CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 014.4.55.N Hora: 0h0 Fase: OD
  Data: 17/10/2018

O SR. CHICO ALENCAR (PSOL - RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Presidente, Eunício.
Senadores, Senadoras, Deputadas, Deputados, falo aqui pela Liderança do PSOL, pois o nosso Líder, Ivan Valente, reeleito, para honra e glória do povo paulistano e paulista - assim como Luiza Erundina e a nossa Bancada renovada, que virá com dez Parlamentares -, se convalesce de uma cirurgia e está bastante bem. Mas tenho a honra de vir a esta tribuna para expressar as preocupações do Partido Socialismo e Liberdade em relação ao que vai acontecer no Brasil como fato político daqui a 12 dias.
É fundamental que a nossa população perceba que, muitas vezes, determinados mitos são uma mistificação, de todos os lados, mas é bom enfatizar alguns aspectos.
Quando você reforça o discurso patriótico, mas considera que a raiz do nosso povo é indolente, por parte dos indígenas, ou malandra, por parte dos africanos, ou mesmo de privilégios, por parte dos europeus, generalizando de maneira tosca a formação, a raiz, a constituição da nossa gente, você está sendo inimigo da própria nação, porque não existe a nação abstrata. Existe um povo demarcado num território físico, com instituições políticas e a sua cultura.
Quando você nega a cultura, até ameaçando acabar com o Ministério da Cultura, ou a considera algo secundário, mesmo que não chegue aquele ministro da propaganda nazista que dizia que, quando ouvia a palavra cultura, sentia vontade de sacar a sua arma, você está negando a própria Pátria brasileira.
Você nega a democracia quando faz o elogio à ditadura, à tortura, ao fuzilamento. E é de se admirar, por exemplo, que o Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro - não sei se ontem ou hoje - receba quem faz essa apologia. Logo ele, que, em tese, do ponto de vista da Igreja Católica e dos cristãos, é o líder ou o chefe daqueles que professam sua fé num torturado e num crucificado, aliás, que andava com o povo mais simples e pedia que nós, vendo quem tivesse fome, déssemos de comer; sede, déssemos de beber; preso, visitássemos; nu, vestíssemos. Então, essa opção preferencial pelos pobres que o Papa Francisco tanto reitera está sendo muito esquecida.
Não há respeito à igualdade básica entre os seres humanos quando se diz que a mulher é um ser inferior ou que as nossas filhas derivam de uma fraquejada. Por mais que repitam que isso é uma brincadeira, é de profundo mau gosto e reveladora, como muitas piadas e brincadeiras, de um sentimento mais profundo: patriarcal, machista, retrógrado.
Não há preocupação com o País nem com Planeta quando você já promete também sair do Acordo de Paris, ou acabar com o próprio Ministério do Meio Ambiente, ou minimizar, se não extinguir, todas as multas ambientais neste País, que continua com muita devastação e que é o espaço do Planeta que tem a maior biodiversidade.
Então esse descuido com o meio ambiente é absolutamente deletério e condenável.
Não há também possibilidade de paz e segurança quando você institucionaliza a ordem para matar, para agredir ou vem com a proposta que nos Estados Unidos gera muitas chacinas, de cada cidadão, uma arma, desacreditando formalmente inclusive o monopólio da força pelas autoridades do Estado democrático de direito.
Não há também respeito ao trabalhador que sustenta esta Nação, como os agentes comunitários de saúde e endemias, que o Governo Temer, cuja maioria inclusive apoia o candidato Bolsonaro agora, quer vetar, depois do compromisso assumido. Mas não há respeito ao trabalhador quando você começa a dizer que, não só na mudança da legislação trabalhista, o legislado está abaixo do negociado, fragilizando as categorias mais vulneráveis. Como também diz que o importante é ter um emprego, e não ter direitos. Essa incompatibilidade é do capitalismo mais atroz, do liberalismo mais retrógrado.