CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 045.4.55.O Hora: 18h8 Fase: OD
  Data: 21/03/2018

Sumário

Assassinato da Vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro. Exigência de adoção, pelas autoridades competentes, de medidas necessárias para a elucidação do crime.

O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputadas, Deputados, servidores, todos os que acompanham esta sessão - agradeço ao nosso Líder Ivan Valente a cessão a este Vice-Líder para falar neste momento -, a Bíblia, para quem crê ou não, tem lições de sabedoria para a humanidade. O Profeta Jeremias, citado até no Evangelho de Mateus, diz: "Um pranto se ouviu em Ramá, de choro sentido e lamentação. Era Raquel a chorar seus filhos e sem querer consolo, porque eles jamais voltariam".
Toda destruição de vida é uma perda para a humanidade. Quando é feita com as características que vitimaram nossa amadíssima lutadora social e Vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e Anderson Gomes, que conduzia seu carro, esta tragédia, esta ruptura brutal da vida se torna ainda mais violenta e atroz.
Desta forma, registramos nos Anais da Câmara que este crime de mando foi feito por profissionais, gente que sabe atirar. Em geral, os crimes de mando e de gente profissional nisso têm vínculo, em algum momento, em alguma circunstância, com o aparato do Estado.
No Rio de Janeiro, sabemos que a corrupção e a promiscuidade público-privada do crime são muito fortes. Isso ocorre já faz muito tempo.
Nós todos nos sentimos indefesos no Rio de Janeiro. Há quem diga que esse tipo de atentado vai continuar. Quando ele acontece com alguém como Marielle, que tinha representatividade e defendia ideias e causas, ele se reveste da característica inaceitável de crime político, que busca eliminar o outro, eliminar aquele que você não respeita e de que você discorda. Trata-se da cultura do ódio, que é disseminada por aqueles que, de alguma maneira, se regozijam ou querem difamar Marielle, inclusive Parlamentares, o que é um absurdo inaceitável, uma estupidez ignóbil, algo que não pode prosperar. Nosso silêncio, nossa omissão, nossa naturalização desta violência podem gerar consequências muito graves para o País.
Foi um atentado à democracia, à cidadania, à humanidade. O Papa Francisco ligou para a mãe de Marielle, porque ele tem sensibilidade. Precisamos dar um basta a esta situação. As forças de segurança pública estão desafiadas na sua inteligência e na sua capacidade de investigação. Elas têm que proteger, sim, a população, as lideranças comunitárias, as lideranças políticas que ousam neste País, ainda tão injusto e sombrio, ser a voz dos que não têm voz.
Não dá para aceitar isso.
O escritor Mia Couto diz: "Pessoa amada que morre fica morrendo sempre". Nossa dor não vai passar. Mas ela tem que se transformar em luta. O luto para nós é verbo também. Nós cobramos das autoridades a apuração e a proteção dos mais vulneráveis e ameaçados. Nós não vamos aceitar ser um joguete na mão de facínoras que têm elos muito poderosos. Eles têm que ser coibidos nesta ação.
Nosso agradecimento a todo mundo que tem dignidade e que foi solidário até agora, de qualquer partido. Nosso repúdio àqueles que usam a função pública, como magistrados ou Parlamentares, para disseminar o ódio e a mentira. Isso é abominável!
Nós vamos cobrar na Justiça a estes sócios da criminalidade. (Palmas.)


MARIELLE FRANCO, VEREADOR, RIO DE JANEIRO (RJ), ANDERSON PEDRO GOMES, MOTORISTA, HOMICÍDIO, INVESTIGAÇÃO, APURAÇÃO.
oculta