CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 171.3.55.O Hora: 12h10 Fase: OD
  Data: 28/06/2017

Sumário

Incompetência político-administrativa do Governo Michel Temer. Deterioração da economia e corrupção como marcas da gestão do Presidente da República. Contrariedade às propostas governamentais de reformas trabalhista e previdenciária. Envolvimento do Mandatário da Nação em denúncias de corrupção passiva e obstrução da Justiça.

O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero pedir que seja considerado como lido pronunciamento em que mostro que há mais de 1 ano o Brasil está numa situação desesperadora, com este Governo golpista que só faz maldades e crueldades.
Agora, diante das denúncias que foram feitas pelo Ministério Público Federal, esperamos que esta Casa autorize a continuidade do processo e que este Presidente golpista e usurpador seja afastado do cargo.
Muito obrigado.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desde que Michel Temer assumiu a Presidência do País, há mais de 1 ano, o Brasil só andou para trás. Não chega a ser impressionante a sequência de iniciativas violadoras de direitos, antidemocráticas e que prejudicam as classes mais pobres dos brasileiros patrocinadas pelo atual Governo, pois sempre soubemos quais eram as reais pretensões do grupo que comandou o golpe parlamentar que retirou a Presidenta Dilma Rousseff do Palácio do Planalto, mas é com estarrecimento e inconformismo que vemos as novas feridas que estão sendo abertas na nossa história em decorrência da ilegitimidade, da incompetência e da falta de escrúpulos do Mandatário da Nação e da sua equipe governamental.
Apoiadores do golpe argumentavam que era necessário afastar o Partido dos Trabalhadores do Governo para que a crise econômica não se agravasse e para eliminar a corrupção da esfera política. O que temos após mais de 1 ano de governo ilegítimo? Uma crise econômica ainda pior que as dos anos anteriores e um Presidente da República acusado de corrupção e de comandar, há anos, um esquema de recebimento e distribuição de propinas para abastecer contas pessoais e do seu partido, o PMDB.
Os governistas alardearam como grande conquista o pífio crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre deste ano. Tentaram empurrar a ideia de que o Brasil estaria voltando para uma trajetória de crescimento. No entanto, nem mesmo o mercado e os analistas financeiros que sempre apoiaram a política econômica de Temer acreditam que a recuperação esteja dando seus primeiros sinais. Muitos setores ainda apresentam números negativos. E pairam dúvidas sobre o comportamento da economia nos próximos meses, especialmente depois do terremoto político provocado pelas delações dos donos da JBS envolvendo o Presidente Michel Temer.
Continuamos sob risco de estagnação ou de recessão ainda mais prolongada. E quem está sentindo com mais rigor essa crise é o trabalhador assalariado, é o pobre. Com mais de 14 milhões de desempregados, o Brasil alcançou, no primeiro trimestre deste ano, nível recorde de pessoas fora do mercado de trabalho, segundo o IBGE.
E ainda querem insistir na aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, que vão tolher direitos e garantias da classe trabalhadora, precarizar os empregos e reduzir o acesso dos brasileiros a aposentadorias, pensões e auxílios sociais.
Ao tirar o PT do Governo, instituiu-se um mandato de oligarcas para as elites que detêm o capital financeiro nacional nas mãos. Para eles, crise econômica está longe de ser sinônimo de miséria, sofrimento e desespero. Enquanto isso, o fosso social que separa ricos de pobres volta a se aprofundar, a violência cresce e a qualidade dos serviços públicos essenciais, como saúde e educação, cai.
O Presidente Michel Temer não tem mais condições de governar, provou-se incompetente para propor e conduzir políticas de que o povo realmente necessita e agora se vê obrigado a se defender das duras e consistentes acusações de envolvimento em esquema de corrupção que lhe pesam.
A Polícia Federal, num inquérito que está prestes a ser concluído, já levantou provas periciais e testemunhais que apontam o envolvimento de Temer em crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. Diante da possibilidade de se defender, o Presidente preferiu se silenciar e se recusou a responder às perguntas da PF. Ora, Sras. e Srs. Deputados, quem não tem como se comprometer com ilicitudes em investigação não tem motivos para não colaborar com o inquérito.
É lamentável o atual momento do nosso Brasil. Contudo, sigo confiante na força, na resiliência e na disposição do povo para lutar por mudanças, por melhorias, pela recomposição da democracia e pela verdadeira justiça contra os malfeitores que insistem em oprimir e explorar os mais necessitados.
Era o que tinha a dizer.


GOVERNO, MICHEL TEMER, PRESIDENTE DA REPUBLICA, CRISE ECONOMICA, CRISE POLITICA, DENUNCIA, CORRUPÇÃO PASSIVA, OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA.
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