CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 014.2.55.O Hora: 18h4 Fase: OD
  Data: 24/02/2016


O SR. KAIO MANIÇOBA
(Bloco/PHS-PE Pronunciamento encaminhado pelo orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no sul de Pernambuco, no meio da fronteira entre meu Estado e a Bahia, fica o Município de Itacuruba, aconchegado entre dois braços do reservatório de Paulo Afonso, no Rio São Francisco.
Itacuruba significa, em tupi-guarani, pedra cascuda ou furada. Apelidada carinhosamente de Jardim Sertanejo, fez 52 anos de emancipação em 20 de dezembro.
Mas suas raízes são muito mais antigas: lá moravam índios que foram catequizados desde o século XVII pelos jesuítas, substituídos pelos capuchinhos franceses em 1673.
Em 1702, o centro da povoação era onde moravam os religiosos, numa ilha hoje submersa, na antiga foz do Pajeú. Lá foi construída, naquele século XVIII, uma igreja cercada de pedras, indício de que nem sempre a convivência com os índios era pacífica.
Em 1709, os capuchinhos franceses foram substituídos pelos barbadinhos italianos.
Em 1792, houve a maior cheia já registrada no Rio São Francisco. A Ilha do Sorubabel e todas as suas construções foram cobertas pelas águas. O trauma deve ter sido grande, pois uma nova capela só seria construída mais de um século depois, a partir de 1889. Em volta dela
, muitos moradores, inclusive vindos da Bahia, se estabeleceram.
Em 1988, a cidade sofreu um novo trauma. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco deslocou a sede do Município de Itacuruba para a posição atual. O local de origem foi inundado pela barragem de Itaparica. Os registros da CHESF apontam para 2.297 famílias, cerca de 7 mil habitantes, transferidos da velha para a nova Itacuruba, ou para assentamentos em cidades próximas.
Hoje, Itacuruba é menor do que em 1988. Seus 4.700 habitantes moram num semiárido que fica 300 metros acima do nível do mar e a quase 500 quilômetros da Capital, Recife.
O PIB per capita ainda é baixo, de apenas 8 mil reais por ano, por pessoa. Mas isso pode mudar, e em decorrência de dois fatores surpreendentes: a astronomia e a energia nuclear.
O telescópio óptico de Itacuruba, com 1 metro de diâmetro, é o segundo maior do País e foi instalado naquele que é o segundo Município pernambucano menos populoso por uma série de razões. A baixa densidade demográfica na proximidade de um centro urbano significa baixa poluição visual, o que permite ver melhor o céu estrelado. Além disso, a pouca quantidade de chuvas e de queimadas tornaram Itacuruba a única cidade do hemisfério sul a monitorar asteróides e cometas em rota de colisão com a Terra. Há três outros observatórios com essa função nos Estados Unidos e dois na Europa. Antes do telescópio de Itacuruba, um quarto da esfera celeste ficava sem monitoramento astronômico.
, ainda, já operantes ou em projeto, o observatório solar, o observatório municipal e o magnético, este último subordinado à Universidade Federal de Pernambuco.
O fato de ter poucos habitantes, facilmente deslocáveis em caso de acidentes, foi uma das razões para a Eletronuclear escolher a cidade, em 2011, como a melhor opção para a instalação das primeiras usinas nucleares do Nordeste, às margens do Lago de Itaparica. Mas há outras razões: o solo da região é estável, o Município já possui linhas de alta voltagem e fica numa posição estratégica para fornecer energia para Recife, Salvador e o Complexo Industrial e Portuário de Suape, os três maiores mercados consumidores de eletricidade do Nordeste.

A usina nuclear terá capacidade de 6.600 megawatts e vida útil de pelo menos 60 anos. A instalação dessa usina, quando vier, será um importante estímulo à economia municipal e regional.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, independentemente da usina ou de novas instalações astronômicas, o simples fato de estar às margens do São Francisco, próxima a reservas indígenas, já garantem a nossa aniversariante um potencial turístico. A cidade apresenta um carnaval e um São João com características bem particulares, além do reisado, do pastoril, da ciranda, da dança de São Gonçalo e do Toré, evento de origem indígena.
Esperamos que Itacuruba amplie suas vocações econômicas e que reencontre o caminho do progresso, após ter mudado de lugar duas vezes ao longo de sua história.
Obrigado.