CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 295.3.55.O Hora: 14h45 Fase: PE
  Data: 05/10/2017

Sumário

Artigo Essa Gente Incômoda?, do artista Asaph Borba, sobre artigo do jornalista J. R. Guzzo intitulado Essa gente incômoda, publicado na revista Veja.

O SR. ROBERTO DE LUCENA (PV-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, eu assomo a esta tribuna e trago para este pronunciamento um texto que quero ler, pois entendo importante que conste nos Anais desta Casa, um artigo escrito por um jornalista, por um músico nacional e internacionalmente conhecido, chamado Asaph Borba.
Ele assim escreve:
Hoje li o artigo "Essa Gente Incômoda" de J. R. Guzzo na revista VEJA (4/10/2017) que expõe sua preocupação crítica acerca do crescimento dos evangélicos no Brasil.
Em primeiro lugar, como evangélico e jornalista, quero dizer que o artigo é muito mal escrito, pois é confuso em sua abordagem e, comete erros banais, como se referir ao público em questão com termos discriminatórios de raça e cor e ainda com uma conotação pejorativa. Esse povo em grande parte do "tipo moreno" ou "brasileiro" vem sendo visto com horror crescente pela gente (de) bem do Brasil, afirma Guzzo que no decorrer de sua análise ainda acrescenta outros adjetivos como "religião incômoda" e "problema sem solução," conclui.
Em segundo lugar o articulista não deixa claro quais são as pessoas de bem a quem os evangélicos tanto perturbam. Fico então a imaginar, quem são estes baluartes da honestidade e intelectualidade que estão perturbados pelo aumento da fé evangélica? Quem são os políticos preocupados com o aumento da bancada evangélica? Essa gente "de bem", por certo, são a elite que cuida e direciona a educação e a cultura brasileira é quer impor goela abaixo da população suas práticas liberais, contrárias à palavra de Deus, e que não são defendidas pelos evangélicos. Ou, talvez, fazem parte da máquina ideológica que governou e saqueou o Brasil, não apenas moralmente mas também economicamente nos últimos anos. Talvez os expoentes culturais brasileiros citados, que estão tão perturbados com os evangélicos, sejam os mesmos que não se importam com urna menina de 5 anos interagindo com um homem nu em uma exposição pública.
Essa elite, que segundo Guzzo, se preocupa com as contribuições feitas às Igrejas, deve ser a mesma gente de bem que se encontra lá no Congresso e Senado Nacional, compactuando em silêncio com os benefícios que a roubalheira lhes traz e que hoje sangra a nação. Desde o mensalão essa elite pensante, possivelmente loira de olhos azuis, já que os morenos estão nas igrejas, faz muito pouco pela nação pois, por certo, tem preocupações maiores: o crescimento dos evangélicos.
O artigo ignora por completo os muitos benefícios que o evangelho traz à sociedade. Principalmente quando se vê que está nas mãos desse segmento o maior número de casas de recuperação de drogados que tem um alto índice de recuperação, (entre os quais eu me incluo), assim como o trabalho intensivo de atendimento aos presidiários que também tem o protagonismo intenso de pastores e líderes. Para não falar em creches, asilos e trabalho beneficente e de atendimento a refugiados, nos quais os evangélicos estão também na vanguarda.
Quanto aos intelectuais citados no artigo que se preocupam com o crescimento da bancada evangélica, eles tem razão por se preocuparem mesmo, pois a bancada evangélica permanece firme em defender a moral, a fé, a família e os valores de honestidade e integridade que estão desaparecendo no Brasil, valores que parecem não serem lavados em conta pelo autor.
Entretanto a miopia do artigo sobre o assunto amplia-se quando declara: São o joio no meio do trigo. Há tanto joio nas igrejas evangélicas que fica difícil, muitas vezes achar o trigo. Essa afirmação, por certo, revela o total desconhecimento sobre o que realmente é a fé e quem são os crentes e seus pastores. Como em todo segmento, religioso ou não, existem pessoas com distorções de caráter e atitudes, mas, não se pode afirmar que a maioria das pessoas e líderes das igrejas, que hoje representam quase um terço da população nacional, são joio. Alem de um julgamento irresponsável, o escritor ignora os milhares de pastores íntegros e pobres, espalhados por todo o Brasil, que realizam a tarefa diária de pastorear, visitar, aconselhar, proteger, alimentar, vestir, amparar, orar, libertar, apoiar e ensinar milhões de pessoas. Sem falar das escolas evangélicas que por mais de cem anos prestam um serviço de educação pública de qualidade em todo o país.
O que se pode concluir ao analisar esse artigo é que o joio pode ser encontrado também no meio jornalístico!

Sr. Presidente, este é o registro que faço deste artigo escrito pelo Sr. Asaph Borba. Eu peço que este pronunciamento e este artigo sejam divulgados pelos meios de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil.
Concluo este pronunciamento reiterando aqui o meu respeito pelo grande e singular trabalho que toda a comunidade evangélica realiza em todo o território nacional, de norte a sul, de leste a oeste, desde as pequenas até as maiores cidades, os grandes centros urbanos, os distritos menores, nos mais distantes rincões da nossa Pátria, da nossa Nação, e não apenas em relação ao seu trabalho eclesiástico e missionário, mas no grande trabalho social que eles fazem como um fator de equilíbrio da sociedade.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Era o que eu tinha a dizer.
Que Deus abençoe o Brasil.
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas) - Acato o pedido de V.Exa., como acato também o pedido da Deputada Erika Kokay, para divulgar o discurso nos meios de comunicação da Casa.



ASAPH BORBA, JORNALISTA, MÚSICO PROFISSIONAL, ARTIGO DE PERIÓDICO, RÉPLICA, ARTIGO DE REVISTA, VEJA, J R GUZZO, AUTOR, IGREJA EVANGÉLICA, CRESCIMENTO.
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