CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 129.4.55.O Hora: 17h44 Fase: BC
  Data: 28/05/2018

Sumário

Apoio da população brasileira ao movimento grevista de caminhoneiros contra os sucessivos reajustes nos preços de combustíveis. Apresentação do Projeto de Lei nº 10. 280, de 2018, sobre a inclusão do gás liquefeito de petróleo entre os produtos da cesta básica. Necessidade de retomada do transporte ferroviário no País. Ausência de projeto de desenvolvimento do transporte hidroviário brasileiro. Realização de investimentos na exploração de fontes renováveis de energia.

O SR. ROBERTO DE LUCENA (Bloco/PODE-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os caminhoneiros do Brasil pararam, e o Brasil quase que totalmente parou! Eles lutam por eles, pela categoria e pelas suas famílias, e a luta deles é uma luta justa. A luta pela família é sagrada, e a luta pelo coletivo é digna. Defendem uma pauta de reinvindicações que pretende baixar o preço do diesel, estabelecer um piso nacional para o preço do frete e isentar do pedágio os eixos suspensos.
Eu sou solidário, absolutamente solidário, aos caminhoneiros e à luta deles. No entanto, a luta dos caminhoneiros não é uma luta por todos os brasileiros, uma luta pelo Brasil. Ainda assim, o Brasil se manifestou a favor deles, apoiando-os com palavras nas redes sociais, passeatas nas ruas e também com alimentos nas estradas. O brasileiro identificou na manifestação dos caminhoneiros uma forma de extravasar o seu descontentamento, que se vem acumulando ao longo dos anos.
Foi necessário que uma categoria importante para todo o abastecimento do País radicalizasse para que o povo fosse ouvido. Se não tivesse lançado mão desse recurso, o povo ia continuar gritando para ouvidos moucos da gente palaciana.
Os aumentos sucessivos não apenas do preço do diesel, mas também de todos os derivados de petróleo, como gasolina e gás de cozinha, são desmedidos e representam um pesadelo para a sociedade. Essa política de preços para os derivados de petróleo está equivocada. Parece que se pretende recompor em 12 meses o tanto que se dilapidou a PETROBRAS nos últimos 12 anos, e isso não é suportável!
Sobre o gás, apresentei um projeto de lei para que ele seja incluído nos itens da cesta básica, o que baixará o seu preço. Refiro-me ao Projeto de Lei nº 10.280, de 2018, para o qual eu peço o apoio de V.Exas. Isso seria absolutamente bom, e será, para o Governo, para todos nós e para a sociedade brasileira.
Nós nunca desenvolvemos um projeto sério para o transporte hidroviário. E temos no volume e na navegabilidade das nossas águas mais uma alternativa. Essa paralisação demonstrou também o quanto estamos dependentes do combustível fóssil.
Estamos em pleno século XXI, no 3º milênio. O Brasil precisa entrar, de fato e de vez, neste 3º milênio.
Eu concluo, Sr. Presidente, dizendo que temos um rico menu de possibilidades de energias renováveis para enriquecer e valorizar a nossa matriz energética e salvaguardar o nosso País de um colapso como este que vivemos, por exemplo.
Agora, para atender a essa pauta de reivindicações, o contribuinte pagará 10 bilhões de reais, segundo o Governo. E é claro que será o contribuinte, seremos todos nós, porque não existe bolso do Governo ou bolso do Presidente. Existem impostos pagos por todos os contribuintes, dinheiro público.
Nós estamos, portanto - e precisamos ter atenção para isso --, à beira de um caos, à beira da instabilidade e da ingovernabilidade. Levaremos muito tempo para consertar as coisas por aqui, mas não existe a menor possibilidade de nós desistirmos do Brasil.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (JHC) - Agradeço ao Deputado Roberto de Lucena.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os caminhoneiros do Brasil pararam, e o Brasil quase que totalmente parou! Eles lutam por eles, pela categoria e pelas suas famílias, e a luta deles é uma luta justa. A luta pela família é sagrada, e a luta pelo coletivo é digna. Defendem uma pauta de reinvindicações que pretende baixar o preço do diesel, estabelecer um piso nacional para o preço do frete e isentar do pedágio os eixos suspensos.
Eu sou solidário, absolutamente solidário, aos caminhoneiros e à luta deles. No entanto, a luta dos caminhoneiros não é uma luta por todos os brasileiros, uma luta pelo Brasil. Ainda assim, o Brasil se manifestou a favor deles, apoiando-os com palavras nas redes sociais, passeatas nas ruas e também com alimentos nas estradas. O brasileiro identificou na manifestação dos caminhoneiros uma forma de extravasar o seu descontentamento, que se vem acumulando ao longo dos anos.
Foi necessário que uma categoria importante para todo o abastecimento do País radicalizasse para que o povo fosse ouvido. Se não tivesse lançado mão desse recurso, o povo ia continuar gritando para ouvidos moucos da gente palaciana.
Os aumentos sucessivos não apenas do preço do diesel, mas também de todos os derivados de petróleo, como gasolina e gás de cozinha, são desmedidos e representam um pesadelo para a sociedade. Essa política de preços para os derivados de petróleo está equivocada. Parece que se pretende recompor em 12 meses o tanto que se dilapidou a PETROBRAS nos últimos 12 anos, e isso não é suportável!
Sobre o gás, apresentei um projeto de lei para que ele seja incluído nos itens da cesta básica, o que baixará o seu preço. Refiro-me ao Projeto de Lei nº 10.280, de 2018, para o qual eu peço o apoio de V.Exas. Isso seria absolutamente bom, e será, para o Governo, para todos nós e para a sociedade brasileira.
Mas qual será a política de preços de combustíveis daqui em diante? De forma concreta vamos resolver e não remediar o problema?
Também neste trabalho parlamentar já apresentei projetos para facilitar as PPPs e investirmos em ferrovias e para estimular carros elétricos.
Para mim essa paralisação demonstrou não apenas a força dos caminhoneiros. Ela demonstrou também o quanto estamos dependentes do modal de transporte rodoviário. Isso é uma loucura! Sucateamos nossas ferrovias. Nós praticamente as abandonamos.
Temos uma malha ferroviária extraordinária, que pode ser retomada e pode tirar muito da carga que circula em nossas rodovias, diminuindo custos, melhorando a logística, preservando vidas.
Isso demanda muito investimento, mas há fundos internacionais interessados, com muito dinheiro e com disposição de investir, se for o caso.
Nunca desenvolvemos um projeto sério para o transporte hidroviário. E temos no volume e na navegabilidade das nossas águas mais uma alternativa.
Essa paralisação demonstrou também o quanto estamos dependentes do combustível fóssil. Estamos em pleno século XXI. No 3º milênio. O Brasil precisa entrar de vez na atualidade.
Temos um rico menu de possibilidades de energias renováveis para enriquecer e valorizar nossa matriz energética e salvaguardar nosso País de um colapso como este que vivemos.
Agora, para atender a essa pauta de reivindicações, o contribuinte pagará 10 bilhões de reais, segundo o Governo. E é claro que será o contribuinte, seremos todos nós, porque não existe bolso do Governo ou bolso do Presidente. Existem impostos pagos por todos os contribuintes, dinheiro público. Não há mágica!
Nós vamos dividir entre nós, todos os contribuintes brasileiros, o subsídio no preço do diesel, na diferença de pedágio, etc. Mas, repito, acho a luta dos caminhoneiros uma luta justa para a categoria.
Mas outras categorias com reivindicações tão justas quanto essas dos caminhoneiros poderão querer agora, neste momento, fazer o seu ajuste fino. E deverão igualmente merecer nossa solidariedade. Os professores de escolas particulares, por exemplo, param amanhã para gritar pelos direitos que perderam com a reforma trabalhista, contra a qual votei e que chamei de apocalíptica, porque sabia que em pouco tempo teria consequências desastrosas, que agora começam a aparecer.
E todos os outros descontentamentos? E nossa tão sonhada reforma tributária?
Já apresentei projetos para isentar de impostos os medicamentos, porque esse é também o âmago da crise: os altos tributos que pagamos. Nada disso até aqui foi prioridade. Sempre corremos para resolver crises, e não para preveni-las, planejando o País que desejamos ter.
A preocupação é que ainda estamos saindo de uma crise que nos fragilizou de maneira impressionante. Não sei até onde suportaremos. Estamos à beira de um caos, à beira da instabilidade e da ingovernabilidade.
Enfim, levaremos muito tempo para consertar as coisas por aqui, mas não existe a menor possibilidade de desistirmos do Brasil.



APOIO, ORADOR, POPULAÇÃO, GREVE, PARALISAÇÃO, MOTORISTA DE CAMINHÃO, REDUÇÃO, PREÇO, COMBUSTÍVEL. APRESENTAÇÃO, PL 10280/2018, PROJETO DE LEI ORDINÁRIA, INCLUSÃO, CESTA BÁSICA, GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO (GLP). NECESSIDADE, INVESTIMENTO, MALHA FERROVIÁRIA, DIVERSIFICAÇÃO, MATRIZ ENERGÉTICA.
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