CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 024.3.55.O Hora: 10h30 Fase: OD
  Data: 09/03/2017

Sumário

Razões da ausência da oradora na Casa no dia 8 de março de 2017. Descontentamento diante da rejeição, pela Justiça Federal de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, da denúncia de estupro da ex-presa política Inês Etienne Romeu. Críticas ao discurso do Presidente da República, Michel Temer, sobre o papel da mulher na sociedade. Protesto contra o desmonte do Estado brasileiro.

A SRA. ANA PERUGINI (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Obrigada, Deputado João Daniel, querido companheiro na luta pela reforma agrária em nosso País.
Eu quero agradecer aos nossos convidados que vieram para a audiência pública, que foi suspensa, mas vai ser realizada na próxima semana, com a participação do movimento de mulheres de Brasília, do movimento feminista e também das nossas sindicalistas da cidade de Brasília.
Quero ainda dizer que ontem não estive na sessão, não participei da sessão, não imprimi minha digital na Casa porque aderi ao movimento das mulheres do Estado de São Paulo, um movimento que contou com a participação de mais de 40 países para fazer 1 dia de paralisação e protesto das mulheres pela democracia no mundo e pela igualdade entre homens e mulheres.
Ontem, estranhamente, nós mulheres recebemos duas notícias muito tristes, Pe. Luiz Couto, de instituições importantes do nosso País.
Uma dessas instituições é a Justiça Federal de Petrópolis, no Rio de Janeiro, que rejeitou a denúncia, apresentada pelo Ministério Público Federal, de estupro da ex-presa política e única sobrevivente da Casa da Morte, Inês Etienne Romeu. A Justiça Federal rejeitou a denúncia do Ministério Público de estupro dessa mulher na ditadura.
Depois, nós também recebemos o discurso do Presidente Michel Temer, que reforçou algo naturalizado na nossa sociedade: a ideia de que cuidar da casa é a principal função da mulher e a de que ela é a responsável pela casa.
E nós fomos às ruas ontem para dizer "não" à PEC do fim da aposentadoria. Nós fomos às ruas ontem para dizer "não" à precarização e ao rasgamento da CLT; "não" à terceirização no mundo do trabalho; "não" à violência contra a mulher no Brasil, que é o quinto país mais violento no ranking da desigualdade entre homens e mulheres. Nós fomos às ruas ontem para dizer que lugar de mulher é onde ela quiser.
E eu quero trazer aqui neste momento, concluindo, uma reflexão sobre o desmonte do Estado brasileiro, que teve o seu maior campo de pré-sal entregue à França a preço de banana, como nunca havia sido feito. Isso foi noticiado no dia 28 de fevereiro pelos nossos jornais aqui no Brasil e também na França. E se fala inclusive nos aeroportos, mas, principalmente, na mídia, que foi patrocinada na década de 60 pela Time-Life para se expandir.
Dizem que o nosso País está bem, mas todos nós sabemos que ele não está bem coisa nenhuma. Mais do que nunca nós precisamos ir às ruas. Nós precisamos ouvir aquilo que está fora desse caixote que ficou fechado à nossa população, que não consegue ter acesso sequer aos corredores. Nós precisamos dizer o que está acontecendo em nosso País, porque não vai sobrar pedra sobre pedra, se nos calarmos.
Então eu quero dar parabéns ao movimento de mulheres, a todas as mulheres que foram às ruas ontem lutar e a todas as nossas companheiras que estiveram nesta Casa lutando para que os nossos direitos, para que a democracia que foi conquistada a partir de 1985 por brasileiros e brasileiras - inclusive muitos sem nome, muitos invisíveis ainda hoje - possa ser respeitada no momento tão delicado de sucateamento do nosso País e dos nossos direitos - aliás, nem se fala mais em direitos; vamos falar agora só em produtos, porque tudo virou produto: educação, saúde e previdência, agora, são produtos, não mais direitos.
Ficam aqui o nosso registro e os nossos parabéns. Desejo força a todas as mulheres nessa luta.


JUSTIFICATIVA, AUSÊNCIA, SESSÃO DELIBERATIVA, DIA INTERNACIONAL DA MULHER. JUSTIÇA FEDERAL, REJEIÇÃO, DENÚNCIA, MINISTÉRIO PÚBLICO, ESTUPRO, INÊS ETIENNE ROMEU, EX-PRESO POLÍTICO. MICHEL TEMER, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DECLARAÇÃO, ATUAÇÃO, MULHER, RESTRIÇÃO, TRABALHO DOMÉSTICO. GOVERNO, MICHEL TEMER, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, CRÍTICA, GESTÃO.
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