CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 138.3.55.O Hora: 13h54 Fase: BC
  Data: 30/05/2017

Sumário

Artigo sobre o poder exercido pelo empresariado no País, de Maurício Abdalla, publicado pelo jornal Le Monde Diplomatique Brasil.

O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero dar como lido pronunciamento que faço sobre 13 pontos do massacre empresarial do nosso País destacados em matéria do jornal Le Monde Diplomatique Brasil, por Maurício Abdalla. Desejo registrar nos meios de comunicação desta Casa esse assunto e levar ao conhecimento de todos os brasileiros e brasileiras.
O jornalista cita os pontos desse massacre empresarial do nosso País e diz que o foco do poder não está na política, mas na economia, que os donos do poder não são os políticos, os quais são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder, que são aqueles.
Sr. Presidente, pedimos a devida publicidade pelos meios de comunicação da Casa desse pronunciamento.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Hildo Rocha) - Que seja devidamente publicado, inclusive no programa A Voz do Brasil, o pronunciamento dado como lido do Deputado Luiz Couto, do PT da Paraíba.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia 24 de maio deste ano, o jornal Le Monde Diplomatique Brasil trouxe matéria de Mauricio Abdalla sobre 13 pontos do massacre empresarial de nosso País, a qual desejo registrar nos meios de comunicação desta Casa e levar ao conhecimento de todos os brasileiros e brasileiras.
São os seguintes os pontos, que passo a ler:
1 - O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.
2 - Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.
3 - O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.
4 - Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de "imprensa", ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.
5 - Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.
6 - O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência.
7 - Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura.
8 - O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros.
9 - Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos.
10 - Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país.
11 - Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica.
12 - A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois.
13 - Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder.

Era o que tinha a dizer.



LEITURA, ARTIGO DE JORNAL, LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL, AUTORIA, MAURÍCIO ABDALLA, ATUAÇÃO, PODER ECONÔMICO, POLÍTICA, FINALIDADE, MANUTENÇÃO, COMANDO, SOCIEDADE.
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