CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 011.2.55.O Hora: 15h54 Fase: GE
  Data: 23/02/2016

Sumário

Descontentamento do povo brasileiro com a crise econômica, política e institucional no Brasil. Responsabilidade do Governo Federal pela crise reinante no País. Necessidade de abertura de diálogo entre Governo e oposição para solução dos problemas nacionais.

O SR. HUGO MOTTA (Bloco/PMDB-PB. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em tempos de crise, seja social, seja institucional ou econômica, a exemplo dessa pela qual o Brasil passa, urge a necessidade de se promoverem alterações nas formas de lidar com os problemas, assim como nas formas de intervenção dos mais diversos atores sociais nas esferas da sociedade.
No Brasil, há muita discussão em torno do que pode ser feito para extirpar de vez condutas corruptivas, avaliar e descobrir a origem dessas ações que lesam o patrimônio público. As acusações sem provas ou a falta de apresentação de fatores determinantes de causa têm estimulado, mesmo que quase sem querer, a compreensão equivocada do que realmente é passível de punição e de quais tipos de punição agentes envolvidos em atos ilícitos podem sofrer.
Vivemos em um tempo de crises. E todas as crises pelas quais estamos passando estão interligadas, também, por um elo desinformante. A falta de entendimento da realidade do País, do seu desenvolvimento histórico e das reconfigurações que acontecem no cotidiano fazem com que o abismo entre os indivíduos que pensam de maneira diferente, mesmo que esta maneira seja advinda do processo de formação da sociedade democrática, fique maior, gerando instabilidade emocional e insegurança física e psicológica.
Por muitas vezes, encontramos acusações, xingamentos e ameaças nas redes sociais virtuais e nos mais diferentes lugares, como praças, filas de supermercado, universidades, calçadas. Há uma generalização do mau humor permeando o nosso dia a dia, de uma necessidade de cobrança por consertos na política, na economia, nas religiões e em outras expressões culturais. Essa cobrança por consertos é um dos pontos importantes para aprimorarmos os mecanismos de convivência em sociedade. No entanto, não significa em si, enquanto forma, a maneira adequada de promoção de mudanças.
Temos acompanhado a sofreguidão do Governo Federal, nos últimos meses, para retomar o crescimento econômico e, consequentemente, o social. Essa falta de rumo vem sendo bem representada nos gestos da Presidente da República, Dilma Rousseff.
Estamos vivendo um momento no qual há um Governo com um partido repartido, com cacos de base espalhados por todos os lados, para todas as direções, menos em direção ao fortalecimento de sua legitimidade. E esse fato não está se dando por mero capricho dos componentes da antes chamada base aliada, mas pela ingerência político-administrativa que permeia todos os atos de interlocução do Governo Federal.
Além disso, os pronunciamentos vazios dos diversos líderes políticos alimentam apenas os noticiários. E ações que tragam resolução em pequeno, médio e longo prazo para os problemas não existem de maneira concreta, não são postas em prática. O rebaixamento da nota brasileira pelas agências de risco, fazendo com que o País perca o selo de bom pagador e não seja visto como um lugar confiável para novos investimentos, é um fato que demonstra com mais clareza a perda de credibilidade econômica pela qual passa o País, trazendo à tona a incapacidade técnica do Governo Federal em agir de maneira rápida e eficaz para retomar o crescimento. A partir disso, tenhamos certeza, pipocam pelos quatro cantos discursos inflamados e generalistas que em nada acrescentam à resolução dos problemas econômicos.
Mais uma vez, veremos um espetacular desfile de opiniões sobre o que poderia ter sido feito, muitas afirmações do tipo: "Eu avisei que isso ia acontecer" e nada de proposta concreta que venha a reduzir os impactos negativos no dia a dia do brasileiro.
Sim, o Brasil vive uma crise institucional! E não é uma crise inteiramente entre instituições, mas, e principalmente, entre instituições e cidadãos. O olhar da população voltado para as instituições está carregado de valores negativos. Naturalmente, surge a ideia de que todos os políticos são corruptos e de que todos os membros do Judiciário manobram suas decisões em consonância com o interesse político - interesse político dos próprios políticos e/ou dos outros agentes e situações. É como se o sistema societário do qual fazemos parte não tivesse uma fluidez que aponte para o positivo, que gere bem-estar para os cidadãos, mas um fluidez sempre para a obtenção do poder pelo poder. Aí, acredito eu, reside o sentimento brasileiro atual de descontentamento.
Aqueles que obtiveram a confiança depositada nas urnas para representar a sociedade e promover mudanças são os que estão sendo estampados com expressividade nos noticiários negativos, que estão sendo desnudados em suas reais intenções diante do Erário.
O Sr. Manoel Junior - Deputado Hugo Motta, V.Exa. me permite um aparte?
O SR. HUGO MOTTA - Pois não, Deputado Manoel Junior.
O Sr. Manoel Junior - Deputado Hugo Motta, é uma alegria muito grande, como seu conterrâneo e seu correligionário, fazer um aparte a V.Exa., pela primeira vez na tribuna desta Casa. V.Exa., que já é um Deputado experiente, de segundo mandato, tem uma folha extraordinária nesta Casa, prestando serviços não só à Paraíba, mas também ao Brasil, e traz um discurso maduro e profundo sobre o momento que o nosso País vive. Há 1 ano, eu dizia justamente isso, que nós estávamos travando uma luta não só contra a crise política, a crise econômica, a crise ética e moral que estamos vivendo - e vem se arrastando -, mas, principalmente, contra a crise de confiança para dentro e para fora em nosso País. É, sem dúvida nenhuma, um momento de reflexão para estancarmos essa sangria absurda que leva ao desemprego, que leva ao descrédito do Brasil lá fora e faz com que nos apequenemos diante do agigantamento dessa crise de confiança nas nossas instituições. Parabéns a V.Exa., que, com certeza, terá um futuro extraordinário na política. Quem sabe, no futuro, estarei como seu eleitor, votando em V.Exa. para governar o meu Estado, a Paraíba. Parabéns!
O SR. HUGO MOTTA - Agradeço a V.Exa., Deputado Manoel Junior, Deputado experiente, que já foi Prefeito, Deputado Estadual, Deputado Federal e haverá de ser o próximo Prefeito da Capital do nosso Estado, João Pessoa, representando tão bem o nosso partido, o PMDB.
Ouço o Deputado Danilo Forte.
O Sr. Danilo Forte - Deputado Hugo Motta, vejo com alegria que o povo brasileiro tem hoje uma esperança. E a esperança reside exatamente nos jovens, assim como V.Exa., que pensam num Brasil para frente. Nós não podemos nos acovardar diante de um momento tão aflitivo da vida nacional. Por um lado, há um descrédito, um desgoverno que é incapaz de resolver os nossos problemas do cotidiano e de sinalizar alguma alternativa para recolocar o Brasil na trilha do desenvolvimento, seja econômico, seja social. Por outro lado, há a omissão dos homens públicos, na sua maioria, que não têm a capacidade de harmonizar exatamente um projeto capaz de retirar o País desta crise. Eu espero que este Congresso Nacional, que esta Câmara siga o exemplo das suas palavras e possa agora, buscando exatamente as pessoas de bem que têm compromisso com a Nação, construir um projeto político capaz de tirar o Brasil da monotonia, da crise, da deflação, do desespero que muitas vezes acomete as pessoas por falta de perspectiva. É um país grande, um país rico, um país maravilhoso, de um povo muito carinhoso, de um povo afetivo, mas que precisa de energia. E a energia está na sua juventude. Parabéns, Deputado Hugo Motta!
O SR. HUGO MOTTA - Agradeço a V.Exa.
Deputado Danilo Forte, Deputado Fernando Monteiro e Deputado Kaio Maniçoba, aqui presentes, foi justamente o que nós procuramos trazer em um momento difícil que o País vive. É em um momento como este que o Deputado tem a oportunidade de trazer as suas preocupações. Diante deste cenário, nós não poderíamos aqui debater outro assunto. É uma crise que assola desde o menor Município até o maior partícipe das receitas, que é o Governo Federal. Nós precisamos aqui, no Congresso Nacional, ter essa agenda. Nós precisamos não apenas - quem faz oposição - apostar que as coisas têm que dar errado para poderem dar certo, para o projeto político de alguns, ou que as coisas têm que continuar dando certo, para que outros partidos mantenham o poder. Ao largo de tudo isso está a população, olhando para nós, sofrendo muito mais do que nós e esperando respostas rápidas, porque o País não aguenta sangrar por muito tempo. O desemprego está crescendo, a inflação está batendo à porta das pessoas, a recessão está chegando a todos os setores produtivos, e nós, aqui, sem encontrar o mínimo de entendimento para tirar o País da crise.
Foi justamente com essa preocupação, Deputado Danilo Forte - e eu agradeço a V.Exa. o aparte -, que nós trouxemos este tema à tribuna.
Ouço o Deputado Alberto Filho.
O Sr. Alberto Filho - Deputado Hugo Motta, quero, primeiramente, parabenizá-lo pelo seu pronunciamento, que narra a pura realidade do nosso País. Eu tenho certeza, Deputado, de que está em nossas mãos a responsabilidade, juntamente com o Poder Executivo, de tirar o nosso País dessa crise, de salvar o nosso País. Eu tenho certeza de que aqui existem homens e mulheres sérios. Nós temos um Governo Federal que também busca caminhar de forma correta. Eu tenho certeza de que logo mais nós tiraremos o nosso País do buraco em que ele está. Nós temos que acabar aqui no Congresso Nacional com aquele discurso do "quanto pior, melhor". Nós temos, sim, que avançar, olhar para o futuro, debater e trazer ideias novas, para que possamos ver o nosso País continuar com o crescimento que tinha em anos anteriores, um País que se vinha destacando entre as maiores potencias mundiais. Eu tenho certeza de que vamos voltar àquela realidade em que o povo brasileiro tinha orgulho do seu País e tinha orgulho dos políticos que os representavam no Congresso Nacional. Assim, nós vamos caminhar no rumo certo. Parabéns, Deputado Hugo Motta! Parabéns pela sua trajetória política aqui no Congresso Nacional! V.Exa. se vem destacando nesta Casa, como Presidente da CPI da PETROBRAS, com a apresentação de projetos visando ao desenvolvimento do nosso País e, recentemente, com a disputa na eleição pela Liderança do nosso partido, o PMDB, o maior partido desta Casa. E eu tenho certeza de que foi um aprendizado muito grande para V.Exa. Então, parabenizo-o aqui mais uma vez. V.Exa. sabe do carinho e da amizade que eu tenho por V.Exa. Nós estaremos sempre juntos como jovens políticos aqui nesta Casa. Apesar de jovem, V.Exa. está no segundo mandato, assim como eu, mas nós temos todo um futuro pela frente para poder ajudar o nosso Brasil a se desenvolver ainda mais. Parabéns! Muito obrigado.
O SR. HUGO MOTTA - Eu agradeço a V.Exa. É uma honra ser Deputado aqui, pela segunda vez, ao lado de V.Exa., que tão bem representa Bacabal e o Maranhão nesta Casa.
Concedo um aparte ao Deputado Augusto Coutinho e, em seguida, aos Deputados Fernando Monteiro e Kaio Maniçoba.
O Sr. Augusto Coutinho - Deputado Hugo Motta, serei rápido. Não vou subtrair o pouco tempo que V.Exa. tem. Veja a demonstração de carinho de todos estes companheiros que aqui estão para lhe fazer um aparte. Quero só fazer uma constatação. Eu privo da sua amizade, tenho convicção disso, nós somos sofredores nordestinos, e eu quero apenas registrar que, nesta Casa, apesar da pouca idade, V.Exa. tem desenvolvido um trabalho muito sério, muito dedicado e que orgulha, eu tenho certeza, toda a Paraíba. Então, fica só o registro a V.Exa., pelo seu perfil de político, por ser uma pessoa que, eu tenho certeza, tem muito ainda a produzir pelo Brasil e pela Paraíba. Parabéns, Deputado!
O SR. HUGO MOTTA - Muito obrigado, Deputado Augusto Coutinho. A admiração e a amizade são recíprocas, pode ter certeza disso.
Concedo um aparte ao Deputado Fernando Monteiro.
O Sr. Fernando Monteiro - Deputado Hugo Motta, eu fico muito orgulhoso de participar do seu ciclo de convívio. Uma vez eu ouvi um poeta francês dizer uma frase que se iniciava assim: "Se os novos soubessem e se os velhos pudessem...". E fico feliz porque vejo nessa frase que V.Exa. hoje, mesmo novo, tem a experiência na condução política. V.Exa. é um líder nato, é um líder que traz, neste momento, nesse seu discurso, a palavra que precisamos. O ano de 2015 foi muito difícil, um ano de muita divergência, um ano do "quanto pior, melhor". Mas, em 2016, nós Parlamentares temos a obrigação de, junto com o Governo, trocar divergência por convergência. Digo convergência porque, acima de qualquer projeto político tem que estar o povo. Por isso, Deputado Hugo Motta, fico feliz quando V.Exa. aborda este assunto. Mesmo na sua juventude, V.Exa. traz experiência, diálogo. Isso significa que V.Exa. tem capacidade para liderar. Então, continue liderando a Paraíba, continue liderando os jovens e continue liderando seus amigos. Com certeza, o futuro o espera. V.Exa. já sabe que será Governador da Paraíba! E eu quero ser seu secretário! (Riso.) Tenha sucesso. E que seu caminho continue nesse sentido.
O SR. HUGO MOTTA - Eu agradeço a benevolência das palavras de V.Exa., que tão bem representa o Estado de Pernambuco. Eu não tenho dúvida de que, pelo trabalho que vem fazendo, V.Exa. vai ter não só o reconhecimento da população, como também vai ajudar Pernambuco, alçando voos ainda maiores na política.
Ouço o Deputado Kaio Maniçoba e, em seguida, o meu conterrâneo Deputado Marcondes Gadelha.
O Sr. Kaio Maniçoba - Deputado, como seu amigo e admirador, eu não poderia deixar de vir aparteá-lo, no momento em que V.Exa. traz um assunto tão importante para a sociedade brasileira e tem a grandeza de fazer esse debate nesta Casa. V.Exa. demonstra sua qualidade de homem público e seu espírito público, ao vir trazer este debate, propor este diálogo à Casa. Quero aqui registrar o meu carinho e a minha admiração por V.Exa., que vem fazendo um grande trabalho nesta Casa, um sofredor nordestino como eu, que entende de seca, entende das mazelas por que o Brasil vem passando e que nós sentimos na pele, sendo V.Exa. do Sertão da Paraíba, e eu, do Sertão pernambucano. Venho acompanhando o crescimento de V.Exa. nesta Casa, já no seu segundo mandato. Nós que começamos agora tivemos o prazer de estar ao lado de V.Exa. numa das mais importantes CPIs desta Casa. Sei do trabalho e da qualidade de V.Exa. à frente daquela CPI. Deixo aqui meu abraço, meu carinho e minha admiração. Com certeza, como disseram outros pares aqui, queremos vê-lo no Governo da Paraíba para chegar a voos mais altos. Um forte abraço.
O SR. HUGO MOTTA - Agradeço ao Deputado Kaio Maniçoba, que está no seu primeiro mandato, mas demonstra grande desenvoltura aqui, representando o povo pernambucano.
O motivo de trazer à tribuna este discurso, Deputado Kaio Maniçoba - V.Exa. convive numa mesma realidade em que eu convivo -, é justamente para mostrar o que o Sertão nordestino tem passado com essa crise, agravada ainda mais pela falta de recursos, e que, muitas vezes, os gestores que estão na ponta não têm condições de responder à população na rapidez que merece e precisa. Nós temos a responsabilidade de discutir a crise aqui, sempre buscando uma solução para os problemas.
Muito me honra ouvir o ex-Senador, Deputado por vários mandatos, meu conterrâneo e homem por quem tenho grande admiração, Marcondes Gadelha.
O Sr. Marcondes Gadelha - Nobre Deputado Hugo Motta, eu quero louvar a iniciativa de V.Exa. de trazer à colação este tema maior, mais importante e que mais aflige a nacionalidade neste momento, a crise econômica, social, política e moral que se abate sobre a Nação. Eu quero me acostar a esses cuidados e preocupações que V.Exa. vem revelando ao longo do seu discurso e acrescentar um a mais, nobre Deputado Hugo Motta, que é o custo financeiro da administração: 47% do Orçamento deste País vão para juros e amortização da dívida pública interna do Brasil. Isto é mais de três vezes o orçamento da saúde, da educação e da segurança, somados. Sei que V.Exa. vai detalhar toda essa temática, mas eu já lhe antecipo esse cuidado e essa preocupação. No mais quero revelar a minha admiração pelo desempenho de V.Exa., pela seriedade e pelo senso de responsabilidade com que se tem aplicado ao seu mister de Deputado, de representante da nossa Paraíba, e, sobretudo, por ver V.Exa. apresentar-se como uma das mais gratas revelações da política no cenário nacional. Espero que V.Exa. continue e cresça sempre. E eu sigo o caminho ainda há pouco apontado pelo Deputado Manoel Junior: espero que um dia possa votar em V.Exa. também para Governador do nosso Estado.
O SR. HUGO MOTTA - Muito obrigado, Deputado Marcondes Gadelha. Recebo suas palavras como a mais alta congratulação.
Eu não tenho dúvida de que essa discussão sobre o enxugamento do tamanho do Estado é, sem dúvida alguma, fundamental para que tenhamos um País em crescimento e em desenvolvimento.
Muito grato pelo seu aparte!
Concedo um aparte ao Deputado Cabo Sabino.
O Sr. Cabo Sabino - Deputado Hugo Motta, eu o parabenizo pelo posicionamento. Agora nós perguntamos ao povo brasileiro e a esta Casa: será que nós não temos dado a nossa contribuição aqui, muitas vezes sobrepondo ao povo brasileiro também essa ajuda, quando autorizamos mudanças nos direitos trabalhistas dos trabalhadores, quando aqui temos votado medidas impopulares para ajudar o Governo a reerguer a economia do nosso País? Temos feito isso muitas vezes a contragosto, mas acreditando que quem está à frente, dirigindo esse trem chamado Brasil, vai ter condição de colocá-lo nos trilhos novamente, no caminho do crescimento. Mas nos parece que o pedir não tem medida, porque está sempre pedindo mais. E isso impõe ao povo brasileiro uma sobrecarga e uma divisão, um pagamento de uma conta, de uma fatura de uma dívida que o povo não contraiu.
O SR. HUGO MOTTA - É verdade.
O Sr. Cabo Sabino - Prova disso, Deputado Hugo Motta, é a volta da CPMF. Eu sei que os Municípios querem que a alíquota chegue a 0,38%, porque é interesse dos Municípios ficarem com 0,18%. Mas o povo merece pagar por um erro administrativo? Eu não tenho como historiar os 4 anos anteriores, porque não estive nesta Casa na Legislatura passada. Mas, nesta Legislatura, eu tenho presenciado e participado do que esta Casa tem feito. E ela tem feito, sim, o seu papel como coadjuvante e como ajudador do Governo Federal em tudo aquilo que ele manda para esta Casa, votando, sob o pretexto de que vai melhorar as condições do povo brasileiro. Mas eu só tenho visto pesar essas condições ao povo brasileiro. Parabenizo V.Exa. pelo pronunciamento e pela concessão do aparte.
O SR. HUGO MOTTA - Agradeço a V.Exa. o aparte e concordo em número, gênero e grau com as suas afirmações.
Concedo um aparte ao Deputado Marcelo Aro. Em seguida, concederei um aparte ao Deputado Mauro Pereira.
O Sr. Marcelo Aro - Deputado e colega Hugo Motta, foi com alegria que corri pelos corredores desta Casa, agora, em direção a este plenário, para fazer um aparte ao pronunciamento de V.Exa. Fiz questão de vir aqui, pessoalmente, parabenizá-lo por tudo o que tem feito, por todo o trabalho que V.Exa. tem feito, não só pelo povo do seu Estado, mas também pelo povo brasileiro. Deputado Hugo Motta, eu tenho a alegria de dizer que, independentemente das siglas partidárias, hoje V.Exa. é um grande líder nesta Casa. É o nosso líder nesta Casa. Nós não somos do mesmo partido, mas tenho em V.Exa. um líder. Converso com V.Exa., peço-lhe sugestões, compartilho dificuldades, conversamos sobre méritos de projetos que passam por aqui e sempre escuto a voz de V.Exa., levando nossos colegas partidários àquilo em que V.Exa. nos instrui. V.Exa. sai do episódio da semana passada muito maior do que entrou. Eu não tenho dúvida disso. E já lhe disse que verei V.Exa. não só como Governador do seu Estado, mas, tenho certeza, em breve, ali no Planalto, representando todos nós como Presidente da República. Falo isso não para lhe agradar, mas pela sua qualidade, pela sua postura ética e moral nesta Casa, além do dom da liderança, um dom dado por Deus a V.Exa. Parabéns, Deputado Hugo Motta! Conte comigo e com o nosso partido e vamos juntos mudar o nosso País!
O SR. HUGO MOTTA - Deputado Marcelo Aro, agradeço a V.Exa. as palavras. V.Exa. chegou a esta Casa recentemente e já lidera tão bem o PHS, num papel de protagonismo, sempre ao lado do povo mineiro e do povo brasileiro, com a experiência de Vereador, representando o belo Estado de Minas Gerais, motivo de orgulho do povo mineiro. Agradeço a V.Exa. o aparte.
Concedo um aparte ao Deputado Mauro Pereira.
O Sr. Mauro Pereira - Deputado Hugo Motta, sou do PMDB do Rio Grande do Sul e tive a oportunidade, desde fevereiro de 2015, de conhecer e de trabalhar com V.Exa. Eu quero dizer ao povo da Paraíba que, quando se trata de uma pessoa que fala olhando no olho, que respeita os colegas e que se preocupa com os problemas do País, com os problemas do Estado, com os problemas da cidade, este é, sem sombra de dúvida, um político que merece todo o respeito. E V.Exa. é isto: uma pessoa que se preocupa não só com o seu Estado, com os seus Municípios, mas também com os demais Estados da Federação, inclusive já me ajudou a resolver demandas do meu Estado. Eu quero dizer que é um orgulho, um privilégio ter uma pessoa como V.Exa. fazendo parte do nosso PMDB. Eu tive a oportunidade de votar em V.Exa., mas nós não chegamos lá, nós que, com certeza, queremos o melhor para o PMDB e o melhor para o nosso País. Vamos olhar para frente, porque o futuro precisa do nosso trabalho e da nossa dedicação. Muito obrigado. Parabéns!
O SR. HUGO MOTTA - Eu agradeço a V.Exa., um Deputado de Caxias do Sul que tão bem representa aqui o povo gaúcho. Eu tive a honra de contar com seu apoio na nossa caminhada.
Eu quero só pedir ao Presidente um pouquinho de paciência - já estava terminando o discurso -, diante do grande volume de apartes, para concluir aqui rapidamente o meu pensamento.
O cansaço bateu à porta do brasileiro. Ele pesa nos ombros e na consciência, sendo a prova de que confiar e delegar autoridade não foi boa escolha. Talvez - e aqui abro um tema que julgo importante buscarmos compreender e aprimorar - a forma de representação dos Poderes esteja arraigada e sendo desenvolvida única e exclusivamente no sentimentalismo de reconhecer no outro a capacidade de administrar nossos males. A representatividade política do Brasil está diretamente ligada aos cidadãos individualmente aptos a satisfazer as necessidades de uma determinada sociedade. É o Vereador das causas comunitárias, o Prefeito herói, o Presidente pai dos pobres, o Senador experiente, o jovem e seus novos ideais e assim por diante, personificando-se em um e em outro a solução dos nossos problemas.
Todos os perfis trabalhados com a intenção de conquistar o voto através dos déficits identificados nas mais diversas regiões do País, camuflando em solução absoluta o indivíduo que é componente de um todo, que deveria interagir e ser harmônico, é um dos componentes do elo desinformante.
É necessário o debate, na mesma medida em que é necessário começarmos o processo contínuo de educação. Nossa sociedade já sabe do que precisa. Agora, precisamos construir, objetivamente, os meios para alcançar o nosso alvo.
A união da classe política brasileira em torno dos temas que afligem o nosso País é necessária. O diálogo, mais do que nunca, deve ser a arma principal a ser usada por nós. E aí me incluo. Mais uma vez, peço que cada um de nós coloque a mão na consciência. Peço isso com o desejo de mudarmos verdadeiramente o cenário político no qual estamos inseridos.
A população está cansada de receber dos jornais e compartilhar nas redes sociais as misérias que assolam nosso Brasil. E, neste momento, reafirmo a necessidade de tomarmos uma atitude com relação aos rumos que queremos para o País.
É preciso uma sinalização real, positiva, do Poder Executivo sobre as decisões que ele deve tomar para combater a crise econômica e moral. Se nós aqui no Legislativo não fomos ouvidos e não participamos das decisões equivocadas que nos trouxeram a esta condição na qual vivemos hoje, acredito que devemos nos dispor, além de ser nosso papel, a dialogar em favor de encontrarmos soluções que beneficiem a população.
Não se pode admitir que os gastos públicos cresçam acima da renda nacional. Precisamos estancar o crescimento da dívida, tornar o Brasil um país sustentável, com real crescimento econômico, com verdadeiro combate à pobreza e melhor distribuição de renda.
O Estado precisa estar presente ativamente na realização de mudanças necessárias à retomada do crescimento. Não se pode, simplesmente, não ter alternativas e jogar no colo dos que não participaram, repito, das tomadas de decisão que afundaram o País em grave recessão a responsabilidade de sugerir algo novo.
Ora, o que pretendo é chamar a atenção para aquilo que é basilar em todo e qualquer Estado democrático: que a ponte para o diálogo esteja aberta. Só assim conseguiremos construir um futuro promissor para nossa Nação.
Meu muito obrigado, Sr. Presidente.



BRASIL, ECONOMIA, POLÍTICA, CRISE, CONJUNTURA BRASILEIRA, DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, GOVERNO FEDERAL, RESPONSABILIDADE, ANÁLISE.
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