CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 247.3.55.O Hora: 14h51 Fase: PE
  Data: 06/09/2017

Sumário

Perplexidade ante o montante de dinheiro apreendido pela em Salvador, Capital do Estado da Bahia. Necessidade de investigação das circunstâncias da delação de empresários da JBS. Solicitação ao Supremo Tribunal Federal de divulgação dos nomes dos membros da Corte citados por empresários da JBS em gravação entregue à Procuradoria-Geral da República.

O SR. ROBERTO DE LUCENA (PV-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, às vésperas do Dia da Independência do Brasil, imagens horríveis, degradantes e vis de 51 milhões de reais em malas e caixas sendo apreendidos pela Polícia Federal no dia de ontem em Salvador, na Operação Tesouro Perdido, foram divulgadas nos mais diversos veículos de comunicação nacional.
As imagens provocam a nossa indignação, revolta e vergonha, especialmente, Deputado Décio Lima, quando nos lembramos de que temos uma enorme falta de recursos, tanto na saúde quanto em outras áreas estratégicas.
Lá em São Paulo, por exemplo, na Zona Leste, o Hospital Santa Marcelina, que faz um trabalho extraordinário e é referência nacional, especialmente em relação à oncologia, faz um esforço impressionante a cada mês, numa luta das irmãs que dirigem aquela instituição, para viabilizar os atendimentos. É uma luta diária!
Quando nós pensamos nisso e nas multidões de doentes nos corredores dos hospitais pelo Brasil, as cores daquelas imagens saltam, parecem mais vivas, ficam mais fortes, ficam mais gritantes. Isso precisa acabar no nosso País.
Às vezes, bate uma estranha sensação de desalento, uma sensação de que nós jamais venceremos a corrupção no Brasil, mas nós já superamos muitas etapas, temos importantes conquistas. E eu tenho certeza de que não apenas a corrupção, mas a cultura da corrupção será vencida, será debelada nessa geração, como conquista, como legado que nós, por obrigação, temos o dever de entregar para as próximas gerações.
Aliás, Sr. Presidente, esta foi uma semana bastante movimentada. O pronunciamento do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, na última segunda-feira, dia 4, trouxe revelações seriíssimas e desconcertantes.
Em primeiro lugar, indica uma precipitação do Procurador em relação à condução que deu ao caso, sem a conclusão do ciclo perfeito de apurações. Como eu disse durante o processo de votação da denúncia contra o Presidente da República, não se tratava de uma acusação corriqueira, pois um Presidente, quando investigado por crime comum, transforma-se automaticamente em réu. E S.Exa. deixou claro que foi enganado pelos delatores. Havia ali colocadas meias verdades, que S.Exa. se apressou em transformar em flechas para atirar no Brasil.
Em segundo lugar, eu não consigo entender como o Procurador-Geral da República, talvez o homem mais bem informado do País, não soubesse que o seu assessor especial, o seu homem de confiança, fiel depositário de informações privilegiadas da Operação Lava-Jato, era, na verdade, um operador da JBS.
Esse senhor, Marcelo Miller, que gozava da mais estrita confiança do Dr. Janot, pediu exoneração de seu cargo 45 dias antes da delação dos irmãos Batista, renunciando, assim, a uma das mais cobiçadas carreiras do serviço público, para se tornar advogado da JBS, o que, na verdade, ele já era, quando ainda militava no Ministério Público, o que só ficamos sabendo agora com essas novas gravações.
Diante disso, durante o debate que envolveu a denúncia contra o Presidente da República, eu disse e repito agora que o Presidente Temer deve ser investigado e julgado pela denúncia oferecida, como qualquer cidadão deve responder pelos seus atos, mas defendi e continuo defendendo que isso só aconteça após o fim do seu mandato, quando acaba o seu foro privilegiado, em pouco mais de 1 ano, ocasião em que ele deverá se explicar à Justiça, provavelmente ao Juiz Sergio Moro, se for o caso.
Sr. Presidente, quero também que o Dr. Janot se explique, que seja investigado e sejam esclarecidas as reais circunstâncias desse lamentável episódio, pois esses últimos acontecimentos colocaram em dúvida e em xeque não somente a delação da JBS: também o Procurador Janot foi colocado sob suspeição. Eu, na verdade, já havia cobrado desta tribuna que ele se explicasse em relação a esses dois pontos que aqui coloquei.
Concluindo este meu pronunciamento, espero que nos próximos dias tenhamos publicada pelo STF a lista dos Ministros citados nesses últimos áudios, assim como também, Sr. Presidente, tenhamos publicados todos os áudios que envolvem esse caso. Isso não é um passeio no parque. Nós temos que ter muita responsabilidade. É um momento sério, um momento grave, um momento de passagem: deste País que nós somos, para a Nação que devemos e queremos ser. Esta Casa tem obrigação moral com a sociedade. Nós precisamos cobrar do STF essa clareza, essa transparência.
Eu peço, Sr. Presidente, aos nobres pares que envidemos os esforços e nos unamos em torno disso, para que não haja dúvida e que os fatos sejam clareados, esclarecidos, isso tudo por amor ao Brasil.
Era o que eu tinha a dizer.
Que Deus abençoe o Brasil! Feliz Dia da Independência!
O SR. PRESIDENTE (Leo de Brito) - Obrigado, Deputado Roberto de Lucena.



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