CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 080.1.55.O Hora: 18h33 Fase: CP
  Data: 23/04/2015

Sumário

Experiência da oradora com a cultura e educação cubanas. Gratidão aos médicos cubanos integrantes do Programa Mais Médicos, do Governo Federal. Indignação com as condições de trabalho dos professores em greve no Estado de São Paulo. Importância da educação para a redução dos índices de criminalidade.

A SRA. ANA PERUGINI (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, antes de começar a falar sobre a greve dos professores no Estado de São Paulo, não posso me furtar do dever de falar dos médicos de Cuba que estão aqui no Brasil, os quais conheço em boa parte, mas principalmente a cultura cubana.
Eu tive o prazer de passar um período da minha vida em Cuba, principalmente no Congresso Paulo Freire, aprendendo com a educação cubana. Aprendi muito, aqui no Brasil e em Cuba, com o patriotismo, que nós devemos aprender, do povo cubano, que foi muito explorado e que defende o país de todo o coração. Nós devemos aprender a cultura. Eles vieram de fato para o nosso País para nos ensinar, e ensinar muito.
Então, aqui fica minha gratidão aos médicos de Cuba que estão trazendo a sua cultura ao nosso País e nos ensinando mais do que medicina, ensinando o amor pela medicina e a dedicação ao nosso povo. Foi de fato um acerto muito grande a vinda do povo cubano para nos ajudar na medicina no nosso País.
O que me traz à tribuna hoje é a greve dos professores no Estado de São Paulo, desde o dia 13 de março, por aumento de 75,3%, para equiparação salarial com as demais categorias com nível superior; por cumprimento da lei que trata do piso, que não é cumprida no Estado de São Paulo; por reabertura de mais de 3 mil salas de aula que foram fechadas.
Os professores vêm realizando assembleias no espaço do MASP, em São Paulo, e tiveram audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo com a entidade de classe APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, representada pela Profa. Maria Isabel Azevedo Noronha, a Bebel, e os Deputados Alencar Santana Braga, Beti Saão, Carlos Neder, Enio Tatto, Geraldo Cruz, João Paulo Rillo, José Américo, Luiz Fernando, Luiz Turco, Marcia Lia, Marcos Martins, Professor Auriel, Teonilio Barba, Carlos Gianazzi, Raul Marcelo, Atila Jacomussi e Leci Brandão.
A rede pública estadual conta com mais de 240 mil professores. Depois de passarem a noite no Plenário Juscelino Kubitschek, mais de 300 professores, depois de uma caminhada longa pela Avenida Paulista, foram recebidos pelo Secretário Estadual da Educação. E agora no final da tarde, nós tivemos a notícia de que nada adiantou, de que não houve nenhum avanço nas negociações.
Os professores decidiram ocupar a Secretaria de Estado da Educação. Eles foram chamados de truculentos. Há uma política em São Paulo de que as salas de aula devem receber 44 alunos. E o Ministério Público determina que, quando o aluno pede uma vaga, esta deve ser ofertada a ele, naturalmente, pois é um direito do aluno. Quarenta e cinco alunos na sala é superlotação.
Nós temos retratos de um período inteiro fechado nas salas. Nós temos mais de 3.300 salas de aula fechadas. São 22 mil professores hoje já demitidos. E nós temos salas de aula do 1º ano com 58 alunos adolescentes. Os professores estão doentes e não estão suportando mais.
Para encerrar, Sr. Presidente, falando das necessidades dos professores - a situação já está insuportável -, eles só tiveram aumento no ano de 2010, de 36%, dividido em quatro vezes. Eu perguntei a um dos professores: "Professor, e aí, como está?" Ele disse o seguinte: "Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia" - 2 Coríntios 4:16.
Aqui fica o meu clamor, porque é a segunda vez que eu vejo uma greve tão drástica, tão violenta, tão sofrida no Estado de São Paulo. E os professores vão às últimas consequências. Agora estou apelando, inclusive aqui, para todos os recursos, para a União, porque nós não podemos mais ver o que está acontecendo no Estado de São Paulo.
O nosso Governador saiu de São Paulo para pedir o aumento da maioridade penal. Sabemos que, no Estado de São Paulo, nós temos a maior população carcerária hoje do Brasil. Isso vai continuar se nós não pudermos valorizar de fato os profissionais da educação. É triste, é lamentável, mas esse é o resultado hoje no Estado de São Paulo. Basta acessar a Internet que nós vamos ver.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Mauro Pereira) - Muito obrigado, Deputada Ana Perugini, do PT de São Paulo.



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