CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 211.2018 Hora: 17h36 Fase: BC
  Data: 09/10/2018

Sumário

Não eleição do orador para o Senado Federal. Contentamento com a reeleição dos Deputados Luiza Erundina e Glauber Braga. Apoio do PSOL à eleição do Sr. Fernando Haddad no segundo turno das eleições presidenciais. Necessidade de extinção de manifestações de truculência, violência e ódio na política brasileira. Defesa de realização das reformas política e tributária.

 O SR. CHICO ALENCAR (PSOL - RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Presidente Manato.
Caros colegas, eu venho aqui em uma condição dúbia: de tristeza e de alegria.
Estou vivendo os últimos 3 meses, 4 meses como Deputado Federal nesta Casa após quatro mandatos que o povo do Rio de Janeiro generosamente me concedeu. A tristeza é porque, na disputa para o Senado, aqueles 1.281.373 votos - é muito honroso para quem teve 7 segundos de televisão e pouco mais de 200 mil reais para a campanha - não foram suficientes para que eu ocupasse uma cadeira lá no Senado. Mas essa derrota real - eu não gosto de autoilusão, de autoengano - não elide, não esconde a minha profunda alegria de fazer parte de um processo coletivo.
Alegra-me ver a nossa decana Luiza Erundina mais uma vez trazida para esta Câmara, com sua história de vida, sua luta, sua capacidade, seu compromisso com o povo, com uma votação muito expressiva. Na outra pronta está o Glauber, que não será o mais jovem da nossa bancada, que terá dez Parlamentares aqui na Câmara dos Deputados, mas que também foi reeleito.
Isso me alegra. Eu estou absolutamente representado, não farei a menor falta nesta Casa. A nossa bancada me representará assim como todo o povo que nela votou com sobra. Superamos a cláusula de barreira, superamos todas as dificuldades, inclusive a tremenda e avassaladora onda conservadora, reacionária e regressista que toma conta do País, agora legitimada pelo voto.
Neste segundo turno, é claro que o PSOL somar-se-á ao polo democrático, progressista. Queremos que Haddad assuma, com uma fisionomia própria dele e dessas forças todas. Dizem que segundo turno é uma nova eleição. Portanto, uma nova eleição tem que significar nova coalizão de forças, propostas para o Brasil contra o regresso conservador, ultramilitarista, penalista, homofóbico, reacionário.
O Brasil precisa de ares democráticos. Eu senti na eleição de domingo, pelo menos no Rio de Janeiro, que não havia aquele elemento da esperança. A conquista do voto para a nossa geração foi muito penosa, custou luta contra a ditadura, contra a censura, contra a tortura, o que alguns insistem em elogiar. Isso é patético! Votar para Presidente foi sobretudo uma conquista muito forte para a minha geração, foi a superação daquela página infeliz da nossa história, que não pode virar passagem desbotada na memória das novas gerações.
Eu senti mais um clima de raiva, de ódio e muito voto de protesto, canalizado para Bolsonaro, no seguinte sentido: "Vamos quebrar tudo, vamos deixar tudo arrasado". Eu temo, inclusive, pela composição da Câmara dos Deputados, ainda emanada das urnas, com muita gente que tem mais a linguagem da truculência. Por exemplo, quebrar uma placa com o nome de Marielle Franco e exibi-la como troféu é algo, no mínimo, desumano, uma ofensa à memória das pessoas. Temos que ter respeito pelos vivos e pelos mortos.
Matar a facadas o mestre Moa do Katendê, Deputado Nelson Pellegrino, a partir de uma discussão política, é inaceitável.
Esse quadro, esse clima não pode prosseguir no Brasil. Nós não vamos aceitar que a força dos argumentos seja substituída pelo argumento da força. Não podemos entender como tanta gente considera normal fazer elogio a um general torturador, como o Brilhante Lustra, ou se dizer contra a corrupção e elogiar aqui, por exemplo, aquela figura do Eduardo Cunha - menos mal, não elegeu a filha. Aliás, outros genitores presos lançaram a candidatura de seus filhos nessas eleições. O povo fez, de alguma maneira, certa justiça. Nós consideramos muito insuficiente. Nossa democracia continua de baixa intensidade, com uma desigualdade profunda, tanto em relação aos recursos, inclusive de origem pública, quanto ao tempo de TV e rádio.
Precisamos de uma profunda reforma política - espero que a próxima legislatura tenha condições de fazê-lo -, bem como de uma reforma tributária radical, pois rico não paga imposto neste País. Nós temos uma democracia de baixa intensidade, inclusive do ponto de vista econômico. Sete de cada dez famílias continuam ganhando apenas 2 salários mínimos e 53% dos impostos do bolo tributário no País é oriundo daqueles que ganham até 3 salários mínimos. Há algo de muito errado nas estruturas administrativa, econômica, tributária e política do Brasil.
Encerro trazendo esperança. Entre as milhares de mensagens que recebi, chegou a mim uma de Cora Coralina, do nosso Estado de Goiás, que diz: "Desistir... eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça".(O orador se emociona.)
Assim ensejamos a luta. Vamos prosseguir, continuar alimentando esperança. Uma nação constrói-se com projeto utópico do vir a ser, da igualdade, da justiça e da paz. O nosso móvel tem que ser: povo organizado e consciente e esperança em dias de justiça e em um tempo de mais delicadeza.
Muito obrigado, Sr. Presidente.


FALTA, ELEIÇÃO, CHICO ALENCAR, DEPUTADO FEDERAL, CANDIDATO, SENADO FEDERAL. REELEIÇÃO, LUIZA ERUNDINA, DEPUTADA FEDERAL. APOIO, PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE (PSOL), FERNANDO HADDAD, CANDIDATO, PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. REPÚDIO, VIOLÊNCIA, CAMPANHA ELEITORAL.
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