CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 324.3.52.O Hora: 18h8 Fase: CP
  Data: 08/12/2005

Sumário

Nomeação do Bispo José Antonio Peruzzo para a Diocese de Palmas, em Francisco Beltrão, Estado do Paraná. Homenagem a Dom Agostinho José Sartori pela dedicação à Diocese.

O SR. ASSIS MIGUEL DO COUTO (PT-PR. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no próximo dia 9 de dezembro, a Diocese de Palmas, em Francisco Beltrão, minha região, receberá seu novo bispo Dom José Antonio Peruzzo.
Dom José Antônio Peruzzo, que era até então pároco da Catedral Nossa Senhora Aparecida de Cascavel, foi ordenado bispo no último dia 24, por Dom Lúcio Ignacio Baumgaertner, na Catedral de Cascavel, prestigiado por dezenas de bispos, centenas de sacerdotes/religiosos e uma grande multidão de fiéis. Certamente esta é para nossos irmãos católicos uma grande notícia, pois Dom José Antônio Peruzzo, homem de cultura elevada, estudioso, sensível, mestre em Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, e Doutor em Teologia Bíblica na Pontifícia Universidade Santo Tomas de Aquino de Roma, certamente conseguirá assimilar a cultura do nosso povo e conduzir com muita sabedoria a nossa querida Diocese de Palmas.
Mas, assim como na canção, a vida repete a rotina da estação, lugar de quem chega e de quem vai embora. Tão importante quanto o momento de boas-vindas a Dom José Antonio Peruzzo é também o momento de enaltecer a vida e a trajetória de Dom Agostinho José Sartori, que se despede depois de 35 anos de importante contribuição.
Permitam-me, Sras. e Srs. Deputados e povo brasileiro, relatar um pouco da história de vida desse importante religioso, cidadão e amigo. Dom Agostinho José Sartori nasceu em Linha Bonita, Município de Capinzal, Estado de Santa Catarina, em 29 de maio de 1929, onde foi batizado com o nome de José Benito Sartori. Filho de Antonio Sartori e Dosolina Rech Sartori, naturais de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, foi crismado e fez a primeira comunhão em Capinzal em 24 de janeiro de 1930 e 14 de junho de 1938, respectivamente.
Vocacionado, ingressou e estudou no Seminário Santo Antonio de Botiatuba, Município de Almirante Tamandaré, Paraná, e cursou as Faculdades de Filosofia e Teologia no Convento das Mercês dos Padres Capuchinhos, em Curitiba, de 1945 a 1952, licenciando-se em Direito Canônico, Roma, em 28 de fevereiro de 1961. "De fato é preciso muita humildade para realizar o pedido de Jesus: 'fazei isto em memória de mim', afirma nosso amado bispo".
Ordenado padre, em 1952, em Curitiba, por Dom Manuel da Silveira d'Elboux, rezou a primeira missa solene em Capinzal, no mesmo ano.
No espaço de tempo entre a sua ordenação sacerdotal e sagração episcopal realizou vários cursos de especialização e exerceu muitas funções importantes, entre as quais destacam-se a de professor, diretor de estudantes capuchinhos, vigário da Paróquia das Mercês em Curitiba, ministro provincial da Ordem dos Frades Menores e Subsecretário da Conferencia Regional dos Bispos, Secretário da Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB e presidente da CRB.
Dom Agostinho foi eleito e ordenado Bispo de Palmas em 16 de fevereiro e 26 de abril de 1970, respectivamente, e sua posse solene foi presidida por Dom Geraldo Pelanda. Em sua trajetória, reafirma: "Só com espírito de doação, de sacrifício O levaremos para todos os povos. Só com muita perseverança poderemos atrair todos os homens a Ele".
Hoje, após 35 anos de dedicação e abnegação pode-se lembrar o relato desse pastor na sua primeira vinda a Palmas: "Vindo de longe, apenas chegava, via-me frente com a síntese da história e dos valores morais, cívicos e religiosos desta terra, ainda inexplorada, mas já no cenário de grandes e gloriosas páginas da história do Paraná".
Entre suas principais realizações mencionam-se inúmeras ordenações sacerdotais; criação de várias paróquias na Diocese; a descentralização da Diocese por meio da criação da Concatedral de Francisco Beltrão; fundação e construção da Casa de Formação da Diocese; aquisição do terreno e construção do Campus Universitário da UNICS; credenciamento das Faculdades Integradas de Palmas em Centro Universitário; integral apoio para a manutenção do Lar dos Velhinhos Nossa Senhora das Graças; total apoio e participação na criação e instalação da Faculdade Vizinhança Vale do Iguaçu de Dois Vizinhos e da Faculdade da Fronteira de Barracão, ambas na região sudoeste do Paraná; fundação e manutenção da Escola de Integração Social de Palmas - EISPAL; ampliação e reforma do Seminário Diocesano São João Maria Vianney de Palmas.
É preciso destacar a dedicação e empenho de Dom Agostinho José Sartori numa ação importantíssima que no Brasil vem salvando milhares de vidas e recebendo prêmios em âmbito internacional, que é a Pastoral da Criança. Sob sua direção e dedicação, os trabalhos da Pastoral da Criança na Diocese de Palmas, desde 1997, está em primeiro lugar, atendendo ao maior número de crianças, famílias e gestantes de todas as dioceses do Brasil. Também vem desenvolvendo o maior número de ações e projetos desenvolvidos em parcerias importantes com entidades, empresas e prefeituras.
Dom Agostinho José Sartori, é um homem de grande visão política, econômica e social. Além de ter sido um desbravador da região no sentido literal da palavra, foi um desbravador de idéias novas, idealizador de grandes projetos, incentivador das organizações sociais. Dom Agostinho foi e é um sábio conselheiro respeitado não só pelo clero em geral, mas também pelas autoridades políticas municipais, regionais e estaduais. É sem sombra de dúvida um eterno preocupado com o bem-estar dos fiéis de sua igreja, de todos os cristãos e do povo do nosso sudoeste do Paraná.
Mas um homem não existe apenas por suas realizações e, sim, muito antes por aquilo que é. E entre as características mais marcantes de Dom Agostinho, deve-se destacar disposição e cuidado para com os que estão a sua volta, sobretudo na doença, levando conforto e demonstrando a preocupação de um pastor para com suas ovelhas; apoio e defesa aos padres, frente a qualquer questão judicial, e outras circunstâncias; diálogo franco e aberto com aqueles que o procuram, tendo sempre uma palavra amiga acompanhada de sábios conselhos; incansável batalhador nos trabalhos do dia-a-dia, como orientador e administrador diocesano; paciência e sabedoria ao ouvir críticas fundamentadas com coerência, demonstrando grande respeito.
Se é possível definir em palavras um ser humano como Dom Agostinho, diria o ex-diretor da Vizivali, Tompson Eloi Schneider: "Confiante e reservado em seus princípios humanos e cristãos, voltado à formação de sacerdotes e evangelizadores da 'grande nova', para difundir suas sábias orientações aos fiéis e à educação cristã da juventude, visando sanar os problemas que corroem a sociedade; coloca acima de suas convicções o interesse à coletividade e abdica de si mesmo às causas sociais, aos deserdados e aos menos favorecidos".
Era isso, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados.
Muito obrigado.



JOSÉ ANTONIO PERUZZO, BISPO, DIOCESE DE PALMAS, MUNICÍPIO, FRANCISCO BELTRÃO, PR, NOMEAÇÃO. AGOSTINHO JOSÉ SARTORI, EX BISPO, DIOCESE DE PALMAS, MUNICÍPIO, FRANCISCO BELTRÃO, PR, HOMENAGEM.
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