CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 257.3.55.O Hora: 15h54 Fase: CP
  Data: 14/09/2017

Sumário

Confiança na superação da crise ética reinante no País.

O SR. ROBERTO DE LUCENA (PV-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que momento amargo este que todos nós brasileiros estamos atravessando. É um momento amargo, mas absolutamente necessário, indispensável, porque é de travessia: estamos deixando para trás um modelo de País para fazermos a passagem para outro modelo de País.
Aquelas imagens de malas abarrotadas de dinheiro que foram amplamente divulgadas por todos os veículos de imprensa mostravam dinheiro do povo brasileiro. Havia 51 milhões de reais em um apartamento em Salvador, na nossa querida Bahia. Aquelas são imagens que causam repulsa, ojeriza e que nos envergonham como classe política, revelando o nosso pecado coletivo. É impossível olhar para elas e, ao mesmo tempo, não nos lembrarmos de tantas necessidades que estão colocadas em todo o País, em áreas estratégicas como, por exemplo, saúde, que sofre com a falta de recursos.
No meu Estado de São Paulo, na Zona Leste da Capital paulista, nós temos o Hospital Santa Marcelina. Eu me lembro daquelas irmãs de caridade fazendo um esforço violento, impressionante, diariamente, para manter as portas abertas de instituição que é referência estadual, nacional e mundial, especialmente no que diz respeito à oncologia.
Eu estive no ano passado visitando esse hospital, de maneira especial, a pediatria - dentro da oncologia -, observando o tratamento que não apenas aquelas crianças recebem, mas seus parentes, seus familiares. Na oportunidade, eu empreendi um grande esforço, tanto para levar recursos estaduais de São Paulo quanto recursos federais, para apoiar, para auxiliar o grande trabalho desenvolvido por toda sua administração. Eu não tive sucesso porque faltam recursos - faltam recursos para a saúde!
É impossível olhar para aquelas malas abarrotadas de dinheiro - mais de 51 milhões de reais! - e não me lembrar do Hospital Santa Marcelina, do trabalho que faz, da falta de recursos. E, a exemplo dele, milhares de instituições sérias, como as Santas Casas, têm dificuldades para manter as portas abertas e servir à população, servir à sociedade.
Da mesma forma que essa imagem causa repulsa, revolta, indignação, Sr. Presidente, fico imaginando o sentimento da sociedade brasileira, daqueles que não estão militando e atuando no ambiente político, que veem negados os seus direitos de acesso a uma segurança pública de qualidade, a uma saúde pública de qualidade, a uma educação pública de qualidade - a frustração, a revolta, a indignação.
A imagem que foi veiculada nesses últimos dias do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, num boteco em Brasília, atrás de engradados de bebidas alcoólicas, numa reunião com o advogado da JBS, causa o mesmo sentimento de que nós estamos efetivamente, de fato, num momento crucial para o País. A sociedade brasileira não aceita, não admite mais esse formato, esse modelo nacional.
Há aspiração crescente de que nós façamos logo essa travessia e deixemos no retrovisor da história este País com histórias mal explicadas, onde a corrupção se tornou um estilo de vida, uma opção, o modus operandi. É preciso união nacional. É preciso que esta Casa faça um esforço e dê as mãos por cima dos muros e que nós efetivamente deixemos de ter lados que não sejam os do povo brasileiro - existem os diversos lados.
O que nós vemos são aqueles corruptos de estimação sendo blindados e protegidos por um determinado grupo que diz: "No meu criminoso de estimação ninguém toca. Se mexer com ele, mexe comigo". E outro grupo diz: "Mas no meu ninguém toca". Nós chegamos a um ponto em que ou nós encaramos a necessidade de compreender que ninguém neste País pode ser tratado de maneira diferente, pode estar acima da lei, fora do alcance da Justiça, ou vamos lançar por terra o pouco que resta da expectativa, dos anelos, dos anseios daqueles que ainda têm um raio de esperança de que este possa ser um País melhor.
E, frustrado, desapontado e sem esperança, um povo se torna uma força descontrolada. É preciso chamar a atenção para isso. É preciso ter consciência de que há um lado que precisamos eleger como nosso: o lado do povo, da sociedade, da Justiça, da verdade.
Por isso, ilustre Deputado Cleber Verde, nós precisamos fazer juntos esta travessia, dar as mãos por cima dos muros, eleger a corrupção a inimiga número 1 do Brasil e desta Casa e reavivar nosso compromisso com o Brasil que queremos ser, com a Nação que queremos oferecer como legado para aquelas gerações que nos olham esperando atitudes diferentes das que tivemos aqui, vergonhosas, durante esta semana, principalmente ao longo do dia de ontem, quando discutimos uma reforma política absolutamente fora de sintonia com os verdadeiros anseios e com as expectativas da sociedade.
Eu finalizo este meu pronunciamento, Sr. Presidente, dizendo que o Brasil ainda nos olha, que o Brasil ainda aguarda que haja o mínimo de responsabilidade, o mínimo de bom senso e de decência nesta Casa. Que os membros deste Parlamento, que a cada semana voltam para suas bases para dar satisfação ao seu povo, à sociedade, possam fazê-lo sem ter que abaixar a cabeça, sem ter que abaixar envergonhadamente o seu olhar. Que esta Casa mantenha de maneira altaneira a sua cabeça erguida, a sua postura digna e faça valer e honrar a história do Parlamento Nacional.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Era o que eu tinha a dizer.
Que Deus abençoe o Brasil!
O SR. PRESIDENTE (Genecias Noronha) - Parabéns, Deputado.



CRISE, ÉTICA SOCIAL, CRISE POLITICA.
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