Nota
Oficial |
Brasília, 19 de agosto de 2003
Deputado Enio Bacci Presidente da Comissão de Direitos Humanos
Na condição de Presidente de Comissão de Direitos Humanos, manifesto meu profundo sentimento de pesar pela morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello na Sede da ONU em Bagdá. Como membro efetivo do Alto Comissariado das Organizações das Nações Unidas para Refugiados, foi importante negociador no conflito de Kosovo e no período de transição de novo governo em Timor Leste. Dotado de um espírito conciliador e humanístico, o diplomata Sérgio Vieira de Mello foi um dos principais pensadores e militantes das causas de direitos humanos. Enquanto defensor intransigente da diplomacia, transformou-se num grande pacificador em diversos momentos nos conflitos políticos e bélicos internacionais. O atentado terrorista contra a Sede da ONU em Bagdá é um ato contra os princípios da civilidade e do espírito moderno, nos fazendo retroceder ao estado de barbárie política e de insanidade existencial. A nossa indignação intensifica quando deparamos com a flagrante omissão e desatenção das tropas de segurança internacional e norte-americana, em não suspeitarem da presença de um carro bomba nas mediações da sede. A morte de Sérgio Vieira nos revela a fragilidade da ONU e o despreparo das tropas norte-americanas no desmantelamento das ações terroristas. O terror mais uma vez venceu a sensatez humana e, a guerra, injustificável, dos Estados Unidos provocou uma revolta generalizada. Ambos vem causando perda irreparável de vidas inocentes na região Iraquiana. Diante da morte deste brilhante e exemplar brasileiro e do ato bárbaro e simbólico praticado contra a Sede da ONU, a expressão legitima do espírito da civilidade e diplomacia dos povos contemporâneos, entendemos ser imprescindível que haja a convocação do seu Conselho de Segurança para discutir urgentemente as ações e políticas de combate aos constantes atos de terrorismo praticados pelas milícias iraquianas e principalmente, retomar e decidir sobre a negociação de instalação do novo governo no Estado Iraque. Cremos que tais iniciativas irão conter a onda de descontentamento que cresce no Iraque, principalmente quando percebe-se que após a invasão bélica e a lentidão na composição de uma nova política, o povo iraquiano ficou a mercê da própria sorte e sem referencial institucional e de autoridade para a manutenção da ordem pública e política.
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