CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 244.2.52.O Hora: 13h6 Fase: GE
  Data: 12/11/2004

Sumário

Outorga da Medalha do Mérito Dom João VI - Prêmio Nacional da Imprensa Brasileira, a personalidades do Brasil e do Japão, ao ensejo de realização de solenidade em homenagem à imigração japonesa.

O SR. NICIAS RIBEIRO (PSDB-PA. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero registrar nos Anais desta Casa o recente e importante evento que marcou antecipadamente as comemorações da imigração japonesa no Brasil e que estará completando o seu centenário em 2008.
Numa iniciativa da Federação Nacional da Imprensa/Federação das Associações de Imprensa do Brasil (FENAI/FAIBRA) e Associação da Imprensa do Distrito Federal (AIDF) com o apoio institucional do Instituto Brasileiro de Estudos Governamentais (IBEG) e Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos (IBEM Nacional), aconteceu no último dia 14 de outubro, no Auditório Nereu Ramos, desta Casa, a outorga do Mérito Dom João VI - Prêmio Nacional da Imprensa Brasileira na solenidade que homenageou todo o povo japonês, principalmente os que para aqui emigraram durante os quase últimos 100 anos e também esse importante país amigo e irmão, o Japão.
O Mérito Dom João VI - Prêmio Nacional da Imprensa Brasileira também teve como objetivo reconhecer personalidades japonesas e brasileiras que atuam em suas respectivas áreas profissionais e institucionais e que estão contribuindo para o desenvolvimento, progresso e aprimoramento do ser humano, como indivíduo, e da humanidade.
Todas as personalidades contempladas foram indicadas ao Conselho Superior para a outorga do Prêmio Nacional da Imprensa Brasileira - Mérito Dom João VI, única e exclusivamente pelos seus méritos pessoais.
Para esse evento poucas e seletas personalidades, brasileiras e japonesas, foram escolhidas pela sua atuação em âmbito mundial, em um evento que, repito, abriu antecipadamente as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, que teve início em 1908, num acordo entre os Governos do Brasil e Japão.
Quero também deixar registrado os meus cumprimentos ao jornalista J. H. de Oliveira Júnior, Presidente da FENAI/FAIBRA e da Associação da Imprensa do Distrito Federal e Diretor Superintendente e de Redação da ABN Agência Brasileira de Notícias, por tão feliz iniciativa, promovendo significativo evento que sem dúvida alguma contribuirá mais ainda para fortalecer os laços que nos unem ao Japão.
Registro ainda a presença, na solenidade de outorga do Mérito Dom João VI, de sua Alteza Imperial e Real o Príncipe D. Antônio de Orleans e Bragança, representando a família imperial brasileira.
Sua Alteza Real D. Antonio João Maria José Jorge Miguel Rafael Gabriel Gonzaga de Orleans e Bragança (nascido em 24 de junho de 1950) é o sétimo filho de Sua Alteza Imperial e Real Príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança (Chefe da Casa Imperial do Brasil até 1981, ano do seu falecimento) e de Sua Alteza Imperial e Real Princesa D. Maria de Baviera de Orleans e Bragança, é bisneto da Princesa Isabel, trineto de D. Pedro II, tetraneto de D. Pedro I e irmão e segundo sucessor de Sua Alteza Imperial e Real Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil.
Assim, por linha paterna, descende o Príncipe D. Antônio dos monarcas da Casa de Bragança, que reinaram em Portugal de 1640 a 1910 e, no Brasil, de 1822 a 1889. Ainda pela mesma linha, provém ele da Casa Real da França, unida à Casa Imperial do Brasil pelo casamento do Príncipe Gastão de Orleans, Conde d'Eu com a Princesa Isabel. Por linha materna é bisneto do Rei Luiz III da Baviera, da Casa Real de Wittelsbach, uma das mais antigas da Europa.
Brasileiro, nascido no Rio de Janeiro a 24 de junho de 1950, casou-se em 25 de setembro de 1981 com Sua Alteza D. Cristina de Ligne, nascida em Beloeil (Bélgica) em 11 de agosto de 55, filha do Príncipe Antônio de Ligne e da Princesa Alice de Luxemburgo. Do feliz matrimonio nasceram 4 filhos: D. Pedro Luiz, D. Amélia, D. Rafael e D. Maria Gabriela.
É diplomado em Engenharia Civil, área de Projetos de Grandes Estruturas, pela Universidade de Barra do Piraí, ligada ao complexo da Companhia Siderúrgica Nacional, em 1976. Nas artes plásticas é reconhecido pela exigente crítica internacional como exímio aquarelista com perfeito domínio nessa difícil técnica das aquarelas.
Sr. Presidente, ainda na solenidade de outorga do Mérito Dom João VI, proferimos discurso em que lembramos aquele dia 28 de abril de 1908, em que 781 japoneses partiram de Kobe, no Japão, a bordo do navio a vapor Kasato Maru, tendo a maior parte dos japoneses saído das cidades de Okinawa, Kagoshima, Fukushima e Hiroshima. Chegaram ao porto de Santos em 18 de junho de 1908, após 52 dias de viagem.
Depois desses pioneiros, milhares de imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, contribuindo para o desenvolvimento e progresso do Brasil e o fortalecimento dos laços entre as duas importantes nações.
O prêmio.
D. João VI, um rei a ser descoberto e que mudou a colônia.
O segundo filho da rainha de Portugal, D. Maria I, Princesa do Brasil, com seu tio-marido D. Pedro III foi D. João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antonio Domingos Rafael. Em 13 de maio de 1767, no Palácio Real da Ajuda, próximo a Lisboa, nasceu aquele que seria um dia D. João VI, tendo por padrinho de batismo o rei da França, Luís XV. Com a morte prematura de seu irmão mais velho, José (1788), passou à sucessão direta do trono português.
Aos 18 anos casou-se com D. Carlota Joaquina, de 10 anos, filha do Rei Carlos IV de Espanha. No conturbado casamento foram gerados 9 filhos, entre eles D. Pedro e D. Miguel, respectivamente soberanos no Brasil e em Portugal.
A enfermidade da rainha Maria I levou-o, em 15 de julho de 1799, ao título de Príncipe Regente, após 7 anos de governo como herdeiro da Coroa. Ao saber que as tropas francesas, comandadas pelo Gen. Junot, avançavam pelo interior de Portugal, tomou a decisão de trazer para o Brasil, em 1807, a Capital do reino.
A resolução da transferência da corte para o Brasil manteve intacto o poder soberano dos Braganças, evitando que ocorresse em Portugal o mesmo que na Espanha e em outros reinos, onde os governantes foram feitos reféns do Imperador Napoleão.
Segundo Maria Beatriz Nizza da Silva é "difícil saber ao certo quantas pessoas aportaram em Salvador e no Rio de Janeiro". A esquadra, composta de 8 naus, 3 fragatas, 2 briques, uma escuna e uma charrua de mantimentos, além de 21 navios comerciais, trouxe a família real, ministros, auxiliares, a corte e tudo que puderam organizar nos 2 meses que antecederam a partida de Lisboa para o Brasil.
Chegaram à Bahia em 23 de janeiro de 1808, onde permaneceram por quase um mês. A estada foi marcada pela assinatura, em 28 de janeiro, da carta régia que determinava a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior. Em 7 de março de 1808, ancoravam na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, onde permaneceram até 26 de abril de 1821. Iniciava-se uma nova fase na história do Brasil e de Portugal.
A abertura dos portos, o livre comércio, a introdução de hábitos culturais e industriais, a criação de importantes instituições como a Imprensa Régia, a Real Junta de Comércio e as Academias modificaram definitivamente o perfil do país-colônia, com a introdução de novas forças sociais.
Vinda da corte alterou traçado urbano do Rio de Janeiro.
Pintura anônima da morena rainha espanhola, que tinha temperamento forte e apaixonado, mas não era nada bela, trazendo no peito um medalhão com a imagem do marido.
A presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro alterou o panorama do cotidiano da cidade que expandiu o traçado urbano, introduziu novos estilos arquitetônicos e apresentou à sociedade uma maneira cosmopolita de viver. Entre saraus, festas, apresentações teatrais, efervescia a vida política, social e cultural. De 1808 a 1821, foram recriadas na colônia americana as instituições portuguesas que permitiram o funcionamento do Estado português, confirmando a citação de Oliveira Lima de que "o regente e rei D. João VI veio criar e realmente fundou na América um império".
Em 1820, eclodiu, no Porto, a revolução liberal que provocou o regresso da corte em 1821. D. João VI governou até sua morte, no dia 10 de março de 1826, com quase 59 anos. Ao regressar a Portugal deixou no Brasil seu filho Pedro, que no ano seguinte proclamaria a independência da colônia.
D. João VI, o rei que amou o Brasil e lançou as bases para emancipação política brasileira, é pouco conhecido de uns e mal compreendido por outros. O marquês de Caravelas, em 1826, discursando no Senado, por ocasião da morte do Rei disse: "nós todos que aqui estamos temos muitas razões para nos lembrarmos da memória de D. João VI, todos lhe devemos ser gratos pelos benefícios que nos fez: elevou o Brasil a reino, procurou por todos o seu bem, tratou-nos sempre com muito carinho e todos os brasileiros lhe são obrigados".
Os homenageados.
Entre outras importantes personalidades, nipônicas e brasileiras, destaco as seguintes pessoas que receberam o importante Mérito Dom João VI - Prêmio Nacional da Imprensa Brasileira:
Akio Miyake - Projetos de Desenvolvimento Ambiental Sustentável no Japão e na Amazônia Brasileira;
Dan Yano - Advisor to Yano Economic Research Institut;
Fujio Cho - Presidente Mundial da Toyota Motor Corporation;
Hiroshi Okuda - Presidente da Nippon Keizai Rengookai - Keidanren;
Hiromichi Toriba - Diretor Presidente da Doutor Coffee Co. Ltd.;
Juni-chi Nishizawa - Presidente da Iwate Prefectual University;
Seiji Ozawa - Músico e Maestro Sinfônico da Kajimoto Concert Management Co. Ltd.;
Mari Fujita - Presidente da Verite Japan Co. Ltd. e Chefe Regional da FSUN Fundation for the Support of the United Nations, Inc.;
Shinji Kumazawa - Projetos de Desenvolvimento Ambiental Sustentável no Japão;
Takeshi Umehara - Advisor of the International Research Center for Japanese Studies;
Yoshiko Ishikawa - Projetos de Desenvolvimento Ambiental Sustentável no Japão;
Hiroshi Miyashite - Projetos de Desenvolvimento Ambiental Sustentável no Japão;
Yasuko Numura - Projetos de Desenvolvimento Ambiental Sustentável no Japão;
In memoriam: Akira Kurosawa - Obra cinematográfica.
Homenageados pela atuação política, educacional, cultural e ambiental no Brasil:
Geraldo Caetano Amado - Atuação Parlamentar na ALERJ (Assembléia/RJ);
Joaquim Roriz - Governador do DF (Projetos rodoviários e urbanísticos no Distrito Federal);
Simão Jatene - Governador do Pará (Projeto de Desenvolvimento na Amazônia/Pará);
Marcelo Crivella - Senador da República (Projeto Nordeste pelo Desenvolvimento do Sertão Brasileiro);
Paulo Octávio - Senador da República (Programa de TV Emprego & Educação/Brasília/DF);
Juvêncio da Fonseca - Senador da República (Atuação Parlamentar no Congresso Nacional);
Nicias Ribeiro - Deputado Federal (Projetos de Desenvolvimento para a Amazônia e Atuação Parlamentar no Congresso Nacional);
Luciano Piquet - Atuação na área de Meio Ambiente e Tecnologia de Cartuchos Remanufaturados.
Homenageados pela atuação na imprensa:
Adiles do Amaral Torres - Diretora Presidente de O Progresso (MS);
Álvaro Teixeira de Costa - Presidente do Correio Braziliense;
Ana Cláudia Badra - Diretora Presidente da revista Foco Goiás;
Ari Cunha - Vice-Presidente do Correio Braziliense;
Bernadete Alves - Apresentadora do Programa Brasília na TV;
Eduardo Lopes - Projetos Editoriais e Jornalísticos (Diretor-Geral da Universal Produções);
Eugênio Bucci - Presidente da RADIOBRÁS;
Ercy Pereira Torma - Presidente da Associação Riograndense de Imprensa;
Fernando Soares - Presidente da Associação de Imprensa do Estado do MS;
Hugueney Bisneto - Colunista do Correio e Apresentador do Programa Hugueney Bisneto (TV CBTC do Grupo Algar);
Joezil Barros - Diretor-Presidente do Diário de Pernambuco;
Jerônimo Alves - Diretor do Hoje em Dia e Diretor-Geral da EDIMINAS S/A;
Jorge Saldanha - Colunista de Plenitude, Assessor Especial da Universal Produções;
Lúcia Batista Di Garófalo - Presidente da Brasília Super Rádio FM;
Luismar Rocha - Presidente da Associação de Imprensa do Sudoeste de Goiás;
Natal Furucho - Projetos Editoriais e Jornalísticos (Presidente da Rede Record/RJ);
Neuza Orlando - Diretora de Projetos Especiais e Colunista da Foco;
Reinaldo Gilli - Diretor-Presidente do Hoje em Dia e da Rede Record de Televisão
Romeu Anelli - Presidente da Associação Paulista de Imprensa;
Samuel Celestino - Presidente da Associação Bahiana de Imprensa;
Wanderval Calaça - Apresentador do Programa Via Brasília;
Wilma Magalhães - Diretora Presidente da Revista W.
In memoriam:
Mário Garófalo - Ex-Presidente da Associação da Imprensa do DF;
Jonatra Macedo - Ex-Presidente da Associação da Imprensa do DF.
Muito obrigado.



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