CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 329.3.52.O Hora: 14h16 Fase: PE
  Data: 14/12/2005

Sumário

Necrológio do Monsenhor Murilo de Sá Barreto, Vigário do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Artigo do jornal Diário do Nordeste a respeito do assunto.




O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, oCariri continua pranteando o desaparecimento de Monsenhor Murilo de Sá Barreto, figura paradigmal do clero nordestino que se impôs à admiração e ao respeito da comunidade por sua ação evangelizadora, alcançando, particularmente, os romeiros que demandam Juazeiro do Norte, impregnados dos sentimentos de devoção ao Padre Cícero Romão Batista.
No último sábado, incontáveis amigos daquele sacerdote participaram de missa de 7º Dia, oficiada por Dom Fernando Panico, Bispo da Diocese do Crato, em mais uma homenagem póstuma a quem se dedicou integralmente ao serviço do Povo de Deus.
No domingo, a Casa do Ceará em Brasília, cujo Presidente, Jézer de Oliveira, acolheu sugestão que lhe fiz chegar na semana passada, reverenciou a memória de Monsenhor Murilo durante missa que teve como celebrante o Arcebispo Emérito de Brasília, Dom José Freire Falcão, o qual, em homilia comovente, recordou a luta empreendida pelo seu conterrâneo no Seminário da Prainha, em Fortaleza, quando ambos se aprestavam para o árduo múnus apostólico a que se entregariam com inexcedível abnegação.
Na imprensa, os registros em notícias, editoriais e artigos sucederam-se em importantes órgãos de comunicação social, testemunhando o ingente labor do Vigário do Nordeste durante o seu paroquiato naquele Município do Sul do nosso Estado.
Dia 11, no Diário do Nordeste, que se edita em nossa Capital, o jornalista Jota Alcides fez publicar trabalho de sua lavra, enaltecendo o significado da presença de Monsenhor Murilo de Sá Barreto na cruzada pró-beatificação do Padre Cícero, à qual tantas vezes reportei-me desta tribuna.
Destacou o ilustrado jornalista na matéria referenciada que Juazeiro e o Nordeste estão tristes e abalados. Mas Juazeiro e os seus romeiros não ficarão órfãos.
Sr. Presidente, com base no Regimento Interno, solicito a transcrição em nossos Anais do trabalho de Jota Alcides, em mais um justo reconhecimento à faina nobilitante a que esteve entregue o saudoso Monsenhor Murilo de Sá Barreto.
Eis o texto aludido:
O VIGÁRIO DO NORDESTE
Ele foi, realmente, um bom pastor. Cumpriu, fielmente, seus deveres de bom pastor. Exerceu, dignamente, sua missão de bom pastor. Dedicou quase 50 anos de sua vida aoapostolado. Soube captar, sentir e vivenciar os sinais, as emoções e as esperanças da religiosidade popular do Nordeste concentrada em Juazeiro do Norte. Viveu intensamente nela, nutriu-se espiritual e intelectualmente dela e permaneceu atéo fim de sua vida fortemente vinculado a ela. Por isso, consagrou-se entre os milhões de nordestinos que veneram o Padre Cícero Romão Batista, fundador de Juazeiro. Por isso, pontificou como Vigário do Nordesteno maior centro de religiosidade popular da América Latina.
É com tristeza e com saudade que Juazeiro sente, o Nordeste sente e todos nós sentimos agora a ausência do monsenhor Murilo de Sá Barreto. Uma grande e lamentável perda para Juazeiro, para a Igreja do Cariri e para todos os romeiros do Nordeste. Como pároco do Santuário de Nossa Senhora das Dores, tornou-se o grande anfitrião e o grande defensor dos devotos da Mãe de Deus e dos fiéis seguidores do Padre Cícero.
Apesar de todas as dificuldades e de todas as incompreensões, principalmente por parte da alta hierarquia da Igreja Católica, ele soube, com habilidade, com tirocínio, com inteligência e com seu sacerdócio, conduzir o seu rebanho por quase cinco décadas, permanentemente fiel aos dogmas e mandamentos da Igreja e permanentemente fiel aos desejos e anseios das massas de romeiros.
Depois do próprio Padre Cícero, falecido em 1934, talvez tenha sido o vigário de Juazeiro com maior e mais nítida compreensão da religiosidade popular dentro do processo histórico e social do Nordeste. Viveu firme na féem sua Santa Igreja, mas longe de qualquer elitização do poder temporal. Muito pelo contrário, cada vez mais com o coração junto aos mais pobres e mais carentes.
Com simplicidade, espontaneidade, compreensão, solidariedade, fraternidade e muita espiritualidade, tornou-se líder de milhões de nordestinos que agora choram sua morte. Mas, monsenhor Murilo de SáBarreto deixou um grande legado. O legado da forte devoção à Nossa Senhora das Dores, da fidelidade aos preceitos do Padre Cícero e do amor ao Juazeiro. Daí seu sentimento de gratidão ao Padre Cícero que ele, certa vez, assim expressou em sermão:

Muito obrigado Padre Cícero! Pelo pensamento de Deus que assaltou sua mente ao fundar Juazeiro devoto da Mãe das Dores. Ao ensinar o conselho amigo, a prática do bem, a viver no esforço constante da prática do Evangelho de hoje e a ensinar a esse Nordeste a celebrar a alegria da fé, no respeito à pessoa, à dignidade do homem, à fidelidade à Igreja e ao amor em Cristo. Esses são os valores que imortalizam o homem. E são esses valores que, certamente, vão imortalizar o monsenhor Murilo de Sá Barreto na memória histórica, religiosa e social de Juazeiro do Norte, do Cariri e do Nordeste.
Juazeiro e o Nordeste estão tristes e abalados. Mas Juazeiro e seus romeiros não ficarão órfãos de um bom pastor, porque agora contam com dom Fernando Panico. Pela primeira vez, desde que o Padre Cícero chegou ao Juazeiro em 1872, e sobretudo depois da história do milagre em 1889, é o primeiro bispo do Ceará que assume, pública e efetivamente, e não apenas episodicamente, a defesa do Padre Cícero e de Juazeiro junto à cúpula da Igreja Católica. Ele trabalha, com muito empenho, nos estudos que podem levar o Vaticano à beatificação do Padre Cícero.
Em pouco tempo de atividades como bispo no Cariri, dom Fernando Panico tornou-se, em dimensão humana e espiritual, um romeiro de Juazeiro, plenamente identificado com os romeiros do Nordeste. Embora italiano de nascimento, já está completamente abrasileirado e, mais do que isso, nordestinizado. Culto e inteligente, mas simples, autêntico, carismático e piedoso, dom Fernando Panico deverá acumular a missão evangelizadora do saudoso monsenhor Murilo de Sá Barreto porque já está eleito no coração dos nordestinos como Bispo dos Romeiros. E, quem sabe, talvez esteja nascendo com ele, dom Panico, o Bispado de Juazeiro, o grande sonho do Padre Cícero ainda não realizado. Que assim seja!

Jota Alcides
Jornalista e escritor em Brasília. 

Era a comunicação que desejava fazer à Casa, Sr. Presidente, já que V.Exa. tão bem se identificou, como os conterrâneos de Serra Talhada, com o vigário de Juazeiro, Monsenhor Murilo de Sá Barreto.


MURILO DE SÁ BARRETO, SACERDOTE, MUNICÍPIO, JUAZEIRO DO NORTE, CE, HOMENAGEM PÓSTUMA, ARTIGO DE IMPRENSA, DIÁRIO DO NORDESTE, AUTORIA, JOTA ALCIDES, JORNALISTA, ASSUNTO.
oculta