CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 152.4.55.O Hora: 13h28 Fase: BC
  Data: 13/06/2018

Sumário

Elevação dos índices de violência registrados no Estado do Acre. Necessidade de fortalecimento dos serviços de vigilância nas regiões fronteiriças do Estado.

O SR. FLAVIANO MELO (MDB-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero dar como lido pronunciamento em que abordo uma questão importantíssima para o meu Estado, o Acre: a violência.
Nos dois últimos domingos, o programa Fantástico abordou esse assunto. A situação é gravíssima. E o Secretário de Segurança disse que a violência é uma tendência. Não pode ser tendência. Isso tem que acabar. Temos que adotar medidas duras, tanto por parte do Governo Estadual quanto por parte do Governo Federal.
Era o que eu tinha a dizer.
Muito obrigado.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados e todos os que nos assistem pela TV Câmara, venho a esta tribuna para falar sobre um tema que todos os dias é destaque nos nossos noticiários: a violência desenfreada no Acre.
Meus amigos e minhas amigas, a população está vivendo uma verdadeira ditadura do crime. O cidadão não pode mais sair pelas ruas sem que seja assaltado ou até mesmo morto. Estou consternado com o que ando vendo pela TV e pela Internet nesses últimos tempos.
Os dados do Atlas da Violência, do Ministério da Saúde, da última semana, apontam que o número de assassinatos de jovens acrianos entre 15 e 29 anos cresceu 84%. E 70% das mortes tem ligação com tráfico e disputa territorial. Estamos perdendo nossos jovens para o crime. É realmente preocupante.
Por isso, preciso deixar meu alerta para as autoridades acrianas. Elas precisam tomar medidas eficazes contra o tráfico desenfreado na nossa Capital, que tanto recebe quanto repassa drogas e armas oriundas das fronteiras com Peru e Bolívia.
Nos últimos 2 domingos, o programa Fantástico vem apresentando reportagens robustas de como funciona todo o esquema. E, sim, o Brasil está perdendo o controle da fronteira com Peru e Bolívia.
Os bandidos acrianos, do chamado Bonde dos 13, estão fazendo uma verdadeira faculdade do crime organizado com PCC e Comando Vermelho, facções paulista e carioca.
Como o tráfico na fronteira com o Paraguai foi amenizado, os traficantes começaram a disputa pela rota alternativa: a Amazônia. Só o Acre conta com mais de mil quilômetros de fronteira. E é sabido que Bolívia e Peru são produtores exponenciais de cocaína.
Como a maior parte do território acriano é formado por floresta fechada, cortada por um labirinto de rios, a fiscalização é difícil, já que temos apenas um posto da Polícia Rodoviária Federal e que a Polícia Federal, em Marechal Thaumaturgo - rota obrigatória do tráfico - está com o posto fechado, por exemplo.
Lá em Cruzeiro do Sul, Município com quase 80 mil habitantes, os bandidos estão acampando nos bairros para fazer processo seletivo e recrutar menores para o tráfico.
Eu quero dizer com isso que está muito confortável para os bandidos, meus amigos. Eles acampam na mata e juram rivais de morte. Quando são presos, dominam o presídio e impedem que os agentes penitenciários façam uma simples contagem de presos; gravam vídeos e ameaçam os agentes. Já são 85 agentes ameaçados, que deixam seus postos por medo de serem as próximas vítimas.
Vi a entrevista do Secretário de Segurança Pública do Estado, que disse que a onda de violência é uma tendência. Não, meus amigos, a violência não pode ser tendência. No Mato Grosso, conseguiram conter, ou ao menos amenizar. Precisamos tomar atitudes drásticas e solucionar a questão.
Na esfera federal, também faço meu apelo para que a União mostre na prática e de forma efetiva suas ações, dê celeridade na contratação de policiais e em mais o que for necessário. Vimos notícia de abertura de concurso para alocar 500 policiais federais na fronteira e novos investimentos em defesa. No entanto, queremos ver as ações na prática, melhorando as condições de segurança do povo acriano.
Anteontem mesmo, foi sancionada a lei que cria o Sistema Único de Segurança Pública. O Ministro Raul Jungmann afirmou que para este ano já há um orçamento de R$ 13 bilhões para serem investidos em ações e que a estimativa é de arrecadar mais R$ 800 milhões.
Como Parlamentar, solicito atenção especial para as fronteiras acrianas. Precisamos, com urgência, de ações emergenciais no Acre. Nossa gente, que sempre foi acostumada a bater papo na porta de casa, não pode ficar refém de bandidos, construindo muros e gradeando suas casas. A liberdade da população está restringida. Precisamos fazer algo, e logo.
Sr. Presidente, peço que meu pronunciamento seja registrado nos Anais desta Casa e reproduzido pelo programa A Voz do Brasil.
Era o que eu tinha a dizer.
Muito obrigado.



VIOLENCIA, FRONTEIRA, ACRE, AUMENTO.
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