CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 143.3.55.O Hora: 11h14 Fase: OD
  Data: 01/06/2017

Sumário

Apelo às autoridades competentes de investigação do rapto de filho de professora do Estado do Tocantins.

A SRA. PROFESSORA DORINHA SEABRA REZENDE (DEM-TO. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, eu gostaria que fosse dada como lida a carta de uma tocantinense, a Profa. Zulmira, cujo filho foi roubado com 1 ano e 8 meses.
Na CPI do Tráfico de Pessoas, aqui na Câmara, ela teve a oportunidade de apresentar o seu caso. Infelizmente, Sr. Presidente, foi negligenciado todo o trabalho policial de investigação. Essa mãe faz um apelo para que as autoridades que receberam determinação desta Casa para realizar o processo de investigação e de busca do seu filho cumpram a sua tarefa.
Existe uma sequência de ausências públicas na estrutura de polícia e de segurança do nosso Estado e também do País como um todo. Ela faz esse apelo. Eu gostaria que o caso da Profa. Zulmira, infelizmente um caso muito presente no País inteiro, fosse levado em consideração e também as determinações do trabalho realizado nesta Casa.
Muito obrigada.

CARTA A QUE SE REFERE A ORADORA

Porto Nacional, 25 de maio de 2017.
Vossa Excelência
ANDRÉ RICARDO FONSECA CARVALHO
Promotorde Justiça
Porto Nacional-TO
Sirvo-me do presente feito para instigar o Senhor Promotor André Ricardo Fonseca Carvalho a cerca do processo, 5000005-52.1997.827.2737. É de conhecimento de todos a dor que sinto pela falta do meu filho, por vezes caminhei para esta promotoria em busca de obter algo novo, algo que HOJE, VEJO que não vai acontecer nunca. Infelizmente, não por eu ser pessimista... Mas sim, por que a cada dia tenho a certeza que o Senhor Promotor bem como o Senhor delegado não se importam com a dor de uma mâe que sofre há 29 anos e sinto que fazem vistas grossas a dor de uma mãe que teve seu filho retirado do seio da sua família.
É triste ver que um mandado demorou mais de seis meses para ser cumprido por uma oficiala de justiça, e quê, quando cumprido o delegado não se importou nem em ler do que se tratava do processo e informa que não tem nada a ser feito. Como foi dito na petição acostada ao evento 50, do processo supracitado.
É humilhante pra uma mãe que descobriu tudo SOZINHA sem a devida ajuda da polícia que deveria desde o início ter amparado e ter de fato procurado e investigado o culpado pelo desaparecimento do meu filho, mesmo eu dando todas as informações a cerca do caso, os delegados que assumiram o caso não se prontificaram nem mesmo a investigar como de fato acontece ate hoje!
O que dizer perante tudo isso?
Como proceder diante de tudo isso?
Por anos me calei e deixei que a Justiça ao seu tempo resolvesse tudo... Só que agora dou um basta em tudo issoI
Como pode um juiz decidir que se oficie a Secretaria de Segurança Pública a cerda do processos que se oficie a corregedoria da Policia Civil do Estado, que se oficie a diretoria do Fórum para que a demora injustificada de uma oficiala em cumprir um mandado que nem se quer era em Outra cidade e que a mesma foi incapaz de cumprir, sendo designado outro oficial para que de fato fosse cumprido, qual a justificativa de um cartório ter deixado de fazer tudo isso, deixado de cumprir urna ordem.
Será que meu caso não tem importância? Minha dor não é atual por que já se passou 29 anos e oito meses?
O que devo pensar? Que a justiça só é aplicada e válida para réus presos? A final por ser atual e estar preso o caso deles tem mais validade que o meu? Que devo me conformar com todas as injustiças e incompetências com que vem tratando o meu processo? O processa da minha vida, por que tenho como meta de vida achar meu filho! Poder abraçá-lo e dizer que o amo e que ele foi retirado dos meus braços da forma mais abrupta possível, que não dei ele pra nenhuma outra família e que nesses 29 anos e 8 meses que se passaram não consegui nem por um minuto tirá-lo das minhas lembranças, que eu acordo lembrando do seu sorriso e de quão seu abraço era maravilhoso, meu filho foi retirado do meu convívio e por não ser atual a minha dor a justiça ainda me tira o direito de sonhar com esse reencontro.
A quem devo recorrer? Gostaria de ter essa resposta do senhor Dr. André, afinal, meu caso já passou nas mãos de vários Promotores.. Mas atualmente, está na mão do Senhor e é humilhante ter que ouvir da boca do Senhor que melhor seria eu encontrar um político pra que me ajude porque infelizmente o Senhor não pode fazer nada.
Escrevo essa carta como um desabafo, desabafo de uma mãe que como várias outras nesse Estado, sofrem com a inércia da justiça, sofre com o desamparo do Estado. Só queria que Vossa Excelência. Como representante do Ministério Público, esse árgão que tem por finalidade a defesa da ordem Jurídica e dos interesses sociais e individuais indisponlveis, acompanhasse meu caso como de fato se deve acompanhar e não como meis uni dentre outro sem relevância.
Respeitosamente
Zulmira GonzagaCardoso
Mãe Sergio Leonardo Desaparecido - 1987



SEQUESTRO, FILHO, PROFESSOR, TOCANTINS, APREENSÃO.
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