CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 144.3.55.O Hora: 16h27 Fase: CP
  Data: 01/06/2017

Sumário

Promoção de marketing político pelo Prefeito João Doria, de São Paulo, Estado de São Paulo. Matéria intitulada Na cracolândia, Doria deixou cair a máscara de bom gestor, de autoria do arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.

O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, diante do fracasso do golpe parlamentar de 2016, da decadência dos principais caciques do PSDB, com destaque para Aécio Neves, pego fragorosamente em práticas ilícitas, e da crescente desenvoltura do ex-Presidente Lula nas pesquisas, apesar dos bombardeios sem provas, setores da grande mídia brasileira vêm tentando desesperadamente encontrar um candidato competitivo nas urnas.
A primeira estratégia desses setores da imprensa é passar a imagem para seus ouvintes, telespectadores e leitores de que a política é para desonestos, que todos os políticos são iguais e que, por isso, é preciso apostar no novo. Foi assim com Collor de Mello, fórmula que vem se repetindo com João Doria, atual Prefeito de São Paulo.
Com Fernando Collor, todos sabemos o resultado. João Doria, que tenta se projetar nacionalmente, visando às eleições presidenciais, está mostrando a que veio bem antes do que se esperava. Sustentado na propaganda e surfando na onda do marketing político - vestindo-se de gari, de guarda de trânsito ou de jardineiro, bem ao estilo de Collor, quando este era Presidente da República -, Doria, recentemente, vestiu-se de blusão preto e, ladeado por policiais, decretou, pela força bruta, que a Cracolândia tinha acabado.
O Prefeito Doria já havia dado algumas provas de valentia contra os mais fracos quando, conforme noticiado amplamente por sites e alguns órgãos de comunicação, reduziu o transporte escolar gratuito de alunos pobres e cortou o leite de crianças e adolescentes igualmente carentes, mas nada comparado ao que ele fez recentemente na Cracolândia.
A coluna do arquiteto, urbanista e professor da FAU-USP, Nabil Bonduki, publicada nesta terça-feira, dia 30, no jornal Folha de S.Paulo, com o título Na cracolândia, Doria deixou cair a máscara de bom gestor, mostra, com clareza, que o marketing não foi e nunca será a solução para resolver os problemas de uma cidade, de um estado e muito menos de uma nação.
Passo a ler o que descreve o colunista:
Para quem ainda tinha dúvidas, Doria mostrou, na última semana, que é pouco preparado para administrar uma cidade da complexidade de São Paulo; se ele busca cargos mais elevados, precisa comer muito feijão com arroz na planície.
Ainda fala o articulista:
A gestão pública requer atributos que vão muito além do gerenciamento de um negócio. Área de conhecimento com teoria e conceitos próprios, requer formação e experiência, além de habilidade política, sensibilidade humana e capacidade de ouvir opiniões contraditórias antes de tomar decisões.
A Prefeitura de São Paulo não é para amadores. Estrutura complexa, com centenas de milhares de funcionários e terceirizados, lida com inúmeras políticas setoriais, regidas por leis próprias, requerendo coordenação e articulação. Não é uma empresa de marketing, um canal de comunicação ou um negócio de lobby.

Sr. Presidente, também gostaria que toda a matéria fosse dada como lida e divulgada nos meios de comunicação desta Casa.
Senhores e senhoras, este é apenas mais um fato que mostra que candidatos fabricados por grupos econômicos e midiáticos, apresentados ao povo como "o novo" e "salvador da Pátria", não representam em nada os interesses deste mesmo povo a quem se tenta enganar apenas para se manter no poder.
Sr. Presidente, peço a V.Exa. que o meu pronunciamento seja divulgado nos meios de comunicação da Casa e no Programa A Voz do Brasil.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Andrade) - Obrigado, Deputado Luiz Couto. O pedido de V.Exa. será atendido.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, diante do fracasso do golpe parlamentar de 2016, da decadência dos principais caciques do PSDB, com destaque para Aécio Neves, pego fragorosamente em práticas ilícitas, e da crescente desenvoltura do ex-Presidente Lula nas pesquisas, apesar dos bombardeios sem provas, setores da grande mídia brasileira vêm tentando desesperadamente encontrar um candidato competitivo nas urnas.
A primeira estratégia desses setores da imprensa é passar a imagem para seus ouvintes, telespectadores e leitores de que a política é para desonestos, que todos os políticos são iguais e que, por isso, é preciso apostar no novo. Foi assim com Collor de Mello, fórmula que vem se repetindo com João Doria, atual Prefeito de São Paulo.
Com Fernando Collor, todos sabemos o resultado. João Doria, que tenta se projetar nacionalmente, visando às eleições presidenciais, está mostrando a que veio bem antes do que se esperava. Sustentado na propaganda e surfando na onda do marketing político - ora vestido de gari, ora de guarda de trânsito, ora de jardineiro, bem ao estilo de Collor, quando este era Presidente da República -, Doria, recentemente, vestiu-se de blusão preto e ladeado por policiais decretou, pela força bruta, que a Cracolândia tinha acabado.
O Prefeito Doria já havia dado algumas provas de valentia contra os mais fracos quando, conforme noticiado amplamente por sites e alguns órgãos de comunicação, reduziu o transporte escolar gratuito de alunos pobres e cortou o leite de crianças e adolescentes igualmente carentes, mas nada comparado ao que ele fez recentemente na Cracolândia.
A coluna do arquiteto e urbanista, professor da FAU-USP, Nabil Bonduki, publicada nesta terça-feira (30), na Folha de S.Paulo, com o título Na cracolândia, Doria deixou cair a máscara de bom gestor, mostra, com clareza, que o marketing não foi e nunca será a solução para resolver os problemas de uma cidade, de um estado e muito menos de uma nação.
Passo a ler a íntegra do que descreve o colunista:
Para quem ainda tinha dúvidas, Doria mostrou, na última semana, que é pouco preparado para administrar uma cidade da complexidade de São Paulo; se busca cargos mais elevados, precisa comer muito feijão com arroz na planície.
A gestão pública requer atributos que vão muito além do gerenciamento de um negócio. Área de conhecimento com teoria e conceitos próprios, requer formação e experiência, além de habilidade política, sensibilidade humana e capacidade de ouvir opiniões contraditórias antes de tomar decisões.
A Prefeitura de São Paulo não é para amadores. Estrutura complexa, com centenas de milhares de funcionários e terceirizados, lida com inúmeras políticas setoriais, regidas por leis próprias, requerendo coordenação e articulação. Não é uma empresa de marketing, um canal de comunicação ou um negócio de lobby.
O prefeito ignora essa realidade. Preocupa-se mais com o Facebook do que em formular políticas públicas em conjunto com sua equipe. Quer aparecer como um gestor eficiente e autoritário, que acorda cedo e dorme tarde, como se isso bastasse para gerir uma megacidade. Espera resultados rápidos, mesmo que efêmeros, para reforçar essa imagem falsa.
Desinformado e sem estratégia, vislumbrou na equivocada ação policial na cracolândia mais uma oportunidade para se promover como um eficiente defensor da ordem e da limpeza urbana e social. De blusão preto, que lembra as milícias fascistas, se misturou aos policiais e declarou que a cracolândia tinha acabado, para espanto de seus próprios secretários.
Sem coordenação institucional, planejamento e apoio de especialistas, achava que resolveria no grito um crônico drama social. Improvisadamente, derrubou casarões ocupados, ferindo moradores, e anunciou um arquiteto de grife para maquiar a área, como se essa fosse a questão. A cracolândia mudou de lugar e se espalhou.
Ignorando as leis do país e os direitos humanos universais, o prefeito pretendeu, com bravatas, tirar a questão social do mapa da cidade, eliminando os seres humanos que considera indesejáveis e suprimindo os territórios que ocupavam. Por fim, pediu autorização judicial para recolher, coletiva e compulsoriamente, supostos usuários de drogas, contrariando a Lei Antimanicomial, sancionada por FHC em 2001. A mobilização da sociedade, da Defensoria Pública e do Ministério Público freou os instintos autoritários do prefeito.
O prefeito "novo" reproduz o vício dos políticos tradicionais: interrompe programas das gestões anteriores, sem propor nada no lugar. De "novo", apenas a habilidade no Facebook. Que ele tenha a humildade de dar dois passos atrás: ouvir os especialistas, avaliar os pontos positivos e negativos do Braços Abertos e debater com a sociedade a melhor forma de enfrentar o problema.

Senhores e Senhoras, este é apenas mais um fato que mostra que candidatos fabricados por grupos econômicos e midiáticos, apresentados ao povo como "o novo" e "salvador da Pátria", não representam em nada os interesses deste mesmo povo a quem se tenta enganar apenas para se manter no poder.
Era o que tinha a dizer.



JOÃO DORIA, PREFEITO, SÃO PAULO (SP), MARKETING, COMBATE, CRACK, CRITICA.
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