulheres, destina cerca de R$ 5,1 milhões por ano para garantir a atenção à saúde
dos 10,4 mil adolescentes e jovens privados de liberdade.
A delegação
brasileira que representou o Governo na Sessão foi chefiada pelo ministro Nilmário
Miranda e composta pela Subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do
Adolescente, Denise Paiva, além de representantes do Itamaraty, dos Ministérios da
Educação, da Saúde, do Planejamento e do Desenvolvimento Social.
O Brasil
assinou em 1990 a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. O Estado
brasileiro deveria apresentar um relatório sobre a implementação dos direitos
infanto-juvenis em 1992 e, em seguida, a cada cinco anos. O Estado brasileiro deixou de
cumprir essa obrigação por mais de uma década e agora o atual governo apresenta o
primeiro informe que diz respeito ao período de 1991 a 2002.
Para elaborar o
relatório, foram feitas, durante cinco meses, reuniões com
representantes de diferentes esferas do governo e de organizações não-governamentais.
Foi criado um Comitê de Redação, coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores,
que delegou a cada um de seus membros a tarefa de elaborar trechos relativos aos direitos
da infância e juventude.
O governo
federal acredita que a elaboração de balanços dessa natureza, em consulta com a
sociedade civil, são ferramentas úteis de apoio aos esforços desenvolvidos na área.
Assegurar os direitos das crianças e promover medidas e políticas públicas que os
assegurem é prioridade para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
destacou Nilmário Miranda, que é também presidente do Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente (Conanda).
A seguir,
alguns dados apresentados no Relatório.
Segundo
informações do IBGE, até 1999, foram criados, além do Conselho Nacional e de todos os
27 Conselhos Estaduais, 3.948 Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do
Adolescente, o que corresponde a 72% das cidades brasileiras. A falta de infraestrutura,
ao longo destes anos, tem dificultado a implantação de Conselhos Municipais e
contribuído para a falta de entendimento do significado e da importância destes órgãos
para a infância e adolescência.
A taxa
de mortalidade materna declinou cerca de 28%, nas capitais do país, entre 2001 e 2002. Em
2001, de cada cem mil nascidos vivos, havia 71 óbitos de mulheres durante a gestação, o
parto e o pós-parto. Em 2002, a estimativa é que esse número tenha diminuído para 50.
A taxa
de mortalidade infantil diminuiu, de 1990 a 2000, 40%. Passou de 48,3 por mil para 29,6
óbitos por mil nascidos vivos.
De 1979
a 1999, o número de homicídios aumentou de 1.018 para 6.373, entre os meninos, e de 212
para 678, entre as meninas.
A
expansão do sistema de ensino que contribuiu para uma redução da taxa de analfabetismo,
a qual declinou de 17,2% , em 1992, para 12,4%, em 2001.
No
Nordeste, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais é 3
vezes maior que a do Sul do País.
· Em
2000, das 2,1 milhões de crianças e adolescentes com deficiência de até 14 anos, 25,8%
não freqüentavam a
escola.
· Segundo o
Ministério da Saúde, em 2003, 80,1% dos casos de AIDS em pessoas com menos de 13 anos de
idade foram contraídos no perinatal.
· No Brasil, há
cerca de 17,2 mil gestantes com HIV e o tratamento com AZT chega a 11 mil gestantes.
De acordo com o Datasus/MS, em 1999, mais de 42% dos óbitos de crianças com idade inferior a 10 anos foram causados por afecções originadas no período perinatal.