CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 181.3.55.O Hora: 9h24 Fase: BC
  Data: 06/07/2017

Sumário

Histórico da representação política no Estado da Paraíba. Excelência da administração do Governador Ricardo Coutinho. Renovação do perfil dos Parlamentares paraibanos.

O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a representação política na Paraíba é historicamente marcada pela hegemonia de algumas famílias, um fenômeno que tem raízes no século XIX, desde a época do Império, pelo menos.
As recentes vitórias eleitorais e os exitosos governos de Ricardo Coutinho na capital paraibana e no Estado da Paraíba são pontos fora da curva, numa linha de tempo dominada pelo "familismo" político.
O desempenho político e governamental de Ricardo Coutinho simboliza um ponto de inflexão na trajetória do povo paraibano, para ensejar uma política nova, um projeto que é sinônimo de cidadania, mas que ainda não se consolidou plenamente.
A propósito, o livro A Política como Negócio de Família, de autoria do Professor José Marciano Monteiro, da Universidade Federal de Campina Grande - UFCG, é bem elucidativo, ao atualizar uma abordagem sociológica das articulações entre o poder político familiar e o capital econômico e cultural no Estado da Paraíba.
A obra do Professor Marciano revela como, mesmo nas recentes décadas de redemocratização do País, entre 1985 e 2014, no nosso Estado prevaleceu o continuísmo da política da parentela, por exemplo, no Parlamento, mas não só.
A pesquisa feita por Marciano Monteiro esmiunça os complexos mecanismos que entrelaçam formas modernas de exercício do poder e forças políticas arcaicas, negócios de família entranhados em amplos espaços do Estado, no Poder Executivo, no Tribunal de Contas, nos partidos políticos e na mídia.
Verdade seja dita, essa situação não é exclusiva da Paraíba. Em outros Estados que também tiveram ou têm governos progressistas, do campo democrático e popular, a política elitista, de base familiar continua em evidência.
O período de 3 décadas de redemocratização do Brasil não foi suficiente para renovar as práticas políticas como um todo. A redemocratização, abalada com o golpe político ainda em curso, não logrou alcançar o Poder Legislativo, que na Paraíba é largamente dominado por políticos golpistas, representantes dos interesses de suas respectivas famílias e do poderio econômico.
A postura de ¾ da bancada de Deputados Federais e de 100 % da bancada de Senadores da Paraíba, dando sustentação ao golpe contra a democracia brasileira, é um retrato concreto e acabado da natureza política da nossa elite local. Praticamente os mesmos Deputados Federais e Senadores que levaram Michel Temer ao poder, por vias tortuosas, dão apoio aos golpes contra os direitos trabalhistas, contra a previdência pública, contra o combate à corrupção.
Nesse sentido, Sr. Presidente, o eleitorado paraibano, que tão bem soube escolher em duas eleições consecutivas, um governante para efetuar mudanças tão importantes no nosso Estado, não soube, porém, efetivar mudanças mais amplas na representação estadual e nacional.
A Paraíba, a essa altura do caminho, num cenário nacional bastante crítico, ainda consegue avançar, principalmente pelas intervenções do Governo do Estado, através de políticas públicas desenvolvimentistas, que ampliam a infraestrutura, os serviços públicos e a geração de empregos.
Mas, no caminho que a Paraíba está construindo, as forças conservadoras, golpistas, corruptas, elitistas, da velha política da parentela continuam vivas e com o propósito de retomar os espaços recentemente perdidos para a política progressista.
A Paraíba faz o seu estradar, mas o povo paraibano ainda não está livre das encruzilhadas. Grande parte do caminho da cidadania e da dignidade já foi percorrida, apesar das forças reacionárias que contrapesam a democracia e política desenvolvimentista.
A Paraíba aproxima-se de um novo desafio: saltar à encruzilhada e seguir em frente. Ir adiante e fazer mais e melhor. A mudança que começou no Poder Executivo precisa ser ampliada.
A Paraíba precisa de uma grande renovação na sua representação parlamentar. Além de dar continuidade a um governo operoso, que prioriza as políticas públicas para a imensa maioria da população, é imperativo mudar a composição das bancadas legislativas, não apenas para se livrar dos que são acusados de corrupção - isto é ponto de partida - mas para desalojar os golpistas dos espaços do poder público.
A mudança tão efetiva, tão concreta, tão exemplar no poder executivo estadual deve contagiar as paraibanas e os paraibanos, para dar um basta às castas do familismo político e do poder econômico.
Em um momento tão grave da história do nosso País, está ficando menos difícil para o povo separar o joio do trigo. Está ficando menos difícil discernir quem representa quem, na Assembleia Legislativa e, principalmente no Congresso Nacional.
Queremos mais mudanças.
Sr. Presidente, eu peço que este pronunciamento seja dado como lido e divulgado pelos meios de comunicação da Casa, inclusive no programa A Voz do Brasil.



RELEVÂNCIA, ELEIÇÃO, RICARDO COUTINHO, GOVERNADOR, PARAÍBA, QUEBRA, HISTÓRIA, ATIVIDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA, ESTADO (ENTE FEDERADO), CARACTERÍSTICA, HERANÇA, FAMÍLIA. COMENTÁRIO, LIVRO, AUTORIA, JOSÉ MARCIANO MONTEIRO, PROFESSOR, UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE (UFCG), RELAÇÃO, PODER ECONÔMICO, CULTURA, VÍNCULO FAMILIAR, PARAÍBA.
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